Marinho Boffa homenageia Luiz Eça no disco 'Oferenda'
Pianista e discípulo do fundador do Tamba Trio gravou oito composições de seu mestre, que morreu em 1992, e a balada que fez para ele
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Com o objetivo de homenagear o mestre e amigo Luiz Eça (1936-1992), fundador do icônico Tamba Trio em 1962, ao lado de Bebeto Castilho e Hélcio Milito, o pianista Marinho Boffa lança o álbum “Oferenda” (Kuarup). O repertório reúne oito faixas compostas por Eça e a balada que Boffa lhe dedicou.
Sétimo disco de estúdio do músico paulista, “Oferenda” comemora os 90 anos de nascimento do homenageado, completados em 3 de abril. Aclamado professor, pianista, compositor e arranjador, Eça participou da primeira fase da bossa nova (1958-1962).
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Luiz Eça acompanhou Carlos Lyra, Maysa, Roberto Menescal, Sylvia Telles, Edu Lobo, Chico Buarque, Elis Regina, João Bosco, Nana Caymmi e Milton Nascimento. Morreu aos 56 anos, no Rio de Janeiro, vítima de infarto.
Acompanhado por Berval Moraes (baixo acústico) e Kleberson Caetano (bateria), Marinho Boffa não se propôs a fazer uma releitura da obra de Luiz Eça. “Pensei: vou tocar as coisas do jeito mais próximo do jeito dele de tocar. Mas é claro que tem meus improvisos no disco. Luiz é um cara que está no meu coração por toda a eternidade”, garante.
Legado
Até hoje, 34 anos após a morte do amigo, Boffa se sente influenciado por ele. “Todas as vezes que vou escrever um arranjo ou reger uma orquestra, me lembro dele. O último concerto do Luiz antes de partir, no Centro Cultural Banco do Brasil carioca, foi comigo. Ele deixou um legado absurdo”, afirma.
Boffa conta que a casa do amigo tinha sempre as portas abertas para os artistas. “Por lá passavam Dori Caymmi, Joyce, Edu Lobo, Francis Hime e muitos outros. O pessoal ia entrando e ficando. Ali mesmo, ele já armava um lance, às vezes o vocal para uma canção, outras vezes, o arranjo. Era de uma competência descomunal.”
Carreira
Em 1984, Marinho Boffa trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro, onde ficou até 1996. Estudou com Luiz Eça, é considerado discípulo dele. “Nos meus primeiros concertos com orquestra, ele estava sempre do meu lado. Luiz foi um cara muito importante na minha vida e na minha formação, além de ser um grande mestre. Um cara que segui desde a adolescência, pois ouvia gravações dele e do Tamba Trio.”
O pianista carioca participou do primeiro disco de Boffa, lançado em1986. Regeu a orquestra de cordas na faixa "Balada para Luiz Eça" e deu um “empurrão” na carreira do discípulo.
“Ele regeria duas faixas, mas na hora da segunda, desapareceu. Pensei: vou ter de reger agora, não tem outro jeito. Fui para a frente da orquestra e regi. No meio da gravação, vejo Luiz lá na técnica de braços cruzados, rindo da minha cara. Quando saí, ele disse: ‘Tá vendo? Não é tão difícil quanto imaginava. Agora você estreia como regente’”, recorda Boffa.
O discípulo afirma que era “indescritível” a relação de seu mestre com a música. “Certa vez, o ouvi tocar ‘Desafinado’ do jeito que Bach, Ravel, Beethoven e Debussy tocariam. Quando acabou, todos ficaram em êxtase. A gente não tinha o que dizer, o nível de conhecimento musical dele era muito louco”, recorda.
“OFERENDA”
. Disco de Marinho Boffa
. Kuarup
. Nove faixas
. Disponível nas plataformas digitais
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