Cantora de vida tão intensa quanto breve – morreu aos 29 anos, de infarto, provavelmente causado pelo consumo excessivo de barbitúricos –, Dolores Duran (1930-1959) compôs três dezenas de canções, todas a partir de 1955.
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Boa parte deste material ganhou nova leitura pela voz de Zeca Baleiro e pelas cordas do violonista e arranjador Swami Jr. A dupla encerra nesta quinta (23/7), com apresentação no Centro Cultural Unimed-BH Minas, a temporada comemorativa da primeira década do projeto Uma Voz, Um Instrumento. Os ingressos estão esgotados.
O show dedicado a Dolores Duran foi criado no ano passado, a convite do Sesc 14 Bis. Chega fresquinho a BH, depois de três apresentações, em outubro, na capital paulista. E antecipa o lançamento do álbum, já gravado pela dupla, que deverá vir a público em janeiro, pelo selo Sesc. No show, Swami Jr. vai empunhar um violão de sete cordas.
“Como ela morreu muito jovem, a obra é até pequena. Mas tem muita coisa maravilhosa. Eu dei primeiro uma filtrada, fui descobrindo outras coisas e comecei os arranjos”, conta Swami. Serão apresentadas 15 canções. Em duas, uma delas “A noite do meu bem”, o cantor maranhense também toca violão.
“Nem precisava, pois o Swami é um instrumentista fabuloso”, diz Zeca sobre o parceiro de muitos anos. “É um show para mim muito especial, pois nesse tempo em que as pessoas superproduzem demais, é raro ver violão e voz, algo que ressalta a beleza das canções. É tudo muito evidente: poesia e muita dor.”
Zeca participou, quase 20 anos atrás, de um álbum-tributo a Maysa. Gravou “Por causa de você”, parceria de Dolores com Tom Jobim que fazia parte do repertório da “deusa da fossa”. Na construção do show, a dupla decidiu colocar a voz de Dolores em cena.
“Baita intérprete”
“Ela aparece em off com um trechinho de um baião com o Chico Anysio, como uma mulher pedindo a Santo Antônio um marido (“A fia de Chico Brito”, com letra do humorista) e numa gravação de ‘Cry me a river’, clássico da canção americana que mostra como era uma baita intérprete”, acrescenta Zeca.
Uma das histórias em torno de Dolores dá conta de que, mesmo sem fluência em inglês, ela chamou a atenção de Ella Fitzgerald. A cantora teria dito, após vê-la numa boate no Rio de Janeiro, que era da carioca a melhor versão para “My funny Valentine”.
Outra fã notória de Dolores Duran era Ângela Maria (1929-2018). Nesta edição de Uma Voz, Um Instrumento, o idealizador do projeto, Pedrinho Alves Madeira, tem homenageado artistas que participaram do projeto e morreram recentemente. Zeca e Swami vão celebrar a obra de Ângela Maria fazendo uma interseção com a trajetória de Dolores.
“Ela gravou ‘Ternura antiga’ e ‘A noite do meu bem’, da Dolores, que estão no show. Preparamos também ‘Tango pra Teresa’, que é só da Ângela”, acrescenta Swami.
“Sempre fui um grande fã da voz feminina. Um dos meus trabalhos que considero mais bonitos é o álbum que fiz em parceria com Hilda Hilst (‘Ode descontínua e remota para flauta e oboé’, de 2005, gravado com várias intérpretes, Ângela Maria entre elas). A Dolores tinha como particularidade ser compositora numa época em que você contava nos dedos (as mulheres autoras). Ela é importante também nesse sentido, por ter aberto portas”, aponta Zeca.
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“UMA VOZ, UM INSTRUMENTO”
Com Zeca Baleiro e Swami Jr. Nesta quinta (23/7), às 20h, no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos esgotados.
