REALEZA BRITÂNICA

Rainha Elizabeth II trabalhou até horas antes de morrer, diz biógrafo

Robert Hardman, autor de "Elizabeth II: In Private. In Public. The Inside Story", afirma que a monarca gostava das atribuições da Coroa

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A rainha Elizabeth II trabalhou até horas antes de morrer, segundo o biógrafo Robert Hardman.

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Elizabeth assinou documentos importantes de sua "caixa vermelha" pouco antes de falecer. A "caixa vermelha" é uma maleta de couro que os monarcas britânicos recebem diariamente com documentos que o monarca deve revisar, assinar ou rubricar. Após analisar os documentos, a rainha devolvia essa caixa ao seu secretário – a última chegou até ele após a morte de Elizabeth II.

 


"Esse era o dever dela, e ela entendia isso. E gostava disso. Ela gostava dessa parte do cargo. Ele não considerava isso uma imposição. Obviamente, mais tarde na vida, a equipe tentou diminuir um pouco a carga de trabalho, mas essas ainda eram coisas que só ela podia fazer. Então, essas caixas vermelhas continuaram chegando até a última semana de sua vida", disse Robert Hardman, autor do livro "Elizabeth II: In Private. In Public. The Inside Story", em entrevista ao UOL.

Na última caixa vermelha, além dos documentos, a rainha incluiu uma carta ao seu secretário e uma carta ao então príncipe Charles. "[O secretário] Abriu a caixa sem saber muito bem o que esperar. Lá, havia uma carta para ele, uma carta para o então príncipe Charles e uma papelada que ele havia enviado a ela alguns dias antes, com as nomeações para a Ordem do Mérito. A rainha precisava decidir quem seriam os novos membros, então ela sublinhou os nomes e fez algumas anotações", contou Hardman.

"E lá estava ela: mesmo no leito de morte, a rainha continuava analisando documentos da sua caixa – algo que, imagino, a maioria das pessoas não faria; ficar cuidando de e-mails e conferindo a caixa de entrada estando à beira da morte", disse Robert Hardman.

A rainha tinha uma boa relação com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e fã declarado da família real. "Trump claramente adorava a rainha. Ele tinha muito respeito por ela. O primeiro encontro deles, em 2018, deveria ter durado apenas 15 minutos e durou quase uma hora. Eles se deram muito bem. As pessoas que trabalhavam com ela me disseram isso quando eu estava escrevendo o livro", disse o autor.

 


"A rainha gostava do que ela chamava de 'pessoas divertidas'. Ela não gostava de políticos silenciosos, nervosos, apavorados. Ela gostava de pessoas com personalidade", disse Robert Hardman.

No livro, Hardman conta que a rainha tinha um gosto "comum" para comida, que consumia "cuidadosamente". "A rainha apreciava uma culinária simples, porém preparada com o mais alto padrão de excelência, ao passo que [príncipe Philip] tinha um paladar mais aventureiro. [...] No entanto, ambos também demonstravam um autocontrole inabalável. Esse foi um hábito que transmitiram a todos os seus filhos; todos eles se alimentam com moderação, sendo que [Anne e Andrew] também não consomem bebidas alcoólicas", escreve Hardman na obra.

"Ela era bastante conservadora quando o assunto era comida. Ela fazia parte de uma geração do tempo da guerra que cresceu com comida bastante simples. Ela gostava assim", disse Robert Hardman.

A monarca evitava, por exemplo, comer comidas "complicadas", como espaguete, em eventos oficiais. "Quando você é da família real, todo mundo está olhando para você. Você e eu podemos acidentalmente derramar nossa bebida ou experimentar um coquetel novo. Não dá para fazer isso quando 200 pessoas estão te encarando, porque pode dar errado. [...] Ela não gostava de comida picante e, particularmente, não gostava de comidas difíceis de comer. Por isso, nunca comia espaguete, porque era muito complicado. É muito mais fácil comer uma comida simples, como peixes, batatas, vegetais e coisas do tipo", disse.

Para evitar esses "micos", a equipe da rainha tomava certos cuidados na hora de servi-la. Por exemplo, na bebida, dois cubos de gelo eram colocados em cima da fatia de limão, para "segurar" a fruta no copo.

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Elizabeth 2ª era "pragmática" e não tinha muito interesse em comida, além de comer muito rápido. "Eu me lembro de ir a um banquete de estado no Palácio de Buckingham há alguns anos. Eu fui chamado como convidado, e estava aproveitando a minha refeição. De repente, percebi que o garçom estava levando todos os pratos embora. Eu tinha que comer rápido, porque a rainha já tinha terminado de comer. Assim que a rainha tivesse terminado, todo mundo tinha que terminar", relembrou o autor.

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