Música

Loulu, caçula de João Gilberto, lança disco inspirado nas lições do pai

Cantora, de 21 anos, gravou músicas dos anos 1940 e 1950 aprendidas em casa com João, além de homenagens a Garoto e Caetano Veloso

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Filha caçula de João Gilberto, fruto da união do cantor com a jornalista e artista plástica Cláudia Faissol, Luísa Carolina Gilberto, de 21 anos, resolveu seguir os passos do pai. Bem de perto.

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Nesta quinta-feira (21/5), ela disponibiliza nas plataformas seu álbum de estreia, “Loulu Gilberto”. O repertório traz músicas, ouvidas por Luísa em casa, que orbitam o universo de referências do criador da batida da bossa nova.

O disco “Loulu Gilberto” transita entre samba, jazz, samba-canção, cantigas de ninar e o baião “Qui nem jiló”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que João admirava.

O repertório remonta, principalmente, aos anos 1940 e 1950, com “Joujoux e balangandãs” (Lamartine Babo), “Cuidado com o andor” (Mario Lago/ Marino Pinto), “Dorme que eu velo por ti” (Mário Rossi/ Roberto Martins), “Tea for two” (Irving Caesar/ Vincent Youmans) e “Mr. Sandman” (Pat Ballard), entre outras.

Loulu diz que o pai entoava essas canções em casa. “Elas estão num lugar da minha memória. Ele cantava e eu ouvia. Quando encontrei as gravações para montar o repertório, soaram familiares”, afirma. Apenas duas faixas não foram aprendidas com João: “Avarandado”, que Caetano e Gal Costa registraram no álbum “Domingo” (1967), e “Duas contas”, de Garoto.

“A seleção do repertório foi guiada pelas lembranças que tenho do meu pai tocando e cantando. Essas duas músicas são exceções. 'Avarandado' é homenagem minha ao Caetano, que compôs, e ao Dori Caymmi, que fez os arranjos. 'Domingo' é um disco de que gosto muito. 'Duas contas' é homenagem ao Garoto”, diz Loulu.

 
 
 
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Um nome fundamental para a realização do álbum é o violonista Cézar Mendes, amigo de João Gilberto. Pouco antes de morrer, em 2019, o pai levou a caçula ao encontro do músico baiano para que ele lhe desse aulas de violão. Mas Loulou não quis aprender a tocar o instrumento, por acreditar que sua vocação era o canto.

“Quando meu pai faleceu, fiquei dois anos sem cantar, porque cantava com ele. Aquilo foi me entristecendo. Procurei o Cézar para ele me dar aula de canto, mas ele é professor de violão, então tocava para que eu cantasse, como era com o meu pai”, revela.

O músico Cézar Mendes e a cantora Loulu Gilberto estão lado a lado, dentro da piscina, e sorriem para a câmera. Ao fundo vê-se o céu azul
Cézar Mendes e Loulu Gilberto na Bahia. O compositor e violonista baiano teve papel fundamental no álbum de estreia da jovem cantora Cézar Mendes/Instagram/reprodução

As aulas fluíram, os dois ficaram amigos e Mendes tomou as rédeas da produção do álbum de estreia de Loulu, convocando Mario Adnet para dividir a função.

“Hoje em dia, Cézar é meu professor de violão. Fiquei reticente no início, porque tenho uma referência inalcançável. Tinha medo de comparações, mas com o tempo fui desmistificando isso”, destaca, referindo-se a João Gilberto.

Convidados especiais

Loulu diz que o convite a Adnet para coproduzir o disco foi muito acertado. “Mario é grande conhecedor da obra do meu pai. Ele fez uma homenagem, gravou 'João Gilberto eterno' no Japão. Os dois conversavam muito por telefone. Tudo nesse disco parece que já estava escrito, fomos meros operários dessa coisa toda”, afirma.

“Loulu Gilberto” conta com as participações especiais de Tom Veloso, em “Avarandado”; Daniel Jobim, tocando piano em “Tea for two”; e Mariana Carvalhosa, que divide com a anfitriã os vocais em “Joujoux e balangandãs”.

Todos os três são ligados a Cézar Mendes. Loulu sempre esbarrava com eles nas aulas de violão. “Daniel era muito amigo do meu pai, sempre tive um carinho grande por ele. Maria é grande amiga. Quando falei que queria gravar 'Joujoux e balangandãs' e mostrei a versão que meu pai fez com Rita Lee, ficou emocionadíssima, porque a mãe cantava quando ela era pequena. As coisas foram acontecendo e, quando vi, estava feito”, ressalta.

Cantor João Gilberto abraçado com a filha caçula, Luisa, quando ela era pequena
João Gilberto com a caçula Luísa Carolina Loulu Gilberto/Instagram

Loulu define seu álbum de estreia como o cultivo da memória. “Tenho ouvido muito Dolores Duran, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Nara Leão, Lúcio Alves, Orlando Silva, Jorge Veiga... É uma lista extensa. Me encantei pela pesquisa. Também tenho ouvido a produção dos Anjos do Inferno nas décadas de 1930 e 1940. Meu pai roubava várias músicas do repertório deles. São canções que ele ouvia na infância e passou para mim. (O disco) Tem essa relação bonita das influências transmitidas pelo afeto”, diz a cantora.

Do estúdio para o palco

Loulu planeja se apresentar no segundo semestre. Diz que essa “é a parte mais legal”, mas admite que o palco não é o lugar onde se sente mais confortável.

“É uma coisa que preciso trabalhar, mas já fiz teatro e shows. Me apresentei em Juazeiro (terra de João Gilberto), no festival em homenagem à bossa nova, que foi muito bacana. Já estive em palcos como cantora e atriz, então não chega a ser uma coisa completamente nova ou estranha para mim”, revela.

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“LOULU GILBERTO”

• Álbum da cantora Loulu Gilberto
• 13 faixas
• Sony Music
• Disponível a partir desta quinta-feira (21/5) nas plataformas

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