“O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, foi um fenômeno de bilheteria no ano passado. O longa ultrapassou R$ 50 milhões em arrecadação e levou mais de 2,3 milhões de espectadores aos cinemas. “Homem com H”, de Esmir Filho, não repetiu esse desempenho, mas obteve números expressivos para os padrões brasileiros: bilheteria de cerca de R$ 13 milhões e 600 mil ingressos vendidos.

Vencedor do Urso de Prata na Berlinale 2025, “O último azul”, de Gabriel Mascaro, teve recepção mais discreta, reunindo cerca de 200 mil espectadores. Já “Ritas”, de Oswaldo Santana e Karen Harley, foi visto por 33,3 mil pessoas nas salas brasileiras.

Há, porém, produções nacionais cujo alcance comercial nem sequer foi medido. É o caso de “O filho de mil homens”, de Daniel Rezende; “Hora do recreio”, de Lúcia Murat; e “Manas”, de Marianna Brennand, que não tiveram dados oficiais de público e bilheteria divulgados.

Apesar de trajetórias tão distintas nas salas de exibição, todos esses filmes disputam o Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro, promovido pela Academia Brasileira de Cinema. Outros nove longas também concorrem.

O vencedor do prêmio será definido por votação no site academiabrasileiradecinema.com.br, com resultado anunciado em 4 de agosto.

Para quem perdeu essas produções durante sua passagem pelos cinemas, surge nova chance. O Cine Humberto Mauro promove a Mostra Prêmio Grande Otelo, que vai exibir gratuitamente os 16 finalistas até a próxima quarta-feira (15/7).

Também integram a seleção “Agentes muito especiais”, de Pedro Antonio; “C.I.C Centro de Inteligência Cearense”, de Halder Gomes; “Sexa”, de Gloria Pires; “Sonhar com leões”, de Paolo Marinou-Blanco; “Uma mulher sem filtro”, de Arthur Fontes; “Velhos bandidos”, de Claudio Torres; “A queda do céu”, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha; “Apocalipse nos trópicos”, de Petra Costa; e “Mambembe”, de Fabio Meira.

“A gente sempre tem grandes filmes sendo produzidos, mas eles não conseguem chegar ao grande público. Ficam restritos, muitas vezes, ao circuito de festivais”, afirma Rodrigo Azevedo, produtor de programação do Cine Humberto Mauro. “Acaba que o público brasileiro não conhece seu próprio cinema”, acrescenta.

Mais do que trazer filmes para a telona novamente, a mostra apresenta um panorama do que vem sendo produzido no país. Não existe única estética ou único tema abordado pelos diretores. Pelo contrário, a pluralidade é cada vez maior.

“É uma espécie de zeitgeist, o espírito do momento”, explica Rodrigo. “Atualmente, temos maior acesso às possibilidades de criação audiovisual. Isso faz toda a diferença, permitindo que realizadores transformem determinados gêneros a partir das realidades do nosso país. É um pouco diferente do que acontecia no passado, embora nosso cinema seja marcado por boas produções em diferentes épocas da história”, avalia Azevedo.

PROGRAME-SE

QUINTA (9/7)
• 16h: “Velhos bandidos”, de Claudio Torres
• 18h: “Hora do recreio”, de Lúcia Murat
• 20h: “Apocalipse nos trópicos”, de Petra Costa

SEXTA (10/7)
• 16h: “C.I.C Centro de Inteligência Cearense”, de Halder Gomes
• 18h: “Agentes muito especiais”, de Pedro Antonio
• 20h: “A queda do céu”, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha

DOMINGO (12/7)
• 18h: “Sonhar com leões”, de Paolo Marinou-Blanco
• 20h: “O último azul”, de Gabriel Mascaro

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MOSTRA PRÊMIO GRANDE OTELO

Cine Humberto Mauro (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Até 15 de julho. Entrada franca, mediante retirada de ingressos na plataforma Sympla ou na bilheteria. Programação completa: fcs.mg.gov.br.

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