“Para mim, Tom Jobim é o maior gênio que a gente tem na música popular brasileira”, afirma Mazziotti. Do Maestro Soberano ele gravou “Falando de amor”, para o songbook organizado por Almir Chediak, e “Insensatez”. Ainda assim, diz que continua sentindo receio ao interpretar as composições de Tom. “Fico até com medo de gravar mal, sabe?”, admite.
O cantor conta que gostaria de gravar um disco dedicado exclusivamente a Tom Jobim, como fez em “Mazziotti canta Chico” (2002), dedicado à obra de Chico Buarque. “Quem sabe ainda vai sair...” Mazziotti comenta que se encontrou com Tom Jobim uma única vez, durante um jantar em uma churrascaria, acompanhado de Gal Costa. “A gente conversou durante o jantar e foi a única vez em que eu estive com ele, infelizmente. Gostaria de ter estado muito mais.”
Com o centenário de nascimento de Tom Jobim se aproximando, o cantor paulista observa que a obra do compositor segue atual. “Quanto mais você trabalha e conhece o trabalho dele, mais você vê a genialidade dele, a generosidade também em compor coisas tão simples e tão lindas, tão profundas”, afirma.
No palco do Conservatório UFMG, o público vai encontrar um Mazziotti que, depois de décadas de carreira, se considera mais intérprete do que cantor. Para ele, a maturidade trouxe uma nova maneira de se relacionar com as músicas, com mais atenção às letras, à teatralidade e à emoção que procura transmitir ao público.
“De uns anos para cá, virei mesmo um intérprete, mais do que cantor”, afirma. Nessa transformação, o artista destaca a influência de grandes vozes femininas da MPB, como Elis Regina, Maysa, Elizeth Cardoso e Gal Costa.
“A Elis mexeu muito com a minha interpretação, a minha maneira de ver música, de interpretar as letras e tudo isso”, diz. De Maysa, destaca a teatralidade e a emoção; de Gal, o vigor ao cantar. Mazziotti também trabalhou com Elizeth Cardoso, com quem viajou pelo Brasil e manteve uma amizade.
Essa maneira de interpretar aparece no espetáculo dedicado a Tom Jobim. Uma das músicas do repertório é “Por causa de você”, parceria do compositor com Dolores Duran. Segundo Mazziotti, a canção costuma emocionar o público durante as apresentações e diz que é esse o efeito que ele busca.
Relação com Minas Gerais
"Muito feliz de estar em BH", o paulista diz que "Minas é um estado tão importante do Brasil musicalmente, talvez seja o mais importante”. Nessa vinda à capital mineira, ele aproveitou para reencontrar amigos e músicos, entre eles Marilton Borges, com quem esteve no bairro Santa Tereza.
Ele conta que conheceu pessoalmente Milton Nascimento, no início da carreira do expoente do Clube da Esquina, em uma boate de São Paulo. “Ele tocando o violão dele, me mostrando ‘Travessia’”, diz. E ressalta a admiração pelos integrantes do Clube da Esquina. “São meus ídolos mesmo, adoro, adoro.”
ZÉ LUIZ MAZZIOTTI CANTA TOM
Nesta sexta-feira (30/10), às 19h30, no Conservatório UFMG ( Avenida Afonso Pena, 1.534 - Centro). Entrada Franca.
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