Morreu nesta quarta-feira (22/7), aos 98 anos, o produtor Luiz Carlos Barreto. Considerado um dos grandes nomes da história do cinema brasileiro, Barretão, como era chamado, atuou por seis décadas no audiovisual brasileiro.

Desde segunda-feira passada (20/7), ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro,  para tratar uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.

Havia sofrido um acidente há pouco mais de dois anos e estava paraplégico. O velório será realizado nesta quinta-feira (23/7), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo, seguido de cerimônia de cremação no Memorial do Caju.

Barretão integrou o Cinema Novo, que transformou a produção cinematográfica nacional na década de 1960, movimento marcado pelo realismo e pela crítica social durante a ditadura militar.

Antes de brilhar como produtor de cinema, o cearense de Sobral foi jornalista. Escrevia no jornal do Partido Comunista. Preocupada com perseguições, a mãe incentivou o filho a se mudar para o Rio, onde ele se tornou repórter e fotógrafo da revista “O Cruzeiro”.

Junto à mulher, a produtora Lucy Barreto, ele assinou alguns dos maiores sucessos do cinema nacional. Um deles é "Dona Flor e seus dois maridos" (1976), de Bruno Barreto, que por mais de 30 anos foi recorde de bilheteria no país – fez mais de 10 milhões de espectadores.

Fundou com Lucy, em 1963, a LC Barreto. Entre a quase centena de títulos que eles trazem no currículo (longas, curtas, séries e documentários), estão clássicos da cinematografia nacional. 

O produtor chegou ao cinema por causa de Glauber Rocha. Como repórter e fotógrafo de “O Cruzeiro”, tornou-se correspondente da revista na França. Foi naquele país que ele e Lucy se casaram. A lua de mel foi no Festival de Veneza de 1954.

Na volta ao Rio, depois de uma reportagem na Bahia, ele conheceu Glauber Rocha (1939-1981). Quando este foi filmar seu primeiro título, “Barravento” (1962), ele se envolveu com o Cinema Novo. Escreveu o roteiro de “O assalto ao trem pagador” (1962), de Roberto Farias. O casal se mudou para uma residência em Botafogo, que se tornou a casa informal do Cinema Novo.

“Vidas secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, foi um marco do período. Barretão não só produziu como dividiu a direção de fotografia com José Rosa. Em entrevista em 2020, ele recordou a produção.

“Eu disse que não entendia de cinema, mas o Nelson resolveu testar. Decidiu que íamos fazer o filme de dois jeitos. Do tradicional, com filtros e rebatedores, e com um fotógrafo profissional, e do meu, sem nada daquilo. Filmamos no sertão de Alagoas. Naquele tempo tinha um voo semanal para o Rio. Uma semana para vir, uma para revelar, outra para voltar. Quando viu o material num cinema de Maceió, Nelson decidiu que queria só do meu jeito, o mínimo de iluminação, o diafragma pela luz do rosto todo o fundo estourado.”

Outros títulos essenciais da produtora são “Bye bye Brasil” (1980), de Cacá Diegues, “Memórias do cárcere” (1984), também de Nelson Pereira dos Santos e “Ele, o boto” (1987), de Walter Lima Jr.

A produtora carioca também conseguiu duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional: a primeira vez com “O quatrilho” (1995), de Fábio Barreto, o filho do meio do casal, morto em 2019, e a segunda com “O que é isto, companheiro?” (1997), de Bruno Barreto.

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Além de Lucy, ele deixa os filhos Paula, produtora, e Bruno, cineasta, e nove netos.

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