Teresa Cristina passou quase três décadas cantando pérolas dos mestres do samba. Cartola, Noel Rosa, Zé Keti e tantos outros ajudaram a construir a trajetória da cantora, que agora coloca a própria história no centro da roda. Nesta sexta-feira (14/8), Teresa lança “Tudo que eu tenho”, seu primeiro álbum inteiramente autoral de sua carreira, com 10 faixas.
“É necessário que a gente fale da gente. As coisas foram acontecendo, mas existia urgência dentro de mim de mostrar meu trabalho autoral”, afirma Teresa. Fato curioso é que ela começou a compor em 1996, dois anos antes de começar a cantar profissionalmente, em 1998.
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Em 2015, Teresa chegou a entrar em estúdio para gravar um trabalho inteiramente autoral, mas desistiu. “Fui ‘sequestrada’ por outros projetos”, brinca.
A carioca, de 58 anos, fez carreira voltada à valorização da música brasileira e do samba, com discos e shows dedicados a autores que admira. “Isto sempre me chamou a atenção: poder homenagear os compositores, fazer com que as pessoas prestassem atenção na música brasileira, no samba.”
Mulheres
A autora Teresa Cristina busca ampliar a presença feminina no gênero historicamente associado aos homens, apesar de o samba ter sido levado da Bahia para o Rio de Janeiro por Tia Ciata.
“Na maioria das vezes, a mulher é retratada no samba pelo olhar masculino”, observa. “É extremamente necessário que esse discurso passe a ter viés mais feminino, que a gente fale da gente com menos peso, com menos rancor”, defende, lembrando que, para virar letra de samba na voz de um homem, a mulher, na maioria das vezes, precisa fazê-lo sofrer.
“Por conta disso, urge a necessidade de mais compositoras mulheres. Estando neste lugar de contar nossas próprias histórias, a gente consegue mudar isso”, observa.
A faixa-título “Tudo que eu tenho” foi composta em 2013, período que Teresa considera um marco de transformação no país. Para a cantora, o Brasil atual enfrenta a regressão de valores. “O que tenho para oferecer são as minhas composições”, afirma.
Ela não separa arte e política. “Meu trabalho sempre foi político”, diz. Essa relação vem da própria origem do samba, que nasceu da contestação, enfatiza.
Com produção de Pretinho da Serrinha, o álbum “Tudo que eu tenho” traz parceria especial com Marisa Monte na faixa “Pode acontecer”.
As duas se conhecem desde o início da carreira de Teresa, quando se apresentava na Lapa carioca. Marisa, que sempre incentivou o trabalho da sambista, entregou melodia para ser letrada por ela.
“Ficava com vontade de compor com ela, mas a oportunidade não acontecia. Até que Marisa me deu a melodia e consegui letrá-la a tempo de entrar no álbum.”
Este lançamento abre caminho para nova fase nos palcos. Teresa vai iniciar a turnê de “Tudo que eu tenho” em 19 de setembro, em Salvador. Ainda não há data para Belo Horizonte. “Tô agora nesta ansiedade total”, revela a cantora e compositora.
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“TUDO QUE EU TENHO”
• Disco de Teresa Cristina
• 10 faixas
• Natura Musical
• Disponível nas plataformas
