Criar cinco filhos sozinha, administrar a própria terra e preservar os costumes de uma comunidade rural são alguns dos desafios de Rosenda, personagem de Dira Paes na próxima novela das seis da Globo, que estreia em 9 de novembro.


Em “Lá na minha terra”, a atriz interpreta a mulher que precisa seguir em frente depois do desaparecimento do marido, Severino (Daniel de Oliveira), e assume a responsabilidade pela família na fictícia cidade de Lavra Seca, no interior do Ceará.

 

Longe de ser retratada como heroína que acerta em todas as decisões, a personagem terá suas contradições. Para Dira, é justamente essa combinação de qualidades e falhas que torna a protagonista próxima do público.


“Rosenda não é só acertos, ela é erros também”, afirma a atriz. “O nosso trabalho, o nosso prazer está na cena, em fazer a cena. A artesania de estar em cena é o nosso grande prazer”, conta.


Dira se sente privilegiada por voltar a interpretar uma personagem popular, capaz de dialogar com diferentes realidades brasileiras. “Tenho certeza de que ela vai representar a vida de muitas mulheres maravilhosas deste país gigante que é o Brasil”, afirma.


“É importante valorizar quem fica, e Rosenda resiste, fica, está lá na sua terra com os filhos, dando continuidade a esta cultura linda que é a cultura sertaneja”, diz Dira.


A relação da personagem com o lugar onde vive é um dos eixos da novela. Embora Rosenda seja considerada rica, a riqueza não está necessariamente no dinheiro, mas no que ela construiu e preserva. “Ela não tem dinheiro, mas tem qualidade de plantação, qualidade de gado, de criação”, explica a atriz.


A rotina no sertão não será construída apenas em diálogos e relações familiares. A presença de animais faz parte do cotidiano da personagem, e lidar com eles diante das câmeras exigiu preparação. Cavalos, cabras, bodes, galinhas, galos e bois precisam parecer parte natural da vida da personagem.


“É um desafio lidar com animais em cena”, conta Dira. Para as cenas a cavalo, ela estudou a parte teórica e fez trabalho prático de aproximação com o animal. Admite que ainda sente algum receio, mas entende que o medo pode ajudar a manter o cuidado necessário, “aquele limite do respeito, de você ter cautela.”


A força feminina também está presente em Maria Lina, personagem de Arianne Botelho, filha de Rosenda. “Tenho inspiração nas mulheres da minha própria família, que também são sertanejas do sertão de Minas”, afirma.


Ela descreve Maria Lina como uma espécie de versão mais jovem da mãe. Ariane destaca a maneira como o texto de Mário Teixeira aborda mulheres que precisam conciliar a criação dos filhos, a manutenção da casa e a luta pela própria sobrevivência.


“São como nossas mães, nossas avós, nossas bisavós, que de alguma forma tiveram que dar conta de criar filhos, de sustentar uma casa, de ir para a luta”, afirma.


A atriz conta que interpretar Maria Lina provoca uma aproximação com a própria ancestralidade feminina. O trabalho ao lado de Dira e o contato com as histórias da novela fizeram com que ela enxergasse a personagem também como uma experiência pessoal.

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