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Estado de Minas TEATRO

Trajetória de Elizeth Cardoso é lembrada em peça transmitida ao vivo de SP

Izabella Bicalho interpreta a carioca que foi pioneira da bossa-nova e primeira cantora popular a se apresentar no elitista Teatro Municipal do Rio de Janeiro


17/04/2021 04:00 - atualizado 16/04/2021 20:53

"Elizeth, a divina", peça estrelada por Izabella Bicalho, ganhou versão on-line que será apresentada neste sábado (foto: Aline Macedo/divulgação )

Mulher à frente de seu tempo, Elizeth Cardoso (1920-1990) foi a primeira cantora popular a se apresentar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Deu oportunidade ao iniciante Paulinho da Viola e ao veterano Cartola, ganhou músicas de Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Ary Barroso. Seu disco “Canção do amor demais”, lançado em 1958 e considerado o marco inicial da bossa nova, trazia o violão inconfundível de João Gilberto.

A trajetória da artista carioca inspirou o espetáculo on-line “Elizeth, a divina”, que será apresentado ao vivo neste sábado (17/4), diretamente do Teatro J. Safra, em São Paulo. Izabella Bicalho, autora do texto, interpreta a cantora.

“Elizeth foi uma guerreira do amor, mulher empoderada quando ainda nem sonhávamos em falar disso. Mergulhar no universo dela é penetrar no melhor da música brasileira”, afirma a atriz e dramaturga. “Por mais de quatro décadas, Elizeth se manteve em sintonia com os movimentos artísticos, atualizando-se e se reinventando como artista”, ressalta.

 A trama se passa no camarim do Teatro João Caetano, numa tarde de verão, quando forte chuva inundou o Rio de Janeiro. Lá dentro estão Elizeth, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim, o grupo Época de Ouro, Hermínio Bello de Carvalho (idealizador do espetáculo) e a jornalista Eneida de Moraes.

“Todos estão apreensivos com a possibilidade de cancelamento do show devido às inundações. Nas conversas de camarim, memórias vêm à tona e momentos íntimos da cantora vão sendo revelados ao público”, conta Isabella Bicalho. O repertório traz clássicos da MPB, além de sucessos compostos para ela por Ary Barroso, Cartola e Vinicius de Moraes, entre outros.

Timbre especial

“A força poética transborda por meio da música, do humor, da elegância e do carisma de Elizeth Cardoso”, comenta Izabella, ressaltando a voz e o timbre especial da cantora, cujo centenário de nascimento foi lembrado em 2020.

“É um projeto meu, do coração. Fiquei super-honrada em conseguir os direitos para poder homenageá-la, porque a gente, enquanto artista neste país tão sem memória, precisa exercitar a mente das pessoas”, defende.

Além de buscar subsídios na biografia “Elizeth Cardoso, uma vida”, escrita por Sérgio Cabral, Izabella pesquisou o acervo da cantora, adquirido pelo Instituto Moreira Salles. Outra referência foram os depoimentos de amigos dela, como o produtor e compositor Hermínio Bello de Carvalho, e do neto Paulo César.

A peça é dirigida por Sueli Guerra, com supervisão de João Fonseca. Tony Lucchesi assina a direção musical. O projeto surgiu em 2016 e estreou em 2018, no Rio de Janeiro, com sessões no Maison de France, na casa de espetáculos Imperator e no teatro do Shopping da Gávea.

Izabella Bicalho conta que a temporada carioca obteve boas críticas e atraiu o público. “As pessoas estavam com vontade de prestigiar um trabalho em homenagem a Elizeth. O boca a boca fluiu, as pessoas falaram muito bem do espetáculo.” Esse desempenho viabilizou a temporada paulistana. “Conseguimos patrocínio, mas aí veio a pandemia e parou tudo”, lamenta a dramaturga e atriz.

A saída foi adaptar o projeto ao formato on-line. “Neste sábado, faremos apresentação ao vivo diretamente do teatro, com quatro atores e três músicos tocando piano, baixo e bateria”, informa. Além de Izabella Bicalho, a equipe reúne os intérpretes Cilene Guedes, Jefferson Almeida e Dennis Pinheiro. A banda é formada por Tony Lucchesi, Pedro Henning e Thiago Faria.

TESTE 
Fechar o repertório não foi nada fácil. “Elizeth foi a cantora que mais gravou LPs no Brasil, e todos eles são lindos. Fiz uma pequena pesquisa, montei um show e fui testando as canções de que mais gostava. A partir da (reação da) plateia, fiz a seleção. Daqueles milhões de músicas, tirei umas 30”, diz Izabella.

O repertório final apresenta 24 canções, interpretadas por ela e pelos outros atores. “Não é um show, é uma peça de teatro”, explica a atriz, avisando que a trilha sonora, “100 anos de Elizeth Cardoso”, está disponível na plataforma Spotify.

“ELIZETH, A DIVINA”
Neste sábado (17/4), às 20h, com transmissão direta do Teatro J. Safra, em São Paulo. R$ 40. Link para compra: https://www.eventim.com.br/artist/elizeth-adivina/

Elizeth Cardoso se destacou como intérprete do choro e do samba-canção(foto: Mila Petrilo/Arquivo CB/D.A Press)
Elizeth Cardoso se destacou como intérprete do choro e do samba-canção (foto: Mila Petrilo/Arquivo CB/D.A Press)

REPERTÓRIO

APELO
De Vinicius de Moraes e Baden Powell

AS PRAIAS DESERTAS
De Tom Jobim

BARRACÃO DE ZINCO
De Luiz Antonio e Oldemar Magalhães

CAMARIM
De Cartola e Hermínio Bello de Carvalho

CANÇÃO DA VOLTA
De Antônio Maria e Ismael Neto

CANÇÃO DE AMOR
De Elano de Paula e Chocolate

CANÇÃO DO AMOR DEMAIS
De Vinicius de Moraes e Tom Jobim

CARINHOSO
De Pixinguinha

CHÃO DE ESTRELAS
De Orestes Barbosa e Sílvio Caldas

CIDADE VAZIA
De Baden Powell

É LUXO SÓ
De Ary Barroso

FEITIÇO DA VILA
De Noel Rosa

INGÊNUO
De Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho

ISSO AQUI É O QUE É
De Ary Barroso

JAMAIS
De Jacob do Bandolim

LEVA MEU SAMBA
De Ataulfo Alves

MANHÃ DE CARNAVAL
De Luiz Bonfá e Antônio Maria

MEIGA PRESENÇA
De Otávio de Moraes e Paulo Valdez

MULATA ASSANHADA
De Ataulfo Alves

NAQUELA MESA
De Sergio Bittencourt

NOSSOS MOMENTOS
De Luiz Reis e Haroldo Barbosa

OLHOS VERDES
De Vicente Paiva

SERENATA DO ADEUS
De Vinicius de Moraes

TODO SENTIMENTO
De Chico Buarque e Cristóvão Bastos


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