Rui Ricardo grava como o policial Vitor Morello em "Impuros", que estreou em 2018. Ator diz que ele o personagem envelheceram juntos - (crédito: Helena Barreto/divulgação)
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Aos 48 anos, o ator Rui Ricardo Diaz vive um dos momentos mais importantes de sua carreira. Com três projetos lançados nos últimos dois meses – os filmes “Rio de sangue” e “Cinco tipos de medo”, além da série “Impuros”–, atualmente está rodando o longa “Amalia y El Diablo”, coprodução espanhola, argentina, uruguaia e brasileira.
Mineiro de Santa Maria do Suaçuí, no Vale do Rio Doce, Rui se mudou aos 4 anos para São Paulo com a família. Por influência do pai, violonista e cantor da noite, começou a estudar teatro aos 13 anos.
“Soube ali o que queria fazer, não tive muitas dúvidas. Aliás, não tive nenhuma dúvida. Quando chegou o momento da faculdade, já estava certo do que faria. Estudei na PUC-SP e depois estudei em Londres. Nunca mais parei.”
Formado em teatro pela PUC, Diaz se especializou em mímica corporal na capital inglesa. De volta ao Brasil, fez papéis marcantes. No filme “Lula, o filho do Brasil” (2009), dirigido por Fábio Barreto e Marcelo Santiago, interpretou Luiz Inácio Lula da Silva na época em que era líder sindical.
“Fazer o Lula foi um fenômeno, um acontecimento. Era impressionante a quantidade de jornalistas que me ligavam para perguntar mil coisas sobre tudo, não apenas sobre meu trabalho e o filme. Perguntavam até sobre economia. Foi um presente interpretar personagem tão icônico, um dos políticos mais importantes não apenas do Brasil, mas do mundo”, afirma.
Desafios
Atualmente, Diaz se divide entre cinema, TV e teatro. “Gosto de trabalhar como ator e cada uma dessas áreas oferece desafios distintos. O teatro é a base, o lugar em que me formei, comecei, trabalhei e para onde eventualmente volto. Ali você está junto do público, há a energia do espectador ao vivo. Cinema é uma delícia, porque você tem a possibilidade de construir o personagem em momento mais curto, de duas horas ou até menos. É possível construí-lo de forma mais artesanal. Já as séries e a TV têm outro tipo de linguagem, oferecendo vários desafios. É possível ir construindo o personagem ao longo de um certo tempo, às vezes até anos”, diz.
Isso ocorreu em “Impuros”, série do Disney+. Rui Ricardo faz o papel do policial federal Vitor Morello há nove anos – a atração começou a ser gravada em 2017 e estreou em 2018. Rui diz que seu personagem é obstinado, vive à margem e não consegue se relacionar com ninguém.
A sexta temporada de “Impuros”estreou em 1º de maio e a sétima está sendo gravada. É uma das maiores produções brasileiras no ar. O objetivo do personagem Morello é prender o traficante Evandro (Rafael Logan).
O ator afirma que seu personagem é policial federal competente, mas as dificuldades do sistema público fazem com que adote uma ética particular.
“Tanto tempo construindo um personagem e você acaba envelhecendo com ele, trazendo coisas novas e também aprendendo com ele. Uma das razões do sucesso da série é que, embora seja trama policial, ela trata, no fundo, de relações familiares, humanas”, comenta. De acordo com o ator, o tráfico e o jogo de interesses em torno das drogas servem de pano de fundo para a profundidade das relações dos personagens.
Rui Ricardo Diaz faz o papel do policial João em 'Anaconda', filme americano lançado em 2025
Sony Pictures/divulgação
Produções internacionais também fazem parte da agenda do ator. No ano passado, ele integrou o elenco de “Anaconda”, filme dirigido por Tom Gormican, ao lado de Jack Black, Paul Rudd e Selton Mello.
“Foi uma megaexperiência, porque estamos falando de produção hollywoodiana, com o filme estreando no mundo inteiro, falado em inglês e português. Foi sensacional contracenar com aqueles atores”, afirma.