As novelas verticais, que despontaram no Brasil no ano passado, contradizem quem achou que seu sucesso seria fogo de palha. Elas continuam atraindo a geração Z e pessoas mais velhas que consumiam telenovelas, mas perderam o hábito de ver TV.


O escritor Antonio Prata resolveu investir nesse formato em seu novo projeto,
“A boa, a má e o marido gigolô”, microdrama para ser visto em celulares. Os 43 capítulos não ultrapassam três minutos e estão disponíveis no aplicativo Tele Tele, plataforma lançada recentemente.


Amostra grátis

Disponível para Android e iOS, o app foi criado por Antonio Prata e pelo diretor Thiago Teitelroit. Oferece oito capítulos da novela gratuitamente, mas para liberar os episódios seguintes o espectador pode escolher entre comprá-los individualmente (R$ 0,99) ou todos de uma vez (ao preço promocional de R$ 14,99).


A trama capricha nos elementos melodramáticos. “Fala de duas irmãs gêmeas, Rayane e Marcele, que trocam de lugar. Uma é atriz famosa, a outra é dura e casada com um canalha”, afirma Prata. “A mãe delas mora com a pobre, que pede ajuda à rica para pagar remédios. Mas Rayane recusa e, durante um desentendimento, cai da escada e morre. Isso dá a Marcele a ideia de se passar pela irmã, assumindo seu papel para pagar o tratamento da mãe.”


Sim, já vimos essa novela antes em “Mulheres de areia”, de Ivani Ribeiro. Mas a trama surge em tons ainda mais exacerbados. Os capítulos são coescritos pelo roteirista Chico Mattoso, com direção de Teitelroit.


“Não é tão diferente assim da teledramaturgia que já existe”, diz Prata. “Mas o público é muito volátil. Você tem de conquistá-lo e ser rápido nisso, não tem tempo para introdução longa, como em novelas de TV e filmes”, explica o escritor.


As gêmeas são interpretadas por Vitória Strada. Daniel Rocha dá vida ao marido manipulador de uma delas. “É um boy bem lixo”, diz o ator sobre Dênis, seu personagem.


“O melodrama sempre se reinventa em histórias que dão certo. Sempre fui ator de processo, de composição, então é um bocado diferente. Mas já fiz novela das sete, que se parece um pouco com as verticais, com mais leveza e personagens mais estereotipados”, afirma o ator.


Daniel Rocha acredita que a ascensão das verticais não representa ameaça às novelas tradicionais e à dramaturgia de outras mídias. “Filmes nacionais estão bombando lá fora, sobretudo os com perfil mais cinema de arte, o que é ótimo. Mas também existe esse outro mercado, com interesse na produção de internet, de melodramas que priorizam segurar a atenção da pessoa. Há espaço para todos.”


Antonio Prata acredita que a linguagem veio para ficar. “Enquanto o celular for esse gadget em que o mundo está concentrado, vai ter filme na vertical. Depois, se tudo migrar para um par de óculos, por exemplo, aí também vão surgir novas formas nessa prateleira.”


Bebel e Olavo

Mais de 15 anos após conquistar o público em “Paraíso tropical”, Bebel e Olavo estão de volta. O Globoplay exibe nova versão da história dos personagens interpretados por Camila Pitanga e Wagner Moura, agora adaptada para o formato vertical, pensado especialmente para celulares.

A novidade faz parte da estratégia da plataforma de revisitar personagens marcantes das novelas da Globo em narrativas mais rápidas e adaptadas aos hábitos atuais de consumo.

Os episódios têm até dois minutos. Em vez da continuação da trama original, vai ao ar um compacto da trajetória do casal. Criação de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, Bebel surgiu como jovem ambiciosa, determinada a mudar de vida a qualquer custo, enquanto Olavo era empresário manipulador, disposto a tudo para alcançar seus objetivos.

O romance foi marcado por conflitos, paixão, inúmeras reviravoltas e boas doses de humor. (Adrielly Souza/Folhapress)

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“A BOA, A MÁ E O MARIDO GIGOLÔ”
• Novela vertical, com 43 capítulos. Disponível no aplicativo Tele Tele.

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