Orquestra de Câmara Nacional nasce em Minas Gerais
Sem formação fixa, grupo faz sua estreia, neste sábado (1º/8), na Sala Minas Gerais, com 25 instrumentistas e um repertório que vai "Da ópera ao jazz"
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Quando estudante de composição e regência em Londrina, Rossini Parucci recebeu de seu professor, o maestro Othonio Benvenuto, um conselho. Ele deveria tocar um instrumento de orquestra para ganhar experiência, já que, como parte de um grupo, teria a oportunidade de observar outros maestros.
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Foi dessa maneira que Parucci, de 44 anos, começou a estudar contrabaixo. Há 10 anos integrante deste naipe na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, há quatro regente titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL), ele assume mais um papel neste sábado(1º/8), na Sala Minas Gerais.
O concerto “Da ópera ao jazz” vai marcar a estreia da Orquestra de Câmara Nacional (OCN), projeto capitaneado por Parucci, maestro e diretor artístico da nova formação. “Meu desejo com essa orquestra veio através de uma reflexão. É muito difícil um grupo orquestral tocar em pequenas cidades. Nem todas têm espaço adequado, muitas vezes não se consegue recursos para tocar no interior.”
Com o formato de câmara, com um número menor de musicistas, a orquestra poderá tocar em espaços alternativos. “Igrejas, salões de escolas. Assim, fica mais acessível. Qual seria a chance de uma cidade de 50 mil habitantes escutar a Quarta Sinfonia de Mahler? Com um grupo de câmara, isto seria possível”, afirma o regente.
A intenção é que haja mediação em cada apresentação. “Não dissocio concerto de educação. Quero preparar as pessoas para o que elas vão escutar. Tanto que, no concerto, haverá primeiro um vídeo falando da série.”
Sobre o repertório, Parucci diz que a intenção é explorar novas possibilidades. “Muitas vezes, quando se toca o repertório de uma sinfonia com a orquestração original, há algum material que fica perdido na massa (sonora). Com um grupo menor, começam a aparecer novas possibilidades de sons.”
Intercâmbio
A noite deste sábado será como uma carta de apresentação da OCN. A orquestra não tem um corpo fixo de musicistas. Para a estreia, serão 25 no palco da sala, boa parte colegas de Parucci na própria Filarmônica.
“Como ela foi criada para rodar o Brasil, não tem um corpo estável. A ideia é ter um núcleo fixo e utilizar músicos das localidades (onde a orquestra se apresentar). A intenção é ter um intercâmbio com os músicos.” Mirando o futuro, ele também sonha em levar a formação para o exterior. “Daí, eu levaria um grupo pequeno do Brasil e poderia tocar com brasileiros que residem fora.”
O concerto “Da ópera ao jazz” será aberto com “O Guarani”, de Carlos Gomes. “Queria começar com música brasileira. E acho que, das peças sinfônicas, ela é uma das mais, se não a mais conhecida. Fiz o arranjo com a redução para um grupo de câmara”, conta. Na sequência, será executado o prelúdio da ópera “Tristão e Isolda”, de Wagner. “Por mais que tenha sido escrita para uma formação maior, ela tem uma característica de música de câmara, com um material melódico mais transparente.” A soprano Melina Peixoto participa como solista.
A segunda parte da apresentação será dedicada ao jazz, com duas das obras mais conhecidas de George Gershwin: “Rhapsody in blue” e “Um americano em Paris”. “Ambas foram, originalmente, pensadas para pequenos grupos. Quis mostrar o lado original das composições para orquestra e piano.” Lucas Thomazinho, na opinião de Parucci, “um dos maiores talentos do piano brasileiro da atualidade”, vai acompanhar a orquestra em “Rhapsody in blue”.
Parucci diz que está em contato com prefeituras para levar este programa para o interior. “Estamos esboçando datas e agendas. Mas, primeiro, vamos lançar o projeto para mostrar para as pessoas as possibilidades”, diz ele. Filho de mineiros nascido em Londrina – “Tanto que me considero mineiro” –, Parucci se graduou em música na Arizona State University.
No retorno ao Brasil e já vivendo em Belo Horizonte, participou, em 2018, da 10ª edição do Laboratório de Regência da Filarmônica. “Tenho aproveitado todos esses anos no contrabaixo na Filarmônica. Toda semana de trabalho é como se fosse uma aula de regência”, diz.
ORQUESTRA DE CÂMARA NACIONAL
Concerto de estreia neste sábado (1º/8), às 18h, na Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto). Ingressos: de R$ 28,50 a R$ 235, à venda no Sympla.
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