Diante da logística complicada, duos de piano são mais comuns a quatro mãos, com os musicistas dividindo o mesmo instrumento. Para a comemoração de quatro anos do Clube de Jazz do Café com Letras, não houve nem discussão: pela primeira vez, a casa vai apresentar dois instrumentistas em dois pianos. O tamanho exíguo do palco é só um detalhe.


Serão três noites, desta quinta (23/7) a sábado, com formações e repertório bastante diversos. Abrindo a curta temporada, Rafael Martini toca amanhã ao lado da paulista Erika Ribeiro. Uma das mais celebradas concertistas de sua geração (já se apresentou mais de uma vez como solista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais), ela é também conhecida por não se ater aos rótulos.

O trabalho de Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco, que formam o Duo GisBranco, inspirou a realização do ciclo em BH

Daryan Dornelles/Divulgação


Professora da UniRio, é co-orientadora do doutorado que Martini realiza na UFMG, sob a orientação do percussionista Fernando Rocha. A noite vai marcar a estreia dos dois pianistas tocando juntos.


“A Erika vem de uma formação supererudita, mas sempre teve um olhar para a música popular. Eu faço um pouco o caminho contrário: tenho formação popular, mas uma paixão pela composição erudita”, diz Martini. O repertório selecionado, diz ele, faz um passeio “por compositores que estão na fronteira entre o que é chamado de música de concerto e música popular”.


Escolheram, por exemplo, uma obra do compositor e violonista Sérgio Assad, do Duo Assad; outra de Léa Freire, flautista, pianista e compositora. Ambos, diz Martini, fazem uma música inclassificável. “É desta maneira que Erika e eu gostamos de fazer música”, afirma.

Marcelo Jiran e Evan Megaro encerram o ciclo, com apresentação no sábado

Marcelo Jiran/Divulgação)



A noite de sexta-feira será dedicada ao instrumental brasileiro. Formado há duas décadas pelas pianistas Bianca Gismonti e Cláudia Castelo Branco, o Duo GisBranco tem cinco álbuns lançados, o mais recente deles “Pássaros (Ao vivo)”, de 2021, dedicado à poesia e à música de Chico César. Uma das músicas do show vem de “Gisbranco”, o álbum de estreia: “Aquelas coisas todas”, de Toninho Horta, com arranjo de Bianca e Cláudia.


Já no encerramento da temporada, no sábado, Evan Megaro, um dos pianistas mais constantes na programação do Clube de Jazz, se apresenta ao lado de Marcelo Jiran, que nunca tocou na casa. Os dois vão fazer um passeio entre o choro e o jazz.


À frente do Clube de Jazz, Bruno Golgher contabiliza mil apresentações no espaço (são 250 por ano), desde sua abertura, em 18 de julho de 2022. “Hoje em dia é bem diferente de quando abrimos, pois as pessoas conhecem mais o Clube. Mas é sempre um desafio, uma busca sem fim”, comenta ele.


Golgher escolheu o duo pianístico para a celebração porque é fã do formato. “Já fiz outros duos há muito tempo, no Savassi Festival. É raro existir um grupo (do gênero) como o GisBranco, então resolvi convidar músicos que admiro (como Martini e Megaro) para dar a oportunidade de a pessoa inventar um projeto novo.”


Não é exagero dizer que o Clube de Jazz é único no cenário de Belo Horizonte. “É importante, pois ele tem a música como centro, tem movimentado não só os músicos da cidade, mas gente que vem de fora. É o único lugar ainda que podemos chamar de clube de jazz, pois é dedicado à música instrumental de forma mais ampla. O jazz já deixou de ser um estilo para se tornar uma maneira de fazer música”, aponta Martini.


CICLO DUOS DE PIANOS

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Desta quinta (23/7) a sábado (25/7), no Clube de Jazz do Café com Letras (Rua Antônio de Albuquerque, 47, Savassi). Quinta: Erika Ribeiro e Rafael Martini, às 20h30; sexta: Duo GisBranco, às 21h; sábado: Evan Megaro e Marcelo Jiran, às 21h. Ingressos a partir de R$ 20, à venda no Sympla.

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