Os minions estão de volta. No sétimo filme da franquia iniciada por “Meu malvado favorito” (2010), as criaturas amarelas provam que ainda têm fôlego para divertir e uma boa história para contar.

Depois do sucesso do quinto “Toy story”, da Pixar, com mais de US$ 500 milhões arrecadados no mundo desde o início de junho, a atenção se volta para a nova animação da Illumination. Os pequenos personagens amarelos conseguirão repetir o feito e conquistar o Oscar pela primeira vez?

A abertura já indica o tom do longa. Em stop motion e preto e branco, a sequência presta homenagem aos primórdios da sétima arte, recriando os clássicos “A saída dos operários da fábrica”, dos irmãos Lumière, primeiro filme da história do cinema, e “Viagem à Lua”, dos mesmos diretores.

Há outras releituras: Harold Lloyd surge pendurado nos ponteiros do relógio, a engrenagem de “Tempos modernos” esmaga minions e o temível monstro de “Tubarão”, entre vários ícones da sétima arte.

A trama começa com um grupo de crianças no museu, visitando exposição sobre Hollywood. Entre itens ligados a E.T., Matrix, o diretor George Lucas e outros símbolos da cultura pop, há dois minions: James e Henry. A narrativa ganha vida quando a guia conta a história das “lendas que mudaram Hollywood e o mundo para sempre”.

Assim como no primeiro spin-off, o espectador é lembrado de que os minions existem há milhões de anos com o propósito de dedicar a vida ao vilão mais perverso de cada época. Leais, fazem de tudo por seus chefes, sejam eles ciclopes, múmias, reis, bruxos ou vampiros. O problema é que a devoção quase sempre termina em desastre, obrigando o grupo a partir novamente em busca de um novo líder.

Sonhador

Nesse contexto, James é apresentado. O minion é sonhador e apaixonado por criar histórias, mas apenas dois colegas, Henry e Ed, embarcam nas ideias dele.

Depois de vagar anos sem encontrar novo vilão, o grupo invade, por acaso, um set de filmagem na Hollywood dos anos 1930.

Os donos do estúdio, dois irmãos corpulentos, bigodudos e caricatos, confundem os minions com crianças doentes. Depois de atrapalharem a filmagem sem querer, as criaturas são contratadas para participar da produção. “Filmes são histórias que acontecem diante dos seus olhos. As pessoas adoram essas histórias e também quem as faz”, explica o diretor aos pequenos personagens.

A partir daí, os minions se transformam em astros de Hollywood. Campeões de bilheteria, ganham mansão em Beverly Hills, frequentam festas luxuosas e desfilam por tapetes vermelhos. Porém, o sucesso dura até a chegada do cinema sonoro. Como não conseguem falar, são descartados pela indústria e perdem tudo.

Oscar vira banana

Enquanto o grupo procura um novo vilão para servir, James descobre a existência do Oscar, representado aqui pela divertida estatueta dourada em forma de banana. Fará tudo para conquistar o prêmio. Sem equipamentos, dinheiro ou equipe, resolve produzir o próprio filme.

Inspirado pela febre do cinema de monstros, invoca uma criatura para protagonizar sua história. Como era de se esperar, o plano dá errado e desencadeia boa parte das confusões do filme.

Illumination Entertainment/Divulgação

“Minions e os monstros” é uma declaração de amor ao cinema. O roteiro brinca com os bastidores de Hollywood, presta homenagem à era de ouro dos grandes estúdios e diverte recriando cenas que marcaram gerações.

Pierre Coffin, diretor do longa, diz que a intenção jamais foi dar aula de cinema ao público. “É um filme de época, mas não tem propósito educativo. A ideia era sugerir que momentos icônicos, como Harold Lloyd pendurado no relógio, foram inspirados, ou até causados, pelos minions”, explicou ao site americano Deadline.

É a primeira vez que Coffin dirige sozinho um longa da franquia, depois de dividir a direção de “Meu malvado favorito” e ser codiretor de “Meu malvado favorito 2” e “3” e de “Minions”. Além de dirigir, ele também volta a dar voz ao idioma maluco das criaturas amarelas.

“Minionês”

Desta vez, um dos desafios foi tornar o “minionês” mais fácil de acompanhar. A língua criada por ele mistura palavras em inglês, francês, espanhol, português e outros idiomas.

No roteiro bem construído, as piadas seduzem tanto crianças quanto adultos, ainda que cada público ria por motivos diferentes. “Minions e os monstros” termina lembrando que não existe lugar melhor para viver a magia do cinema do que numa sala escura, cercado por outros espectadores.

“MINIONS E OS MONSTROS”

EUA, 2026, 87 min. Animação dirigida por Pierre Coffin. Estreia nesta quinta-feira (2/7), em salas das redes Cineart, Cinemark, Cinépolis e Cinesercla, além do cinema do Centro Cultural Unimed BH-Minas.

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