Festival Música do Mundo começa hoje com homenagens a Milton Nascimento
Três Pontas recebe até domingo (16/8) evento inspirado no 'Woodstock mineiro', criado em 1977 por Bituca. Wagner Tiso, Chico Chico e Nando Reis se apresentarão
Wagner Tiso no 1º Festival Música do Mundo, em 2009. Esta semana, o compositor, maestro e multi-instrumentista volta a Três Pontas, onde nasceu, para se apresentar no evento e participar da tradicional serenata realizada por sua família no cemitério da cidade crédito: Didi Rodrigues/Esp. EM/D.A Press/2009
Em setembro de 2009, a cidade de Três Pontas, no Sul de Minas, recebeu a primeira edição do Festival Música do Mundo. A ideia era resgatar o “Woodstock mineiro”, como o “Show do Paraíso” ficou conhecido. Explica-se: em 1977, Milton Nascimento organizou uma espécie de festival na Fazenda Paraíso, na cidade onde foi criado, com apresentações de Chico Buarque, Clementina de Jesus (1901-1987), Gonzaguinha (1945-1991), Fafá de Belém, Francis Hime, Wagner Tiso e Beto Guedes, entre outros.
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O evento de 2009 ficou marcado pelo amadorismo, embora tenha contado com artistas de grande calibre, como Tom Zé, Ivan Lins, Wagner Tiso e o próprio Milton Nascimento. Os dois últimos, aliás, foram os homenageados e curadores do festival.
Pastel e crepe
“Colocamos só uma barraca de pastel e outra de crepe para o público. Obviamente, acabou tudo”, lembra a jornalista e produtora cultural Maria Dolores, idealizadora do Música do Mundo, que foi o primeiro evento organizado por ela.
Hoje, reconhece, a edição pioneira do festival deixou muito a desejar em relação à estrutura. “As pessoas só não ficaram bravas porque foram shows emocionantes”, diz.
Nesta quarta-feira (12/8), o Música do Mundo volta à cidade onde Bituca cresceu e Wagner Tiso nasceu. Desta vez, com profissionalismo. A programação se estenderá até domingo (16/8), com atividades educativas, cortejos de fanfarras, saraus, circuito musical de bares, teatro infantil e, claro, música.
Chico Buarque e Milton Nascimento no 'Woodstock mineiro' Clóvis Fotografia/divulgação
O festival começa com a oficina de literatura “Transforme sua ideia criativa em realidade”, na Faculdade de Três Pontas (Fateps).
Na quinta-feira (13/8), haverá circuito de gastronomia, cultura, moda e negócios, além de sarau. Sexta-feira será dia de cortejo de fanfarra, bate-papo sobre a vida e obra de Milton Nascimento, circuito musical de bares e “Serenata dos Tiso”, com participação de Wagner Tiso, no Cemitério Municipal.
Os shows estão marcados para sábado (15/8), no aeroporto da cidade. Estão confirmados Beto Guedes, Nando Reis, Chico Chico, Banda Saideira e Ânima Minas. “Todos vão fazer homenagem ao Milton”, diz a idealizadora do evento.
“Isso faz parte do fio condutor e do conceito do projeto. Mesmo não sendo artistas do Clube da Esquina (com exceção do Beto), eles vão fazer essa homenagem. Foi combinado com cada um”, explica Dolores.
O palco vai trazer novamente o cenário de 2009, a reprodução da Serra de Três Pontas, concebida de forma que a estrutura pareça localizada dentro da própria serra. É também referência à capa de “Geraes”, disco de Bituca que completa 50 anos em 2026. O desenho feito pelo próprio músico acabou se popularizando em estampas de camisetas e adesivos de carros.
Este ano também marca as duas décadas do lançamento do embrião do festival, a biografia “Travessia: A vida de Milton Nascimento”, da própria Maria Dolores. “Comecei o projeto do livro em 2002 e terminei em 2006. Tive proximidade muito grande com o Milton, foi tão bom que eu e meu marido – que não era produtor cultural, mas advogado – quisemos montar o festival”, ela lembra.
Depois da estreia do Música do Mundo em 2009, o festival se repetiu anualmente até 2016, mas sempre com problemas de infraestrutura e falta de verbas. Boa vontade não faltava. Milton participou de todas as edições, mas, a certa altura, o evento se tornou insustentável.
Retomada em 2023
A retomada ocorreu em 2023, quando a Lei Rouanet aumentou o percentual de isenção fiscal para patrocinadores. Desde então, Maria Dolores trabalhou para que Bituca estivesse novamente no festival. Em 2025, contudo, veio a público a informação de que ele tem demência por corpos de Lewy, que afeta a memória, o movimento e o comportamento.
“Além de grande parceiro do festival, ele foi um grande incentivador”, conta Dolores. “Quando começamos a pensar na retomada, a ideia foi a mesma de sempre: contratar um show dele e ver se ele topava. Imagino que toparia, porque abraçou todas as edições do projeto. Mas com a notícia do ano passado, a gente viu que não tinha a menor possibilidade.”
Há 49 anos, público lotou a Fazenda Paraíso, em Três Pontas Clóvis Fotografia/divulgação
Vídeo
Bituca sabe da homenagem, garante a produtora do festival. “A gente falou com o Augustinho (Nascimento, filho e empresário de Milton) e a irmã dele. Quando terminar o festival, vamos enviar o vídeo para ele assistir”, diz.
Música do Mundo termina no próximo domingo com concerto da Orquestra Oswaldo Tiso, pela manhã. No repertório, as canções eternizadas pela voz mais poderosa do Clube da Esquina.
Desta quarta-feira (12/8) até domingo (16/8), na Faculdade de Três Pontas, Castelinho Café, Casa daCultura Alfredo Benassi, Cemitério Municipal e aeroporto de Três Pontas, no Sul de Minas. Ingressos: R$ 144 (pista B, inteira), R$ 216 (pista A, inteira) e R$ 598 (lounge gastronômico com serviço de bufê). À venda no site loja.easytick.com.br. Programação completa no Instagram (@festivalmusicadomundo).