Quando a pandemia chegou, Amanda Diniz teve um pensamento incômodo: “O mundo vai acabar e eu vou morrer advogada”. Quinze anos depois de deixar Governador Valadares para cursar direito em Belo Horizonte, ela decidiu apostar todas as fichas na música, atividade a que já se dedicava de maneira descompromissada desde a adolescência.
Hoje, sob o nome de Amandona, acumula shows, bloco de carnaval, disco autoral e tem meta ousada, que revela uma personalidade que transita entre o humor e a ambição: “Meu plano de dominação mundial”. Amandona é a convidada desta semana do podcast Divirta-se, do Estado de Minas. O episódio completo está disponível no canal de YouTube do Portal Uai e no Spotify.
Leia Mais
O apelido derivado do nome da artista surgiu ainda na juventude e foi incorporado como identidade, servindo como espécie de manifesto de ocupação de espaço. “Sempre fui uma mulher popular, mas também uma mulher gorda. Isso faz muita diferença quando você está tentando entender o seu lugar no mundo”, disse. “A música me trouxe para um lugar de reconhecimento para além do que era óbvio para mim”, explicou.
Amandona começou a tocar cedo. Aprendeu violão com 14 anos e, um ano depois, já estava tocando em um bar de Governador Valadares, graças ao dono da cantina da escola onde estudava. Ele também era o dono do estabelecimento onde ela estreou na noite.
Em Belo Horizonte, para onde se mudou há cerca de 15 anos, a trajetória se repetiu. Entre faculdade de Direito, estágios e os primeiros anos trabalhando como advogada, seguiu cantando em bares. Até que um convite para integrar o bloco Alô Abacaxi (hoje Abalô-caxi) mudou tudo. Diante da multidão de foliões, percebeu a vocação para a música.
“Eu pensei: ‘É aqui que eu quero ficar’”, lembrou. A decisão definitiva, no entanto, veio durante a pandemia. Com “dois reais, um sonho e alguns amigos”, como resumiu, ela passou a estruturar a carreira de maneira profissional. Fez circuitos de música autoral, arrumou uma empresária – hoje sua esposa, Helena – e, pouco a pouco, começou a desenhar uma estratégia de expansão, o tal “plano de dominação mundial”.
Novas possibilidades
Ainda que a expressão seja dita com ironia, a ambição é verdadeira. Para Amandona, se as portas não se abrem, ela tenta encontrar outras entradas. Foi assim em 2024, quando abriu o show “Ana canta Cássia”, de Ana Carolina, no Palácio das Artes. “Descobri quem fazia a curadoria da agenda da Ana Carolina e liguei perguntando se eu poderia abrir o show”, contou, bem-humorada.
O trabalho autoral veio no ano seguinte. Produzido por Luiza Brina, o álbum “Se eu pudesse te beijava até a voz” apresentou uma artista multifacetada, que transita pelo samba, blues, jazz, baladas e canções mais próximas da MPB.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Amandona segue fazendo shows de lançamento do disco, conciliando com as apresentações em homenagem a Rita Lee e Marília Mendonça. Fora dos palcos, criou a Casa Domina, espaço idealizado em Santa Tereza para hospedar e conectar artistas. Eventualmente, realiza shows no local. “É porque lá é o lugar para tomar um café, comer um pão de queijo, jogar conversa fora e tocar um violão”, diz.
