O que quer uma garota? Esta pergunta tem várias respostas. Muitas delas começam a ser respondidas neste sábado (1º/8), quando entra no ar o primeiro episódio da série “Girls just wanna have”. Com a canção de Cyndi Lauper como mote, a produção mostra um mundo de vontades e realizações. As garotas querem tudo – e se divertir também, como prega a música.


O projeto, encabeçado pelo diretor Rodrigo Giannetto, é uma série documental com mulheres de vários lugares do mundo. Vai estrear em plataforma própria, gratuita (girlsjustwannahave.com), com piloto gravado em Londres. Na sequência, uma vez por mês, estreiam episódios realizados em Brasília e na Sicília, Itália.



A intenção é ir longe, diz Rodrigo Giannetto. “A ideia é fazer um mapa mundial, agregar mais cidades e apresentar mulheres com histórias maravilhosas. Por termos plataforma própria, queremos proporcionar outras experiências além da série. Seria um espaço para que outras mulheres possam se conectar também”, diz o diretor.



Giannetto inicia a produção de outros episódios em Barcelona, na Espanha, Bolívia e em Tóquio, no Japão. “A experiência em Londres me encorajou a fazer em outras cidades. Londres é totalmente contrastante com a realidade de Brasília, que é diferente da Itália. Mas eu mesmo não sabia bem com que cenários ia me deparar. Como é um trabalho independente, escolhi os lugares onde tinha algumas conexões, pois precisava dessa facilidade.”


Diferentes personagens revelam para a câmera um pouco de suas trajetórias. Em Londres, conhecemos a lutadora polonesa de MMA Kate Bacik, a cantora e contrabaixista inglesa Chevelle e a tatuadora brasileira Deni Balbino, especializada em tatuagem japonesa.



Cada uma fala de sonhos, dificuldades de se estabelecer na carreira, de como é viver numa cidade tão cosmopolita (e cara), das conquistas que tiveram. Deni, que na época das filmagens somava 16 anos morando fora (já voltou a viver em São Paulo), comenta o desafio que a série lhe trouxe.


“Tenho dificuldade de falar para a câmera, mas percebi o quanto isso é importante, pois não estava só representando a mulher na tatuagem, ramo bem masculino, mas também os imigrantes em Londres. Fui para lá com 21 anos, não falava inglês. Fiz vários tipos de trabalho, até limpar banheiro em estádio de futebol. Estou tatuando há 10 anos, mas foi uma jornada de muita luta até realizar meu sonho”, diz Deni.


Natiruts e medalha de bronze


O episódio em Brasília contou com a cantora Izabella Rocha, uma das fundadoras da banda Natiruts, e da judoca Keytlen Quadros. Esta última, com o bronze nos Jogos de Pequim, em 2008, se tornou a primeira mulher medalhista em esportes individuais na história do Brasil nas Olimpíadas.


“Até hoje não sei responder se escolhi o judô ou se foi ele que me escolheu. Como era um esporte majoritariamente masculino, quando iniciei não tinha nem meninas”, conta Keytlen, que se identificou rapidamente com várias participantes da série.


“Sou natural de Brasília, que já tem uma diversidade cultural. Esporte é diversidade e inclusão. Ele acaba nos desenvolvendo para aceitar os espaços e centralizar nossos valores. A série tem tudo a ver com isso. Além do mais, na minha família, sou rodeada de mulheres muito fortes”, finaliza Keytlen.


“GIRLS JUST WANNA HAVE”


• A série documental estreia neste sábado (1º/8), na plataforma www.girlsjustwannahave.com, com o episódio gravado em Londres. Episódios na Sicília e em Brasília serão lançados, respectivamente, em 1º de setembro e 1º de outubro.

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