Criado em 2023 em Piracicaba (SP), o Korean Film Festival, dedicado à produção contemporânea do cinema sul-coreano, se espalhou por outras cidades do Brasil e chega à sua segunda edição em Belo Horizonte, com uma programação que tem início nesta terça-feira (15/9) e segue até domingo, com sessões gratuitas no Cine Santa Tereza.


Serão exibidos, ao longo dos seis dias, oito longas-metragens e oito curtas, além de três filmes da Mostra Especial Anos 1960 da KOFA - Korean Film Archive.


Para abrir a programação, foi selecionado o aclamado "The king's warden" (2026), de Jang Hang-jun. O filme é responsável pela maior arrecadação da história do cinema sul-coreano, somando o equivalente a US$ 95,3 milhões em bilheteria.


Estrelado por Park Ji-hoon e pelo veterano Yoo Hae-jin, o longa acompanha a jornada de um príncipe em exílio durante a dinastia Joseon, mergulhado na tristeza, e sua relação com a comunidade que o acolhe. A trama é inspirada em fatos históricos.


Com exceção dos três títulos da Mostra Especial Anos 1960, todos os filmes foram lançados este ano ou no ano passado. Produtor do Korean Film Festival, Daniel Sobral explica que a atualidade dos títulos é um dos critérios que orientam a seleção.

Outro, ele diz, é o recorte que a cada ano é proposto pelo cineasta, produtor e professor da Escola de Comunicação e Artes da USP Rubens Rewald. O desta edição se ancora em três pilares: identidade, compromisso e afeto no cinema sul-coreano.


VARIEDADE DE GÊNEROS

"São filmes que falam, principalmente, de família, de relacionamentos e de escola. É importante frisar que os temas propostos podem estar presentes em diversos gêneros, do drama histórico, que é o caso do filme que abre a programação em Belo Horizonte, ao terror, representado por 'Ghost game', por exemplo. Todos eles, de alguma forma, abordam questões relacionadas a esse tripé", diz Sobral. Ele destaca que são produções que, em sua maioria, não têm uma representação comercial no Brasil.


"A ideia é que seja uma vitrine do cinema sul-coreano que normalmente não chega até nós", pontua. Sobre a Mostra Especial Anos 1960, ele explica que é uma oferta da cinemateca da Coréia do Sul, que, a cada edição do festival, cede títulos representativos de uma determinada década. Dentro deste recorte, a programação na capital mineira inclui "O cocheiro" (1961), de Kang Dae-jin, "Uma assassina sedenta de sangue" (1962), de Lee Yong-min, e "A mãe e o hóspede" (1961), de Shin Sang-ok.


Além de Piracicaba, São Paulo e Belo Horizonte, outras quatro cidades do país recebem esta 4ª edição do Korean Film Festival - Fortaleza, Salvador, Curitiba e Recife. A programação é diferente para cada uma. Sobral explica que alguns fatores determinam as escolhas, desde a questão dos espaços disponíveis até pedidos do público que acompanha o festival pelas redes sociais. Ele diz que a base se mantém entre Piracicaba e São Paulo - cidades em que é realizada uma mostra competitiva - e que a circulação nacional teve início no ano passado.


MOSTRA EM EXPANSÃO

"Gostamos muito da primeira experiência que tivemos em Belo Horizonte, com o cinema do Sesc Palladium abrigando a mostra, e quisemos incluir a cidade novamente no roteiro deste ano. A prefeitura abraçou a iniciativa e cedeu o Cine Santa Tereza para receber a programação", diz.


Sobre o êxito comercial de "The king's warden" na Coreia do Sul, ele diz que se deve tanto à história que ele recupera – do sexto rei da dinastia Joseon, Danjong, que em 1457 é rebaixado a príncipe e exilado – quanto à sua carga emocional.


"O fenômeno é tão grande que as pessoas começaram a visitar o túmulo desse rei, do qual não se falava muito, para fazer homenagens. O filme fez com que a população sul-coreana quisesse entender quem foi ele. É uma história que não era conhecida e é muito bonita, o público se emociona", diz.


Além do filme de abertura da mostra em Belo Horizonte, outros sucessos fazem parte da programação. É o caso de "No other choice" (2025), de Park Chan-wook, pré-selecionado pela Coreia do Sul como seu representante na edição deste ano do Oscar, que acompanha as ações desesperadas de um homem demitido após 25 anos na mesma empresa.


Outro longa que atraiu muito público foi o romance "Once we were us" (2025), de Kim Do-young, que acompanha um casal dando uma nova chance ao amor, 10 anos depois da separação.

KOREAN FILM FESTIVAL
Desta terça-feira (15/9) a domingo (20/9), no Cine Santa Tereza (Rua Estrela do Sul, 89, Santa Tereza). A programação completa pode ser conferida no site do festival. Os ingressos para todas as sessões podem ser retirados gratuitamente na plataforma Sympla ou na bilheteria do cinema.

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