Luiz Carlos Sá estreia na carreira solo às vésperas de completar 81 anos
Cantor e compositor faz show domingo (11/10), em BH, para lançar disco e livro batizados com o nome deu seu maior hit: 'Caçador de mim'
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Começar de novo, aos 81 anos, é libertário. “Minha carreira foi praticamente toda em grupo, em trio (com Zé Rodrix e Guttemberg Guarabyra, entre 1971 e 1973 e 2001 a 2009) e dupla (com Guarabyra, de 1974 a 2025). Agora, posso tocar o que quiser. Mas não que queira esquecer o meu passado”, afirma o cantor, compositor e violonista Luiz Carlos Sá, que atinge a nova idade na próxima quinta-feira (15/10).
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Antes, “estreia” oficialmente na carreira solo com triplo lançamento. Domingo (11/10), no Centro Cultural Unimed-BH Minas, faz a primeira apresentação do show “Eu, caçador de mim”, com sua nova banda. Também promove o lançamento do CD e do livro homônimos, ambos pela Kuarup.
Cidadão de BH
Radicado em Belo Horizonte há duas décadas, o carioca, há cinco anos cidadão honorário da capital mineira, estreia também a chamada Banda de Minas: Christiano Caldas (arranjos, teclados), Ricardo Gomes (baixo), Piero Grandi (violão e guitarra) e Léo Pires (bateria).
“São pessoas com quem eu já tinha uma relação. O Christiano está fazendo novos arranjos, baseados nos já existentes; o Piero, também um carioca que ‘mineirizou-se’, gravou no meu primeiro disco solo; e o Ricardo fez baixo no meu último disco.”
Os ensaios para o show, até o momento, ocorreram de forma virtual. Somente nesta semana Sá vai conhecer pessoalmente o baterista. “Hoje em dia, com a tecnologia, ficou muito fácil. Ainda mais quando você tem uma banda competente. O Léo Pires foi altamente recomendado pela banda e já sei como é a batera dele.”
Sá é autor de centenas de canções. “Na última vez que contei, eram quase 400 editadas”. Uma das mais célebres, “Caçador de mim” tem letra dele (escrita sob influência de “O apanhador no campo de centeio”, clássico romance de formação de J. D. Salinger) e melodia de Sérgio Magrão, do 14 Bis. Foi gravada inicialmente em 1980 pela banda mineira, depois por Milton Nascimento, no álbum homônimo de 1981, e só um ano mais tarde por seu coautor, ao lado de Guarabyra.
O álbum “Eu, caçador de mim” reúne dois lançamentos já disponibilizados parcialmente nas plataformas digitais. “Um deles é ‘Sambas de mato’ (2025), experiência em cima de sambas e de ritmos afro-brasileiros a partir da minha vivência”, diz. A origem em Vila Isabel colocou Sá em contato direto com o samba no início da carreira.
O outro disco reúne novas parcerias com Zeca Baleiro, Chico César, Ivan Lins, Almir e Gabriel Sater, entre outros. “São ‘novos casamentos’ que coloquei em um EP”, acrescenta ele, referindo-se a canções como “Ávida dádiva”, com o compositor paraibano, e “Jabuticaba em flor”, com Gabriel Sater.
“Ele é meu parceiro super frequente, já fizemos umas 30 músicas. Trabalhei muito mais com ele do que com o pai”, diz sobre Gabriel.
Já o livro “Eu, caçador de mim” redunda de parceria que ele mantém com o filho, o jornalista Miguel Sá, editor da revista “Backstage”, dedicada à produção musical. Nos últimos 20 anos, Sá tem enviado crônica semanal para a publicação. “Escrevi sobre o que estava acontecendo comigo, fazendo uma espécie de biografia musical”, conta. Para a edição em livro, Sá reuniu os textos, os reescreveu e colocou em ordem cronológica.
“Tenho origem jornalística. Na ditadura, quando minhas músicas começaram a ser censuradas, me desiludi, achei que aquilo não acabaria. Então, passei a me dedicar ao jornalismo. Trabalhei n'O Sol, jornal-escola onde convivi com Nelson Rodrigues, Zuenir Ventura, Ruy Castro. Tive uma escola jornalística muito forte, então escrever sempre foi natural.”
Antes de se dedicar ao jornalismo, ele se graduou em direito. Também muito conhecida é sua passagem pela publicidade. Foram anos em estúdio e na criação de singles. Um dos mais célebres é “Vem pra Caixa você também”, para a Caixa Econômica Federal.
Mas a música, desde muito, é atividade diária. “Quanto mais parceiros você tem, mais trabalho arruma”, diz Sá, que atua nas duas frentes, letra e melodia. “Por isso, posso ter tantos parceiros letristas quanto melodistas”. O encontro com Zé Rodrix e Guarabyra rendeu grandes canções do rock rural, como “Primeira canção da estrada”, “O pó da estrada”, “Blue riviera” e “Mestre Jonas”.
Outros hits vieram mais tarde, também com Guarabyra. “Roque Santeiro”, “Dona” e “Sobradinho” são desta lavra.
Com Flávio Venturini, Sá compôs várias canções – “Criaturas da noite” é a mais conhecida. “Gosto de dividir as coisas”, conta ele, que mais recentemente tem sido chamado de afro-mineiro pelo senegalês Mamour Bá – assim como Sá, ele também escolheu Belo Horizonte para viver.
Rock rural
O carioca Sá e o baiano Guarabyra se conheceram no Rio, em meados dos anos 1960. Tornaram-se próximos quando o primeiro, recém-separado, deixou o apartamento em que vivia e parou no Jobi, lendário bar do Leblon. Foi ali, entre um chope e outro, que recebeu de Guarabyra o convite para dividir o quarto. Os dois se uniram na música mais tarde, com a chegada de Zé Rodrix (1947-2009). O trio Sá, Rodrix e Guarabyra lançou dois álbuns fundamentais para o chamado rock rural: “Passado presente futuro” (1972) e “Terra” (1973).
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LUIZ CARLOS SÁ
Show, lançamento do CD e do livro “Eu, caçador de mim” (Kuarup, 351 páginas, R$ 70). Neste domingo (11/10), às 18h, no Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos de R$ 63,75 a R$ 220, à venda na bilheteria e na plataforma Sympla.