Julia Guedes estreia em disco com ‘Álbum vermelho’
Cantora e compositora assina 11 das 12 faixas do trabalho, que aborda o processo de romper barreiras e ampliar pontos de vista
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Com “Álbum vermelho” (Dobra Discos), já disponível nas plataformas digitais, a cantora, compositora e multi-instrumentista Julia Guedes faz sua estreia em disco. Bisneta de Godofredo Guedes, neta de Beto Guedes, sobrinha de Ian Guedes e filha de Gabriel Guedes e da compositora Naissa Rajão, a artista assina 11 faixas do trabalho. “A página do relâmpago elétrico” (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) completa o álbum.
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“Meu avô Beto sempre gravava uma música do meu bisavô Godofredo como sendo a última de seus álbuns. Era uma homenagem que prestava ao pai e é uma tradição que pretendo continuar”, comenta. “Nesse caso, a última faixa desse meu álbum é a primeira do álbum homônimo do meu avô Beto, lançado em 1977.”
Wagner Tiso assina o arranjo de cordas de “Zóim”, Beto Guedes toca guitarra em “Vermelho sem nome”, Gabriel Guedes responde pelo bandolim na já citada “A página do relâmpago elétrico”, Luiza Brina produz e arranja “Sus mareas”, a cantora e compositora Tori participa de “Estranha nuvem” e divide a composição da faixa e integra os coros do álbum ao lado de Dora Morelenbaum.
A produção musical é da própria Julia, ao lado de Antonio Neves, com coprodução de Paulo Emmery. “Esse disco tomou muito tempo, desde o momento em que decidi que iria realizá-lo até o momento no qual estou lançando. Isso aconteceu devido a muitos fatores, a começar pela viabilidade, porque é caro gravar um álbum. Tentei editais e gravadoras, mas, no final, optei pelo financiamento coletivo, que foi a alternativa que me deu autonomia sobre quando e onde gravar”, afirma a artista.
Ela conta que foi para o Rio de Janeiro com a promessa de um produtor de que fariam o trabalho juntos, “Porém, ele simplesmente desapareceu”, lamenta Julia. “Aconteceu que acabei ficando por lá, porque me entrosei com a cena musical local. O pessoal foi me chamando para fazer coisas e tudo foi fazendo sentido. Fui compondo, sendo influenciada por outra atmosfera”, conta.
Nesse contexto, segundo Julia, o álbum “reflete um bocado sobre essa necessidade de sair, de transgredir as próprias barreiras e até a própria visão da realidade, porque cresci nesse meio musical maravilhoso do Clube da Esquina”.
Ela avalia que existe uma responsabilidade e uma pressão para dar continuidade ao legado do movimento musical mineiro, algo que, hoje em dia, ela aprecia e abraça, mas que, em outro momento, foi opressor para ela. “Ainda mais em um contexto majoritariamente masculino. Em Minas Gerais ainda existem vários espaços que são difíceis de se conquistar como mulher. Não à toa, sou a primeira mulher de cinco gerações da minha família a me colocar como compositora e instrumentista”, afirma.
Nome do álbum
“Foi importante eu ir para o Rio de Janeiro para conseguir ampliar meu campo de visão da realidade e me capacitar também”, diz. “Essas músicas refletem essa jornada e o nome do álbum vem dessa necessidade de transgredir, dessa urgência, desse fogo, dessa coisa do movimento e da revolução e também do fato de eu ser multiartista.”
Julia está se graduando em design gráfico pela UFMG, assina a direção criativa, direção de arte, design gráfico e todos os desenhos manuais do álbum. “As coisas nascem em minha cabeça de forma sinestésica, as músicas já vinham com uma atmosfera vermelha, então o nome do álbum faz essa amarração, do discurso poético, com o discurso sonoro, com o discurso imagético, paisagístico...”
Ao comentar as faixas de seu álbum, Julia diz que “Vermelho sem nome” é um rock, com o qual traduz esse rompante inicial de que a cidade ficou pequena para ela. “'Gata do mato’ é uma música que fala mais sobre ir atrás do próprio desejo e é um cenário. Gosto muito de usar a música como recurso literário e de inventar personagens ousados, corajosos”, diz.
“Já ‘Chuva e sol’ fala sobre a dubiedade do medo e da coragem”, explica a artista. “Esse é um assunto que trato muito. O medo é um sentimento mais vulnerável, mas também pode lhe dar muita força. Reflito muito sobre os atravessamentos da vida, como as coisas se acumulam e se atravessam, não se excluem à contradição. Falo muito sobre o sonho também, sobre fantasia. Tem uma música que fiz para o meu avô Beto que se chama ‘Notas de avião’, na qual traço esse paralelo da história da minha família com a história com a música. É uma homenagem para ele.”
Julia Guedes fará o show de lançamento de “Álbum vermelho” no próximo dia 20, no Cine Theatro Brasil.
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“VERMELHO”
Disco de Julia Guedes
Dobra Discos
12 faixas
Disponível nas plataformas digitais