'Homem-Aranha: Um novo dia' é o melhor filme de HQ dos últimos anos
Longa estrelado por Tom Holland, que estreia nas salas de BH, conta uma boa história e, com maestria, leva o universo dos quadrinhos para o cinema
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No mundo do cinema americano, muita gente gosta de provocar Robert Downey Jr. com piadas por ele ter feito o papel de Tony Stark em nove filmes diferentes. Mas, ao que parece, em pouco tempo Tom Holland deverá tirar esse recorde do colega.
Chega ao circuito o sétimo longa que traz Holland como Peter Parker, “Homem-Aranha: Um novo dia”. Este é o quarto filme dele que tem o herói como protagonista. Devem ser somados à lista duas produções dos Vingadores e “Capitão América: Guerra civil” (2016), quando o inglês estreou como o escalador de paredes.
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A habitual ansiedade dos fãs por mais um filme do personagem tem justificativa para ser muito maior desta vez. A trama encontra o Homem-Aranha numa situação inédita. Na aventura anterior, o Doutor Estranho fez um de seus feitiços para retirar da memória de todos a figura de Peter Parker.
Motivado pelos problemas enfrentados quando o mundo descobriu a identidade do Homem-Aranha, o pedido ao colega feiticeiro afetou também as pessoas mais próximas a Parker: o nerd Ned Leeds (Jacob Batalon), seu melhor amigo, e, numa situação mais dolorosa, a namoradinha, Mary Jane (Zendaya).
Assim, nos anos seguintes ele foi apenas o Homem-Aranha, trabalhando em tempo integral para prender bandidos e enfrentar ameaças em geral. Passou a caminhar pelas ruas de Nova York agradecendo o carinho da população sem que ninguém sinta falta de Peter Parker.
Acertos e erros
Um novo roteiro poderia oferecer liberdade total e ambientar o Aranha em situações totalmente diferentes, explorando novos personagens e tramas. Mas a ideia escolhida vai na contramão. “Um novo dia” vai buscar seu enredo justamente na tentativa de reaproximação do herói a seu antigo mundo.
Ao fazer essa opção, o filme tem acertos e erros. Mas o saldo é bem positivo. Porque aqui está, finalmente, um bom roteiro baseado em quadrinhos. Chris McKenna e Erik Sommers escreveram os quatro filmes da fase da franquia estrelada por Holland, mas apenas neste último demonstram destreza ao misturar três linhas narrativas diferentes.
Parker se dedica a três embates. Primeiro, curar sintomas físicos que apontam para um estresse, o que seria compreensível para quem enfrenta supervilões todos os dias. Depois, combater um inimigo complexo, capaz de ocupar as mentes humanas. E, por fim, ter de reencontrar a amada Mary Jane, que não mais o reconhece, e não poder contar a verdade a ela sobre o passado dos dois.
Mais uma vez, a jornada do Aranha terá convidados especiais escolhidos entre o cast da Marvel. A produção acerta ao não eleger os heróis mais caretões, como Thor ou Capitão América. Entram na história alguns tipos mais problemáticos, um tanto bad boys. E até uma bad girl.
Ao perceber que está passando por uma alteração de DNA, que provoca em seu corpo o surgimento de novos poderes e muitas dores, Parker procura ajuda do agora professor universitário Bruce Banner (Mark Ruffalo), o que joga o Hulk na trama.
Outro herói atormentado a dar as caras é o Justiceiro, interpretado pelo bom Jon Bernthal, o último ator a fazer o papel de Frank Castle na franquia.
Na menor das participações, e ainda assim a mais engraçada, está Florence Pugh. A Yelena Belova dos Thunderbolts segue sua transição para ser a Viúva Negra da nova formação dos Vingadores. Nesse intervalo, a agente russa aparece como divertida conselheira de Peter Parker. E rouba a cena.
Química doméstica
Aranha enfrenta um novo vilão, que invade mentes trocando de corpo a todo momento. A caçada ao inimigo o reaproxima de Ned e Mary Jane.
O roteiro esperto aproveita bem esse recomeço do casalzinho, conseguindo até inserir cena memorável de beijo entre os personagens, marca registrada da franquia. Casados, Tom Holland e Zendaya trazem a química de casa.
“Homem-Aranha: Um novo dia” consegue o melhor filme de HQ desde talvez o primeiro “Deadpool”. Consegue a façanha apostando na simplicidade: contar uma boa história. O resto fica por conta do fanatismo da plateia pelas histórias em quadrinhos.
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“HOMEM-ARANHA: UM NOVO DIA”
EUA, 2026, 145min. De Destin Daniel Cretton. Com Tom Holland, Zendaya, Mark Ruffalo e Jon Bernthal. Em cartaz nas salas das redes Cinemark, Cineart, Cinesercla e Cinépolis, na capital e Grande BH