Renato Noguera alerta para avanço da 'machosfera' e da misoginia
Filósofo participa do Sempre Um Papo nesta segunda (8/6), em BH, e defende o debate sobre gênero como ferramenta de combate à violência contra as mulheres
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Autor de “Mulheres e Deusas - como as divindades femininas formaram a mulher atual”, o filósofo e professor Renato Noguera é o convidado desta segunda-feira (8/6) do projeto Sempre Um Papo. O debate sobre a obra será realizado às 19h, no Auditório do TCEMG, com mediação de Afonso Borges e entrada gratuita.
Publicado pela primeira vez em 2017, o livro reúne reflexões sobre figuras femininas presentes em diferentes tradições. Doutor em Filosofia, escritor e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Noguera conta que a motivação para escrever a obra surgiu do desejo de revisitar mitos e compreender como essas narrativas ajudam a explicar as relações de gênero construídas ao longo da história.
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“Os mitos são fotografias do nosso imaginário, retratos de um inconsciente coletivo. Compreender como eles funcionam nos ajuda a desnaturalizar processos históricos de opressão contra as mulheres”, afirma o autor.
Na avaliação do professor, essas narrativas também podem contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária. “O que esses mitos nos trazem é justamente uma potência muito grande de promoção de políticas para um imaginário de equidade de gênero”, diz.
Ao longo do livro, o filósofo analisa narrativas míticas gregas, iorubás, judaico-cristãs e guaranis. Personagens como Athena, Oxum, Eva e Naya aparecem na obra. Segundo o autor, essas figuras apresentam formas de resistência diante das opressões estruturais impostas às mulheres ao longo dos séculos.
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“São figuras míticas que, em certa medida, se atravessam, conversam e dialogam naquilo que é mais relevante: a resistência às opressões estruturais de gênero que a sociedade patriarcal tem imposto por séculos”, afirma.
Igualdade de gênero
Para o autor, as discussões sobre igualdade de gênero não podem ser vistas como uma pauta exclusiva das mulheres, mas escrever sobre o tema a partir de uma perspectiva masculina exige cuidado.
“Partir de um lugar de fala masculino é um desafio. Quando falamos de relações de gênero, os homens estão incluídos. Meu intuito sempre foi implicar nós, homens, no debate, na luta e na resistência contra a violência de gênero”, comenta. O filósofo defende que o enfrentamento das desigualdades passa pela participação dos homens. “Precisamos ampliar os direitos das mulheres não apenas no papel, mas no cotidiano”, acrescenta.
Quase 10 anos depois do lançamento, Noguera acredita que o livro continua atual. Para ele, o crescimento de discursos “masculinistas” e o aumento dos casos de violência contra as mulheres tornam o debate ainda mais urgente.
“Quando temos uma sociedade em que a machosfera e os movimentos masculinistas estão em alta, problematizar a naturalização da desigualdade de gênero é algo fundamental. Precisamos enfrentar esse imaginário. O livro é uma tentativa de contribuir para que os homens se impliquem na prevenção da violência de gênero”, diz.
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Com Renato Noguera. Mediação: Afonso Borges. Nesta segunda-feira (8/6), às 19h, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (Av. Raja Gabaglia, 1.315, Luxemburgo). Entrada gratuita.