Peça 'Mulheres em chama' brinca com as dores e delícias da menopausa
Comédia criada pelas atrizes Camila Raffanti, Juliana Araripe e Miá Mello fica em cartaz no fim de semana no Centro Cultural Unimed-BH Minas
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Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe, atrizes e roteiristas na casa dos 40 anos, desejavam falar sobre menopausa e climatério, abordando o tema como algo normal, longe dos tabus que o cercam. Pensando assim, o trio criou a peça “Mulheres em chamas”, dirigida por Paula Cohen, que estreou em 2025 e chega no próximo fim de semana ao Centro Cultural Unimed-BH Minas.
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A comédia acompanha três mulheres, Lisbela (Miá Mello), Daniela (Camila Raffanti) e Marcela (Juliana Araripe), presas em um elevador por 17 minutos. Sem sinal de celular ou previsão de “resgate”, elas compartilham problemas pessoais, memórias, vida familiar, mudanças no corpo e desejos.
Elevador
O elevador ganha diferentes significados. Pode ser o espaço para que aquelas mulheres, na faixa dos 40, abram o coração. Ou referência ao vaivém hormonal durante a menopausa.
“Pensamos o elevador como o lugar em que mulheres desconhecidas se sentem obrigadas a dividir, porque somos muito individualistas hoje em dia. É muito raro você se abrir em um lugar onde não se sente confortável. Durante a peça, expomos este elevador para o mundo exterior, extrapolando o físico e levando hormônios para sentidos mais surreais”, explica Miá Mello.
O humor ganha destaque, com o “bingo da menopausa” e hormônios que fumam maconha e não querem trabalhar.
“Humor tem a capacidade de abrir a guarda, o assunto entra sem fazer esforço. Isso é muito lindo, é muito democrático, muito fácil. Amo comédia, adoro o gênero, então isso para mim já conta muito. A comédia consegue trazer temas desafiadores para um lugar muito gostoso”, diz a intérprete de Lisbela.
Miá Mello conta que um dos maiores prazeres em trabalhar o tema foram as etapas de pesquisa e aprofundamento. As atrizes leram livros, buscaram referências, conversaram com mulheres e trocaram informações entre si.
No processo de construção do roteiro, Juliana Araripe lidou com os privilégios das três personagens, mulheres brancas cisgênero, casadas e com filhos.
A partir disso, foram criadas realidades diferentes para Lisbela, Daniela e Marcela.
Mãe de pet
“Começamos a pensar no que poderíamos fazer para sair deste lugar em que as três são casadas e mães. Então, decidimos que uma não teria filhos, outra não quis tê-los e a terceria seria mãe de um cachorro. Começamos a inserir os relatos e pesquisas que fizemos, explorando isso nas personagens”, conta a atriz.
Miá se identifica com Lisbela, sobretudo com os traços neuróticos e a mania de querer saber e controlar tudo da personagem. Quando teve os primeiros sintomas de fogacho, a famosa onda de calor, ela pensou ser jet lag, pois acabara de voltar de viagem.
“Tenho muito orgulho, porque a peça é superdivertida. Adolescentes adoram, homens adoram, mulheres, então, nem se fala. Elas vão em grupo e saem de lá querendo sair com as amigas, se divertir. É um prazer imenso. Me dá orgulho saber que, além de tudo, é uma peça com muito propósito”, afirma Miá.
“MULHERES EM CHAMAS”
Comédia dirigida por Paula Cohen. Texto e atuação: Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe. Sexta-feira e sábado (30 e 31/10), às 20h; domingo (1º/11), às 19h. Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Plateia 1: esgotada. Plateia 2: R$ 140 (inteira), R$ 70 (meia), R$ 119 (inteira/sócio MTC e Unimed) e R$ 59,50 (meia/sócio MTC e Unimed). Vendas on-line na plataforma Sympla
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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria