Cinema brasileiro

'As dez vantagens de morrer antes de você' discute o luto com os jovens

Filme com Giulia Be e Ani Gabrielly acompanha garota às voltas com desafios deixados para ela por amiga que já se foi. Diretor é o mesmo de 'Caramelo'

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Depois do sucesso de “Caramelo” (2025), que chegou ao terceiro lugar entre os filmes mais vistos do mundo na Netflix no mês de estreia, o diretor Diego Freitas leva aos cinemas “As dez vantagens de morrer antes de você”. Baseado no livro homônimo de Fernanda de Castro Lima, o longa acompanha uma jovem que precisa reaprender a viver depois da morte da melhor amiga. As cantoras e atrizes Giulia Be e Any Gabrielly (integrante do grupo Now United) interpretam a dupla.

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A história chegou ao diretor por meio da Paris Filmes, que adquiriu os direitos do livro. “Fiquei profundamente tocado. A história fala do luto de uma maneira leve e interessante. A Fernanda foi muito sábia na hora de conduzir a narrativa, porque também promove um despertar para a vida”, diz.



Diálogo


O projeto se conecta a uma questão que Diego considera pouco explorada pelo cinema nacional. Para ele, faltam filmes que dialoguem diretamente com o jovem brasileiro. A partir dessa percepção, decidiu escrever o roteiro e dirigir o longa.



O projeto marca o reencontro do diretor com Giulia Be, protagonista de “Depois do universo”, primeiro filme da atriz e primeiro trabalho de Diego para a Netflix.



Em “As dez vantagens de morrer antes de você”, Gabriela (Any) e Júlia (Giulia) são amigas desde a infância. Enquanto Júlia é impulsiva, teimosa e está sempre apaixonada, Gabriela é mais reservada e costuma ficar à sombra da amiga.



Tudo muda quando Júlia morre em um acidente de carro, logo nos primeiros minutos do filme. Antes de partir, ela havia deixado 10 desafios para Gabriela cumprir. A ideia era fazer com que a amiga enfrente os próprios medos e aproveite a vida com outros olhos.



A lista inclui saltar de paraquedas, aprender a dançar, pedir abraços a desconhecidos na rua, aproveitar a viagem de formatura, se apaixonar e cantar diante da multidão. A música tem papel importante na trama. Giulia Be compôs “Te olhando daqui” especialmente para o longa, inspirada na relação entre Gabriela e Júlia.



“É quase como a última carta de amor para a melhor amiga. E o mais legal é que a música também faz parte do álbum que lancei este ano. Então. ela acabou encontrando espaço muito especial nos meus dois universos”, comemora.



A cumplicidade da dupla não se limita à ficção. Any e Giulia já eram amigas antes das filmagens, o que, facilitou a construção da relação entre Gabriela e Júlia.



“Foi muito gostoso e natural o processo de traduzir isso para a tela. Nós duas tínhamos traços em comum com as personagens. Vários dos motivos de Júlia e Gabi serem amigas na história eram motivos de eu e Giulia sermos amigas na vida real”, diz Any.



Giulia concorda. “Já existe intimidade, uma cumplicidade muito grande entre a gente. A gente se conhece de verdade, sabe como a outra funciona.”



A amizade feminina é um dos eixos da história. Any vê nisso uma forma de construir redes de apoio, rompendo com a ideia da rivalidade feminina.



“Quando mulheres se unem, podem fazer coisas incríveis. Desde sempre somos ensinadas a não nos unirmos, a sermos concorrentes. Quando acontece amizade feminina, há a quebra desse padrão. Conseguimos compartilhar percepções e experiências que só mulheres têm, conversar sobre elas e, juntas, mudá-las. É ter o porto seguro em uma pessoa que te entende. Não consigo imaginar a minha vida sem outras mulheres”, afirma Any.



“A gente fala tanto de amor romântico, mas amizade pode ser uma das relações mais importantes da nossa vida. São pessoas que te acolhem, te dão bronca quando precisa, comemoram suas conquistas como se fossem delas. Amo o filme falar sobre esse amor também. Não consigo imaginar a minha vida sem as minhas amigas”, diz Giulia.



Duas Estratégias


Salas de cinema e streaming pedem estratégias diferentes para conquistar o público, mas não precisam competir entre si, acredita o diretor Diego Freitas. “No streaming, você tem muitas distrações ao redor. Precisa chamar a atenção rápido e se comunicar rápido. O cinema permite um pouco mais de liberdade e traz a experiência coletiva”, observa, destacando a importância da sala escura.



“No fundo, tanto no streaming quanto no cinema os filmes precisam ter alma e se comunicar com o público. As boas histórias sempre encontram o seu lugar. Sou muito a favor de todas as telas: cinema, celular, streaming. Está tudo certo para mim”, conclui.



Ingresso a R$ 12


As redes Cineart e Cinemark participam da primeira edição do Festival do Cinema Brasileiro, que vai até quarta-feira (4/11), com ingressos a R$ 12. Além de “As dez vantagens...”, estão em cartaz “100 dias”, de Carlos Saldanha, cinebiografia de Amyr Klink com Filipe Bragança; a comédia “Se eu fosse você 3”, com Tony Ramos e Glória Pires; e “Minha melhor amiga”, com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli.

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“AS DEZ VANTAGENS DE MORRER DEPOIS DE VOCÊ”
Brasil, 2026, 106 min. De Diego Freitas, com Giulia Be, Any Gabrielly, Sheron Menezes, Leo Jaime e Daniel Rangel. Em cartaz em salas dos shoppings BH, Boulevard, Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Estação, Itaú, Minas, Monte Carmo, Norte, Partage, Pátio e Via.


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