LITERATURA

Paula Gicovate fala sobre amor, luto e família no Sempre Um Papo

Escritora lança "Como navegar o abismo" em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (12/8); em entrevista, ela conta como a perda da mãe inspirou novo romance

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Paula Gicovate sempre quis ser escritora. Quando criança, enquanto colegas diziam que queriam ser astronautas, cantoras ou bailarinas, ela já inventava histórias. Como ainda não sabia escrever, ditava os textos para o avô, que colocava tudo no papel. 

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Anos depois, ao voltar à cidade onde nasceu (Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro), após a morte da mãe, Paula reencontrou as primeiras histórias e percebeu que já escrevia sobre os temas que continuam presentes em sua obra: amor e família. “Acho que desde que comecei a inventar histórias, estou falando de amor e família”, afirma.

É sobre esses assuntos, agora atravessados pelo luto, que a escritora e roteirista conversa nesta quarta-feira (12/8), na Biblioteca Pública Estadual de Belo Horizonte. Paula participa do Sempre Um Papo, com mediação da jornalista Jozane Faleiro, para o lançamento de "Como navegar o abismo" (Record). O encontro será às 19h, com entrada gratuita.

No romance, Paula conta a história de Nara, uma chef de cozinha premiada, que tem a vida transformada quando a mãe é diagnosticada com câncer de pâncreas. Ela deixa o trabalho, o namorado e o Rio de Janeiro para voltar à cidade natal e cuidar da mãe. 

A história tem relação com uma experiência vivida pela autora. Paula perdeu a mãe em 2022, vítima de câncer de pâncreas. Ela sabia que queria escrever sobre a perda, mas esperou dois anos antes de começar o romance.

“Eu sabia que, em algum momento, assim que eu conseguisse, eu ia precisar escrever sobre essa experiência de nascer de novo do lado avesso, essa nova pessoa que a gente se torna quando perde alguém”, explica. “Eu precisava do meu tempo antes de transformar isso numa história de ficção. Eu perdi a minha mãe, uma versão minha morreu. Então, quem que eu virei?”, indaga. 

Nara precisa reorganizar a própria vida depois da morte da mãe e, ao mesmo tempo, passa a conhecer melhor a relação entre a mãe e a avó. A partir dessas três gerações de mulheres, Paula também questiona a ideia de que o vínculo familiar garante uma relação de afeto. “Nem toda mãe é incrível, nem o sangue obriga o amor”, afirma.

O interesse pelas relações humanas também aparece nos outros trabalhos de Paula. Ela é autora de "Este é um livro sobre amor" e "Notas sobre a impermanência", romance semifinalista do Prêmio Oceanos em 2022. 

Em "Como navegar o abismo", ela olha para o tema por outro prisma. “Eu acho que é a primeira vez em que eu não falo do amor desse lugar de gente desgraçada da cabeça pelo desejo”, diz. 

“O leitor é o oposto de solidão. Se a gente está lendo, a gente não está mais sozinha. Essa história que eu criei aqui nesses dois anos, sozinha em casa, ruminando tudo que foi isso, faz sentido para mais alguém. Eu não estou sozinha”, comenta. 

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Sempre Um Papo com Paula Gicovate

Lançamento de "Como navegar o abismo". Nesta quarta-feira (12/8), às 19h, na Biblioteca Pública Estadual de Belo Horizonte (Praça da Liberdade, 21). Entrada gratuita, por ordem de chegada, sujeita à lotação do espaço.

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