Mônica Salmaso declara seu amor a Elizeth Cardoso com álbum e show em BH
Cantora se apresenta neste sábado (15/8) no Sesc Palladium, com ingressos esgotados, e lança disco em homenagem à Divina e ao choro
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Divina na obra, escola da música brasileira. Divina também na vida pessoal, de luta constante e busca por independência numa época em que mulher tinha de pedir licença. A cantora Elizeth Cardoso (1920-1990) vem sendo celebrada pela mais cultuada voz feminina dos nossos tempos.
Mônica Salmaso está hoje (15/8) em Belo Horizonte para show no Sesc Palladium. Será a estreia do álbum “Senhora das canções – Um tributo a Elizeth” (Biscoito Fino), lançado nesta semana nas plataformas e em CD, diga-se. Com ingressos esgotados há dias, a apresentação deste sábado, que será filmada, reúne um time de bambas.
O grupo é formado por Luciana Rabello (cavaquinho), Mauricio Carrilho (violão de sete cordas), Paulo Aragão (violão, direção musical e arranjos), Teco Cardoso (flautas), Nailor Proveta (clarinete), Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn), Magno Julio e Marcus Thadeu (percussões).
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À exceção de Cardoso, parceiro de vida e de música de Mônica, e de Proveta, os demais integram a Casa do Choro. O espaço, fundado há 27 anos no Rio de Janeiro, é mantido por músicos, produtores e artistas que atuam na preservação e divulgação do choro. A partir dele nasceu a Escola Portátil de Música, que soma 20 mil alunos em longo de duas décadas e meia. Outro fruto é a Orquestra Portátil, que reúne professores e alunos da Casa do Choro.
Pois a gênese de “Senhora da canção” está neste grupo. Em 2019, já pensando no centenário de Elizeth, Mônica conversou com Paulo Aragão sobre a possibilidade de um show em torno da obra dela. Foi do arranjador e compositor a ideia de chamar o Clube do Choro, a partir de Luciana Rabello e Mauricio Carrilho, que tocaram com a Divina, como a cantora ficou conhecida.
No início de 2020, Mônica foi para o Rio ensaiar com o grupo. “Os ingressos estavam vendidos e, no último ensaio, chegou a notícia de que todos os lugares tinham fechado por causa da pandemia. Enfiei a viola debaixo do braço e voltei para São Paulo, triste da vida e muito assustada”, relembra. Naqueles tempos, houve a versão remota do show, com cada qual tocando de casa, para que o centenário da Divina não passasse em branco.
Efetivamente, a estreia só ocorreu em 2022. “(Originalmente) Seriam três shows. Ninguém pediu o dinheiro de volta. As pessoas esperaram quase três anos até a gente conseguir fazer o show”, continua Mônica. Naquela altura, Aquiles Moraes não poderia tocar. Foram chamados Proveta e Cardoso. “Na última hora, o Aquiles pôde. Fizemos então o trio, uma orquestra de sopros absolutamente surreal.”
O repertório cresceu. Além das canções de Elizeth, foram incluídas composições de Carrilho e Luciana com letras de Paulo César Pinheiro, como “Nossa Senhora do silêncio” (de onde foi tirado o verso “Senhora das canções”, que dá título ao disco), bem como “Oxaguiã”, “Choro de Xangô” e “De bem com o amor”.
Foram adicionadas ainda músicas do repertório de Isaurinha Garcia (1923-1993), cujo centenário estava próximo. O grupo voltaria ao repertório ainda outra vez, no Teatro Ipanema, em curta temporada.
“O show estava tão quentinho que a gente resolveu entrar no estúdio e gravar”, afirma Mônica. Foi assim mesmo: as 16 canções do álbum foram registradas ao vivo, em uma só sessão. “Para não perder os arranjos feitos para o trio de sopros, o Teco e o Proveta gravaram depois, em uma sessão extra.”
Somente agora o grupo completo retorna aos palcos. “O trabalho celebra um encontro muito amoroso com essas músicas a partir da homenagem à Elizeth”, acrescenta. Para Mônica, “é necessário passar” pela cantora quando se fala em música brasileira.
“Confesso que entendi o tamanho e a importância da obra quando fui pesquisar para o show. O repertório dela é muito grande, eu já tinha cantado uma coisa ou outra, ainda mais porque ela inaugurou a bossa nova com ‘Chega de saudade’.”
Vestido longo
A lembrança vívida que Mônica tem de Elizeth é de 40 anos atrás. Em 1986, a Divina foi convidada de “Chico e Caetano”, série que a Rede Globo exibiu na época.
“Lembro-me da aparição dela, que chegou de longo. Era uma dama, todos a olhavam com enorme respeito e reverência. Eu nem era cantora, só depois fui entendendo quem ela era”, conta.
Descoberta em seu aniversário de 16 anos, quando Jacob do Bandolim a ouviu cantar em casa, Elizeth deslanchou na década de 1940. Em 1958, quando lançou o álbum “Canção do amor demais”, que trazia criações de Tom Jobim e Vinicius de Morais, ouviu-se, pela primeira vez, a batida do violão de João Gilberto que marcou o início da bossa nova.
Desse disco, Mônica gravou duas de Tom e Vinicius: “Canção do amor demais” e “Janelas abertas”. O tributo passa por várias fases da carreira da cantora, incluindo sambas, sambas-canções e até mesmo música de autoria da própria Elizeth Cardoso, “Se as estrelas falassem”.
“Este é o meu olhar sobre Elizeth, sobre o choro. Ao jogar luz em algum lugar do canto brasileiro, espero despertar a vontade das pessoas de irem atrás de todo o resto”, finaliza Mônica Salmaso.
“SENHORA DAS CANÇÕES – UM TRIBUTO A ELIZETH”
• Álbum de Mônica Salmaso
• Biscoito Fino
• 16 faixas
• Disponível nas plataformas digitais e em CD
• R$ 61,76
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MÔNICA SALMASO
Show “Senhora das canções”. Neste sábado (15/8), às 20h30, no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos esgotados