‘Fúria’ é versão nacional para o estilo ‘tiro, porrada e família’
Série que a Netflix lança nesta quarta-feira (29/7) é ambientada no universo do MMA e tem o novato Vinícius Neri e o funkeiro MC Cabelinho nos papéis principais
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Jason Bourne enfrenta Rocky Balboa no Rio de Janeiro. Esta é uma maneira de apresentar “Fúria”, nova série nacional da Netflix. Com estreia nesta quarta-feira (29/7), a produção é ambientada no universo do MMA. Os protagonistas são dois estreantes no formato: Vinícius Neri, desconhecido do grande público, e o funkeiro MC Cabelinho, que até então havia participado de duas novelas na Globo.
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Amparando a dupla, um grupo de atores experientes, como Fábio Lago,Alice Carvalho, Bianca Comparato, Claudia Raia e Eduardo Moscovis. Anderson Silva, o Spider, faz uma participação na história criada por Igor Verde e Gustavo Bragança. A direção geral é de José Henrique Fonseca.
O Jason Bourne de “Fúria” é Marcelo Lázaro (Vinícius Neri). Na sequência inicial da série, ele é encontrado por Tony (Fábio Lago) em um lixão, quase morto. Tony é um antigo lutador, hoje à frente da Trindade, academia na comunidade pobre onde mora, lidando com uma rotina de dificuldades. Volta e meia, vai ao lixão para ver se encontra algo que possa aproveitar.
O homem que Tony encontrou, barbudo e com uma marca de tiro na cabeça, não tem memória. É o treinador quem o encaminha para o hospital da região. Uma vez recuperado, ele sai em busca de seu salvador, que o nomeia Marcelo Lázaro.
Sem rumo, acaba batendo à porta da academia, e é aceito por pura insistência. No início, ajuda na limpeza, até que, um dia, sobe ao ringue no treinamento e arrasa com seu oponente. À medida que a história avança, Marcelo Lázaro vai recuperar a memória e descobrir o próprio passado no crime.
Ameaça de falência
A estrela do local é Júnior Malamute (MC Cabelinho), morador da comunidade que está ascendendo no MMA. Namorado de Gabi (Alice Carvalho), filha de Tony, é ele quem deverá salvar a Trindade da falência. Esquentado, Malamute, depois de várias investidas, finalmente cede à Yana (Bianca Comparato), filha de Novaes (Eduardo Moscovis). Abandona a Trindade e vai lutar pela academia rival, que é super bem-sucedida.
Logicamente, o caldo entorna, e Lázaro e Malamute viram rivais – no esporte e na vida pessoal. Em meio a isso, o homem, que continua sem memória, é procurado. Lázaro tem uma história para lá de conturbada. Quando é pressionado, tem acessos de raiva – no ringue, isso se torna uma de suas qualidades.
Vinícius Neri e MC Cabelinho tiveram que fazer um treinamento puxado. E não foi só na parte física, dedicada às lutas. O que pegou mesmo foi a preparação de elenco com Fátima Toledo. “Já tenho um pouco de intimidade com boxe e jiu-jitsu, então não foi tão difícil assim. A preparação com a Fátima foi mais desafiadora. Assim que eu chegava, o coração batia forte. Falava: ‘Caraca, hoje vou ter que xingar o Vinícius, hoje vou ter que ser xingado.’ A gente entrava naquele mundo e tinha que se odiar obrigatoriamente”, conta Cabelinho.
Seu colega de cena completa: “A gente penou um pouquinho, porque parte do trabalho dela é trazer coisas da nossa própria vida. Alguns momentos foram difíceis para a gente chegar nos dois personagens”, comenta Vinícius. O ator fez quatro testes para conseguir o papel de protagonista. Até então, ele havia feito alguns curtas. Foi por meio do mais recente deles, “KM 10” (2024), de Lucas Ribeiro, que foi chamado para o teste.
Referências
“A série chegou em um momento em que eu pensava no que fazer para a minha carreira acontecer. Estava meio frustrado, testando para outras coisas, inclusive da Netflix, mas sentindo muito que seria esse o personagem”, diz Vinícius. Ainda que ele tenha assistido à franquia “Bourne” para se preparar para o papel, houve outras referências mais importantes.
Foram elas os filmes “Amnésia” (2000), de Christopher Nolan, sobre um homem sem memória, e “Fúria primitiva” (2024), de Dev Patel, sobre a jornada de vingança de um lutador, além do romance “A neófita” (2024), de Octavia Butler, que acompanha uma mulher que também perdeu a memória.
Cabelinho não foi tão longe. “O Coringa de ‘Batman: O cavaleiro das trevas’ (2008, outra direção de Christopher Nolan, com Heath Ledger no papel) me inspirou muito. Confesso que dei uma imitada nele”, conta o MC, que ainda assistiu a lutas de Conor McGregor e Gervonta Davis.
Como uma história de superação, os dois acham que “Fúria” traz outras nuances além da competição nos ringues. “A série mostra que na favela também tem lutador, professor. Se você reparar o que está ao redor da academia do Tony, é só dificuldade. Na favela tem muita academia, muita gente que precisa de apoio. Mas nem por isso os caras deixam de dar aula”, diz Cabelinho.
Vinícius completa: “Os personagens estão numa situação-limite, de muita humanidade. Acho que o que o roteiro traz de muito bonito para além da coisa da brutalidade é essa construção de família, que não é tradicional. É essa família que se encontra pela luta e pela necessidade, ou seja, o Marcelo e o Tony, lutador e treinador. Eles têm uma relação de pai e filho.” n
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“FÚRIA”
• A série, com seis episódios, estreia nesta quarta-feira (29/7), na Netflix.