ARTES CÊNICAS

Palco Giratório oferece espetáculos de vários estados a preço popular

Atrações de teatro e dança ocupam oito espaços na Região Metropolitana, desta sexta (14/8) até o dia 30/8, com ingressos a R$ 20 (inteira) ou entrada gratuita

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Uma criança viciada em telas cai no sono e sonha com seres misteriosos, feitos de areia, que a conduzem por labirintos de olhos e ciborgues. Essa é a premissa do espetáculo teatral de bonecos “HA!”, do Grupo Artilharia de Teatro, em cartaz no Sesc Tupinambás neste sábado (15/8), às 16h.

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A peça integra a programação do Palco Giratório, projeto de incentivo às artes cênicas idealizado pelo Sesc nacional, com início nesta sexta (14/8) e programação que se estende até o próximo dia 30, em diferentes espaços culturais da Região Metropolitana de BH. Os ingressos estão à venda a partir de R$ 20 e há atrações gratuitas. A renda obtida será revertida integralmente para o Programa Sesc Mesa Brasil.


“HA!” mescla dança e teatro de bonecos, a partir do conto “O homem da areia” (1817), de E.T.A. Hoffmann. Dirigida por Eros P. Galvão, a peça usa o realismo fantástico para tratar da dependência em telas, cada vez mais comum em jovens – dados do IBGE revelam que 95% de crianças e jovens são usuários ativos de internet, representando quase 25 milhões de brasileiros.


No conto de Hoffmann, o Homem da Areia é uma figura mítica que joga areia nos olhos das crianças que não querem dormir, fazendo-os sangrar e saltar para fora, para depois roubá-los. Trazendo para o contexto atual, quem cumpre o papel dessa figura são os smartphones, que capturam os olhos e a atenção dos jovens, privando-os de sono saudável e limitando sua visão do mundo real exterior.


É daí que vem o universo onírico que habita os sonhos da personagem de “HA!”. “Diferentemente de um conto ou uma fábula, que chega com um recado moral no final, a peça fica um pouco mais aberta à interpretação das pessoas”, diz o ator e fundador da companhia, Bruno Maracia. Ele manipula os bonecos ao lado de Igor Fonseca e Raniele Barbosa.


“Algumas pessoas entendem que a menina da peça foi abduzida por esse mundo eletrônico e já está totalmente tomada. Outras têm o entendimento que ela teve o sonho como uma espécie de lição de moral. E ainda tem quem acredite que ela foi para um outro espaço. Nós não necessariamente damos uma lição de moral, embora mostremos os impactos e as consequências do uso prolongado das telas”, afirma.


Depois de “HA!”, será encenada “Para Mariela”, do Grupo Sobrevento, no Galpão Cine Horto, às 19h. O espetáculo marca a comemoração dos 40 anos da companhia paulistana que se dedica ao teatro de animação. Ela procura fazer da peça uma reflexão poética sobre imigração, infância e a busca por um mar utópico que simboliza esperança.


Com direção de Luiz André Cherubini e Sandra Vargas, a companhia passou 18 meses visitando escolas, centros de imigrantes, ONGs e organizações vizinhas à sua sede no intuito de descobrir novas histórias. A maioria delas foi contada pelas crianças, muitas imigrantes bolivianas. Os relatos que inspiraram a dramaturgia mostraram que os imigrantes costumam viver temerosos e sem contato social.


Também na programação do Palco Giratório, o Núcleo de Formação em Dança do Sesc em Minas vai apresentar o espetáculo “Humanando”, nesta sexta-feira (14/8), às 20h30, no Sesc Palladium. A performance propõe reflexões sobre o corpo humano e seus processos.


No domingo, o Grupo Sopravento ministra a oficina “Introdução ao Teatro de Objetos”, às 9h, no Galpão Cine Horto. E, às 18h, a Cia Favelinha apresenta “Brinco de Ouro” no Grande Teatro do Sesc Palladium.


No palco, sete bailarinos vestem o estilo da quebrada. Usam bermudas, cropped, óculos Juliet, chapéu bucket e cordões no pescoço. Tudo em tons pastel. Um deles está até com uma balaclava rendada, em alusão à associação equivocada mas recorrente de que práticas criminosas são próprias das favelas.


A performance traça um paralelo entre a história de exploração dos negros no Brasil e as dificuldades enfrentadas hoje pelos moradores das periferias, em sua maioria, negros. Com direção de Léo Garcia, “Brinco de ouro” é uma construção coletiva baseada em movimentos de capoeira, samba, vogue, rebolado e nos populares passinhos de funk.


Os brincos usados pelos bailarinos não são meros acessórios. Eles estão ancorados no contexto histórico do Brasil. Durante o período colonial, negros que se enfeitavam com brincos de ouro eram malvistos. Em 1711, o jesuíta italiano Giovanni Antonio Andreoni escreveu uma carta indignada com a quantidade de joias usadas por algumas ex-cativas. “Muito mais que as senhoras”, comparou.


PROGRAME-SE


• Hoje (14/8)
20h30: “Humanando”, Núcleo de Formação em Dança do Sesc em Minas, no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro)

• Amanhã (15/8)
16h: “HA!”, do grupo Artilharia Cênica, no Sesc Tupinambás (Rua dos Tupinambás, 908, Centro)
19h: “Para Mariela”, do Grupo Sobrevento, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto)

• Domingo (16/8)
9h: Oficina: “Introdução ao Teatro de Objetos”, com Grupo Sobrevento, no Galpão Cine Horto
18h: “Brinco de Ouro”, da Cia Favelinha, no Sesc Palladium

• 17 de agosto (Segunda-feira)
14h: “Dandara”, de Arte Sintonia Companhia de Teatro, no Teatro Francisco Nunes (Av. Afonso Pena, 1.321, Centro)

18h: Mesa: “Cena Infinita: como discutir temas tabus na infância?”, no Auditório Álvaro Apocalypse da Escola de Belas Artes da UFMG, na Pampulha

• 18 de agosto (Terça-feira)
9h: Diálogo: “Experiências Cênicas de Encantamento”, no Auditório Neidson Rodrigues da Faculdade de Educação da UFMG, na Pampulha

14h: “No armário não cabe ninguém”, de GPeTI, no Teatro Marília (Av. Prof. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia)

19h: “Espetáculo infinito”, de Márcio Fidelis Cia de Dança, no Sesc Palladium

20h: “Intercâmbio”, de Márcio Fidelis Cia de Dança e Lá da Favelinha/BH, no Sesc Palladium

• 19 de agosto (Quarta-feira)
9h: Discussão: “Limiares do Teatro para a Infância”, no Auditório Neidson Rodrigues da Faculdade de Educação da UFMG, na Pampulha

14h30: “Sancho Pança”, de Palhaço Piruá, no Teatro Marília

19h: Oficina: “Práticas Culturais Acessíveis e Inclusivas para as Infâncias”, no Galpão Cine Horto

• 20 de agosto (Quinta-feira)
9h: Bate-papo: “Palhaçaria para as Infâncias”, no Auditório Neidson Rodrigues da Faculdade de Educação da UFMG, na Pampulha

14h30: “Frankinh@ – uma história em pedacinhos”, do Coletivo Gompa, no Sesc Palladium

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PALCO GIRATÓRIO
Espetáculos de teatro e dança, oficinas e debates. Desta sexta (14/8) a 30/8, em diferentes espaços culturais de Belo Horizonte. Ingressos e programação completa no site do Sesc

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