Nova versão de ‘Cabo do medo’ é atual e aterrorizante
Trama incorpora métodos contemporâneos e tecnológicos de cometer violência e intimidação, com Javier Bardem no papel do psicopata Max Cady
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Uma família é ameaçada por um homem obcecado por vingança. Em suma, este é o mote de “Cabo do medo”. Lançado em 1957 com o título de “The executioners”, o romance de John D. MacDonald vem, desde então, aterrorizando o imaginário popular. Primeiramente com os dois filmes (1962 e 1991), e agora com a minissérie, recém-lançada pela Apple TV.
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O terceiro dos 10 episódios estreia nesta sexta-feira (12/6). Os dois primeiros já deram uma mostra de que a propensão para a violência do psicopata Max Cady sobreviveu bem no mundo atual. Javier Bardem imprimiu sua assinatura ao psicopata.
O Max Cady do ator espanhol oferece uma combinação de tensão sexual com transtorno de personalidade. O visual é kitsch, com tatuagens a toda prova, olhos azuis de lentes de contato e ternos extravagantes, onde cabe até mesmo um chapéu Panamá.
Uma das estrelas da programação da Apple deste ano, “Cabo do medo” chegou com o aval de Martin Scorsese, o diretor do filme de 1991, e Steven Spielberg, que também produziu o longa. Não dá para esquecer, tantos anos depois, a sequência em que o personagem de De Niro enfia o dedão na boca de uma então muito jovem Juliette Lewis. Scorsese e Spielberg assinam a produção criada por Nick Antosca. O elenco principal traz também Amy Adams e Patrick Wilson, além dos jovens Lily Collias e Joe Anders.
Com muito mais tempo de tela, a história teve que crescer. No original, a vingança de Cady era voltada para seu advogado, Sam Bowden. Na série, a trama se expande. “Cabo do medo” tem início com o suicídio da ex-amante de Cady. Esta deixa uma carta cheia de detalhes explicando que foi ela quem assassinou a mulher grávida dele. Sem culpa no cartório, Cady deixa a prisão depois de 17 anos de cumprimento de pena.
Paralelamente, acompanhamos a família Bowden em um almoço em seu belo jardim em Savannah, na Geórgia. Anna (Adams) é a estrela do momento. Advogada de uma organização que comuta penas de pessoas condenadas injustamente, ela se prepara para um grande evento para arrecadação de fundos.
Tom (Wilson) é advogado de defesa de um escritório importante. Eles têm um casal de filhos: a obediente Natalie (Collias) e o adolescente Zach (Anders), que está se curando de um trauma na escola.
A casa está passando por uma reforma interminável. E ela começa a cair, não literalmente, quando o casal descobre que Cady foi solto. É quando a ‘família margarina’ desaparece. Na verdade, Anna e Tom se conheceram durante o julgamento de Cady. Anna era a advogada dele; e Tom, o promotor.
Ela estava no final da gravidez de Natalie. Logo que o veredito sai, o bebê nasce. Tempos depois, advogada e promotor se casam. Não é de espantar que Cady os culpe por sua condenação.
Isto é só o início de uma história para lá de complicada. Cady, solto, se torna uma estrela, inclusive dentro da organização em que Anna trabalha. A vida dos Bowden, logo veremos, já era bem complicada antes da chegada do intruso insano, que se infiltra de maneiras inimagináveis, atingindo cada um dos quatro para concluir sua vingança.
O interessante em acompanhar uma história que boa parte do público já conhece é sua atualização. Além das reviravoltas e da chegada dos novos personagens, “Cabo do medo” coloca em jogo questões relevantes.
Manipulação por meio da tecnologia, inteligência artificial, humilhação por meio das redes sociais. A série nos lembra o tempo inteiro que a tranca da porta pode estar funcionando, mas que ninguém está a salvo de uma ameaça virtual.
A presença de Bardem e de Amy Adams, muito sincera em todas as imperfeições de Anna, são a cereja do bolo de uma trama que acerta o tom, mesmo quando soa um tanto exagerada.
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“CABO DO MEDO”
• Minissérie da Apple TV com 10 episódios. Nesta sexta (12/6), será lançado o terceiro. Novos episódios às sextas.