Cinema

'De Gaulle: A França Livre' mostra gente como a gente no front da história

Filme em cartaz em BH enfatiza a participação de cidadãos comuns na luta contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial

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O nome do general Charles de Gaulle (1890-1970) está na ordem do dia desde a divulgação da carta golpista de Flávio Bolsonaro (PL). Por razões erradas, pois o candidato a presidente derrotado se comparou a um dos mais importantes personagens políticos franceses no século 20. Na Segunda Guerra, com seu país ocupado pelo nazismo, De Gaulle se tornou, na Inglaterra, o chefe da França Livre, em oposição ao governo fantoche de Vichy.

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Diante disso, chega em boa hora ao Brasil o épico “De Gaulle: A França Livre”. Atração do Festival de Cinema Francês, com sessões nos cines Belas Artes, Ponteio e Centro Cultural Unimed-BH Minas, o filme é dividido em duas partes, com 160 minutos cada.



Adaptado por Antonin Baudry a partir de “Charles de Gaulle: Uma biografia”, do historiador britânico Julian Jackson, o filme levou seis milhões de franceses aos cinemas. Com grandes cenas de batalhas, custou mais de 70 milhões de euros.



“É a primeira vez que a história da França é contada da perspectiva do homem comum. Não é propaganda ao estilo americano, como vemos em tantos filmes. São pessoas comuns que se engajam. Não eram muitas, é verdade, mas decidiram se levantar contra a ocupação. Isso é admirável”, afirma o ator Benoit Magimel, que veio ao Brasil participar do festival.



Magimel tem destaque na primeira parte do épico. Ele interpreta o general Pierre Koenig (1898-1970), que comandou a Batalha de Bir Hakeim. Entre maio e junho de 1942, no deserto da Líbia, 3,7 mil soldados franceses resistiram durante 16 dias diante de 37 mil combatentes nazistas.



“É Davi contra Golias. Para mim, a frase mais marcante é quando ele diz a seus homens, no final do combate: ‘Escolhi a luta de vocês. Cabe a vocês escolherem a sua própria morte’. Isso mostra até que ponto os generais estão dispostos a sacrificar seus homens. Ele é próximo de seus soldados. Apesar da patente, se sente um pouco humilde diante disso. Confesso que senti certa timidez diante da ideia de interpretá-lo, pois não sei do que eu teria sido capaz de fazer em tempos de guerra.”



Ao mesmo tempo em que acompanha a geopolítica da guerra, com a tensa relação entre De Gaulle (Simon Abkarian), Churchill (Simon Russell Beale) e Roosevelt (Campbell Scott), o filme traz a luta da Resistência Francesa, em especial dos jovens Fernand (Florian Lesieur) e Livia (Anamaria Vartolomei).



“Existem contradições e é disso que precisamos: humanidade e pessoas com as quais possamos nos identificar. Não me ensinaram a história da França desse jeito. Disseram que quando De Gaulle fez o apelo de 18 de junho (célebre discurso transmitido em 1940, pela BBC de Londres, em que ele convocou os franceses a seguirem lutando), a França inteira estava ouvindo. Na verdade, pouquíssimas pessoas ouviram o apelo. (No filme) Ele é visto na perspectiva do homem comum. Na cena da banheira, por exemplo, parece um pouco ridículo, sem ser levado a sério. Isso torna tudo mais acessível.”



Na França, o longa teve grande impacto junto ao público jovem. “Pela primeira vez em muito tempo, não há vergonha em relação à bandeira francesa. Antes, ela era frequentemente associada à extrema direita. Tínhamos certa resistência a ela, exceto durante a Copa do Mundo e nos esportes em geral. Agora, não mais”, completa Magimel. Algo que ressoa muito com o que o Brasil vem passando nos últimos meses.

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“DE GAULLE: A FRANÇA LIVRE”
França/Bélgica/EUA, 2026, direção de Antonin Baudry. A primeira parte terá sessões nesta quarta (4/11), às 17h30, no Cine Belas Artes, quinta (5/11), às 15h50, no Centro Cultural Unimed-BH Minas, e às 17h35, no Ponteio. A segunda parte terá sessões no sábado (7/11), às 19h40, no dia 11/11, às 17h40, no Centro Cultural Unimed-BH Minas e no Ponteio; no domingo (8/11), às 19h40, e na terça (10/11), às 17h30, no Cine Belas Artes. O filme será lançado em 19 de novembro no canal de streaming Filmelier+ (disponível no Prime Video).


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