Tabuleiro Jazz, em Conceição do Mato Dentro, aposta na diversidade
Festival vai oferecer 11 shows e oficinas, de quinta a domingo (30/7 a 2/8). Duo Assad, o camaronês Nat Su e a japonesa Manami Kakudo são algumas das atrações
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O jazz está vivo. Vivíssimo, aliás. Pode até não ser o gênero mais popular do mercado, mas continua produzindo artistas, renovando linguagens e formando público. Prova disso é o 6º Tabuleiro Jazz Festival, em Conceição do Mato Dentro, cidade da Região Central de Minas, que começa nesta quinta-feira (30/7) e segue até domingo (2/8), com programação gratuita.
Lô Borges (1952-2025), Tavinho Moura e o multi-instrumentista americano Ralph Towner, morto em janeiro, serão homenageados.
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Ao longo de cinco dias, serão realizadas oficina de escuta e improvisação ministrada pelas compositoras e instrumentistas Joana Queiroz e Manami Kakudo, além de 11 shows de artistas estrangeiros e brasileiros. Entre eles, o homenageado Tavinho Moura, que subirá ao palco com sua banda no sábado (1º/8), às 19h.
Abrangência
A proposta é destacar a diversidade do gênero. “Jazz é uma palavra muito abrangente hoje em dia”, destaca o diretor musical do evento, Aliéksey Vianna. “O pessoal acaba usando (o termo jazz) para qualquer coisa. Não só aqui no Brasil, mas também em festivais mundo afora, que foram originalmente festivais de jazz e hoje apresentam vários estilos. Dentro do universo do jazz e da música instrumental brasileira, a gente tenta diversificar o máximo para poder trazer algo palatável para públicos de vários perfis”, explica.
O primeiro show, na quinta-feira (30/7) à noite, já deixa claro o intuito do evento. O Duo Assad tocará as canções marcantes de seus 60 anos de estrada. Os irmãos paulistas Sérgio e Odair Assad nunca tiveram o jazz americano como principal influência. Referência mundial do violão de concerto, a dupla faz de suas composições uma ponte entre a tradição erudita e a música popular brasileira.
“Nós improvisamos de uma maneira muito particular. Preferimos trabalhar com a coisa do duo, que é como se fosse um diálogo constante, onde há um instrumento predominante e o outro acompanha”, diz Sérgio Assad.
“Nesse sentido, é uma coisa mais elaborada. Os arranjos são feitos nesse sentido e a gente divide as responsabilidades ali. Como tocamos com muita liberdade, tem gente que pergunta se estamos improvisando. Soa bem improvisado mesmo, mas está tudo escrito”, explica.
Agenda variada
A programação terá shows de Trio in Uno, Paula Santoro com Pablo Castro, Luísa Mitre Quinteto e Tributo a Ralph Towner, com Maria Pia De Vito, Mark Walker, Nat Su, Carlos Ernest Dias, Camila Rocha e Aliéksey Vianna.
Também se apresentarão Amendola vs. Blades com o camaronês Nat Su; Caxi Rajão e orquestra de violões; Joana Queiroz com a japonesa Manami Kakudo; a italiana Maria Pia De Vito; e o Continentrio com Leonardo Amuedo.
Entre os destaques, o saxofonista camaronês Nat Su e a cantora, compositora e percussionista japonesa Manami Kakudo, cada um à sua maneira, incorporam ao jazz elementos das tradições musicais dos países de origem, assim como os bossa-novistas fizeram na década de 1950.
“O que caracteriza o jazz é a improvisação e a abrangência que ele tem. Essa capacidade de abraçar elementos culturais de qualquer lugar”, destaca Aliéksey Vianna.
“Embora a palavra tenha origem na língua inglesa e o estilo surgiu nos Estados Unidos, às vezes corre-se o risco de pensar que o jazz representa uma forma de colonialismo. Mas não acho que seja o caso. Musicalmente, a coisa é muito mais aberta do que esse tipo de pensamento”, afirma.
De acordo com ele, a vocação para o diálogo entre culturas é o motivo de a programação deste ano se aproximar mais da chamada world music do que do jazz tradicional. “Tem pouca coisa de jazz norte-americano mais raiz. Até os músicos dos Estados Unidos que vêm ao festival misturam o jazz com outras sonoridades”, afirma.
Meio ambiente e gastronomia
O Tabuleiro Jazz Festival promove também feira de gastronomia e artesanato, oficinas de formação musical e ações de educação ambiental. Entre elas estão atividades de observação de aves e mamíferos da região, estandes educativos sobre a fauna local e iniciativas de gestão de resíduos, como o incentivo ao uso de ecocopos.
A edição de 2026 vai destacar três artistas que representam diferentes vertentes da música instrumental. Tavinho Moura recebe o Prêmio Carlos Brandão por sua contribuição ao gênero; a obra de Lô Borges será revisitada no espetáculo “Isto não se apaga”, de Paula Santoro e Pablo Castro; Ralph Towner, fundador do grupo Oregon e uma das maiores referências do violão contemporâneo, ganha concerto em sua homenagem.
“Quis aproveitar a oportunidade do festival para fazer um concerto dedicado à obra dele. Ralph Towner marcou profundamente a minha formação e se tornou um amigo muito próximo nos últimos anos”, conta Aliéksey Vianna.
PROGRAMAÇÃO
. QUINTA (30/7)
20h: Duo Assad
21h45: Trio in Uno
. SEXTA (31/7)
20h30: Paula Santoro com Pablo Castro e banda. Participação especial Rafael Vernet. Show “Isto não se apaga, homenagem a Lô Borges”
22h15: Luísa Mitre Quinteto
. SÁBADO (1º/8)
19h: Tavinho Moura e Banda
20h30:Entrega do Prêmio Carlos Brandão
21h: Tributo a Ralph Towner. Com Maria Pia De Vito, Mark Walker, Nat Su, Carlos Ernest Dias, Camila Rocha e Aliéksey Vianna
22h45: Amendola e Blades convidam Nat Su
. DOMINGO (2/8)
10h: Caxi Rajão e Orquestra de Violões de Conceição do Mato Dentro
11h: Joana Queiroz & Manami Kakudo
13h30: Maria Pia De Vito Quarteto, Roberto Taufic, Eduardo Taufic e Darlan Marley. Show “Buarqueana”
15h15: Continentrio convida Leo Amuedo
TABULEIRO JAZZ FESTIVAL
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De quinta-feira (30/7) até domingo (2/8), em Conceição do Mato Dentro. Informações: tabuleirojazzfestival.com.br