SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Chico Buarque está processando a Meta pelo uso de uma de suas músicas como trilha de um vídeo postado por um perfil bolsonarista.

"Apesar de Você" foi utilizada num vídeo compartilhado no Instagram pela página Margem Direita, que debocha do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

No vídeo, Moraes aparecia em cenas violentas e caricatas, vestindo roupa de carrasco e ao lado de uma guilhotina. Em decisão liminar, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a remoção do conteúdo das redes sociais.

Procurada, a Meta não quis se manifestar.

Após a identificação dos endereços de IP usados para acessar as contas investigadas no processo movido contra a Meta, os advogados do cantor pretendem usar essas informações para processar as pessoas físicas que fizeram a postagem.

"Foi com muita dor, tristeza e indignação que Chico Buarque tomou conhecimento de publicações feitas com inteligência artificial em que obra de sua autoria foi indevidamente utilizada como parte de material audiovisual publicado no Instagram, em violação aos direitos de autor", afirma o texto da petição.

Os advogados João e Maria Isabel Tancredo dizem que os direitos autorais foram infringidos. Segundo eles, o uso "torna-se ainda mais grave" porque fere também o direito moral do autor "de proteger sua obra de usos que violem sua reputação ou honra". Isso porque o conteúdo vincula a imagem do artista, historicamente conhecido pelo seu posicionamento à esquerda, a um material bolsonarista – tanto em forma quanto em conteúdo.

O Ecad, escritório que faz arrecadação de direitos autorais e distribui entre os artistas, tem acordos com as plataformas digitais que permitem que usuários utilizem músicas em postagens pessoais dentro das ferramentas oferecidas pelas plataformas. No caso de vídeos editados ou animações de grande alcance, porém, deve-se pagar os direitos ao autor da música, segundo a instituição.

 

Em 2021, o compositor casou-se com a advogada Carol Proner em um cartório de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Redes Sociais/Cartório de Itaipava
O artista tem seis netos, entre eles o músico Chico Brown e a atriz Clara Buarque (filhos de Carlinhos Brown com Helena Buarque). Instagram @chicobuarque
Chico Buarque foi casado por 33 anos, de 1966 a 1999, com Marieta Severo. Com a atriz, teve as filhas Silvia (atriz nascida durante o exílio do cantor na Itália), Helena e Luísa. Reprodução
O compositor tem um campo no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro, onde está sediado o Polytheama, time que fundou e conta com uniforme e até hino. No local, ele promove partidas com amigos. Instagram @acervochicobuarque
Uma das grandes paixões de Chico Buarque é o futebol. Ele é torcedor do Fluminense e comparece em jogos do clube no Maracanã. Flickr Aquivo Nacional do Brasil
Seu último álbum de inéditas foi “Caravanas”, de 2017. Em 2022, lançou o single “Que Tal um Samba?”, tema de uma turnê que fez na sequência ao lado da cantora Mônica Salmaso. Instagram @chicobuarque
Em 1998, Chico Buarque foi tema do enredo da Mangueira, sua escola do coração, no Carnaval do Rio de Janeiro. Com “Chico Buarque da Mangueira”, a Verde-e-Rosa encerrou jejum de 11 anos e conquistou o 17º título de sua história. Rodrigo Propósito/Wikimédia Commons
De lá para cá, ele lançou mais cinco romances (“Benjamin”, “Budapeste”, “Leite Derramado”, “O Irmão Alemão” e “Essa Gente”), além do livro de contos “Anos de Chumbo”, e venceu o Prêmio Camões (2019), o mais importante da literatura em língua portuguesa. No período, Chico lançou discos em média a cada cinco anos. Ricardo Stuckert
A partir dos anos 90, Chico dividiu a carreira de compositor e cantor com a de escritor. Em 1991, publicou o romance “Estorvo”, que venceu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance no ano seguinte e recebeu uma adaptação para o cinema. Divulgação
Entre os parceiros mais frequentes de Chico Buarque em canções estão Tom Jobim (o seu “maestro soberano”), Edu Lobo e Francis Himes. Ao lado de Tom, ganhou o Festival Internacional da Canção de 1968 por “Sabiá”, interpretada pelas irmãs Cynara e Cybele, do Quarteto em Cy. Domínio Público/Wikimédia Commons
Chico também ganhou notoriedade como compositor para trilhas sonoras de filmes, como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (adaptação de Bruno Barreto para romance de Jorge Amado, em 1976) e “Bye Bye Brasil” (de Cacá Diegues, em 1979). Divulgação
Diante do cerco às suas obras, em 1974 o artista lançou o álbum ‘Sinal Fechado”, em que interpreta canções alheias, de Tom Jobim, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e outros emblemas da MPB. Instagram @chicobuarque
O artista esteve presente na Passeata dos Cem Mil, manifestação contra a ditadura, no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968. Domínio Público/Wikimédia Commons
Algumas músicas de Chico, em composição solo ou parceria, se tornaram hinos contra a ditadura. Exemplos de “Cálice”, com Gilberto Gil e “Apesar de Você”. Instagram @chicobuarque
Chico foi um dos compositores mais censurados pela ditadura militar (1964 - 1985). Não foram poucas as canções que tiveram versos alterados por ordens do censores, como “Samba de Orly”, parceria com Toquinho e Vinícius de Moraes, “Partido Alto” (foto) e “Tanto Mar”, canção alusiva à Revolução dos Cravos, em Portugal. Flickr Aquivo Nacional do Brasil
Entre os mais importantes está “Construção”, de 1971, com faixas compostas entre o período de exílio na Itália e o retorno para o Brasil. O álbum aparece na terceira colocação em eleição dos cem maiores discos da música brasileira da revista Rolling Stones. Reprodução/Carlos Leonam com arte de
Em quase 60 anos de carreira, Chico Buarque lançou 37 álbuns de estúdio, além de mais de duas dezenas entre gravações ao vivo de shows e coletâneas. - Instagram @acervochicobuarque
No mesmo ano, lançou seu primeiro LP, â??Chico Buarque de Hollandaâ?. A capa do disco, que traz duas fotos de Chico, uma rindo e outra com expressão séria, virou meme nos últimos anos na internet. Reprodução
Chico Buarque começou a fazer sucesso em 1966, ao vencer o II Festival de Música da Record com a canção “A Banda”. Ele dividiu o palco com Nara Leão e o prêmio com “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, interpretada por Jair Rodrigues. Reprodução do Flickr Lidia M
Em 1965, o artista teve seu primeiro registro em disco com compacto simples pela RGE que trazia as canções “Pedro Pedreiro” e “Sonho de Um Carnaval”. Flickr Cláudio Maranhão
Nos anos 60, quando estudava na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da USP, Chico iniciou sua carreira musical e largou o curso no terceiro ano. Domínio Público/Wikimédia Commons
Na infância, Chico morou com a família em São Paulo e na Itália - país em que iria se exilar anos mais tarde, entre 1969 a 1970, após o recrudescimento da ditadura militar com a edição do AI-5 no fim de 1968. Instagram @acervochicobuarque
Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Ele é o quarto de sete filhos do historiador Sérgio Buarque de Hollanda (1902 - 1982), autor do clássico “Raízes do Brasil”, e da pintora e pianista Maria Amélia Cesário Alvim (1910-2010) Flickr Aquivo Nacional do Brasil
Um dos mais importantes artistas brasileiros, o compositor, cantor e escritor Chico Buarque de Hollanda comemorou 81 anos em 19/06/2025. Instagram @chicobuarque
Chico Buarque busca, por meio dessa medida, proteger sua reputação e combater a desinformação sobre a Lei Rouanet. O processo reforça a importância da responsabilidade pública em tempos de fake news. Reprodução Instagram
Ratinho disse que Chico “bebe champanhe, come caviar e pega dinheiro da Lei Rouanet”. A fala foi considerada ofensiva e infundada, já que o artista nunca foi beneficiado pela lei em questão. A Justiça abriu prazo para que o comunicador apresente provas ou publique uma retratação oficial. Reprodução Instagram
Chico Buarque entrou com uma ação judicial contra Ratinho por declarações feitas na rádio Massa FM, em setembro de 2025. O apresentador afirmou que o engajamento político do cantor estaria ligado a supostos benefícios obtidos por meio da Lei Rouanet. Flickr Raphael Vianna

A página Margem Direita compartilha uma série de animações feitas em inteligência artificial que debocham de figuras ligadas à esquerda ou anti-Bolsonaro, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Janja, Erika Hilton (PSOL) e os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

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Outros vídeos no feed da página têm músicas de artistas como Milton Nascimento e Elizeth Cardoso, além de artistas estrangeiros, como Lady Gaga, 50 Cent e Pink Floyd.

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