Ballet Jovem Minas Gerais estreia ‘Mi corazón’
Companhia de dança apresenta outras duas coreografias de seu repertório em espetáculo nesta sexta (1º/5) e sábado, no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas
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Melodrama, excesso, cores vibrantes e o universo feminino são características que formam a espinha dorsal do cinema do espanhol Pedro Almodóvar. São também os elementos que caracterizam o espetáculo inédito “Mi corazón”, do Ballet Jovem Minas Gerais.
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Como parte das celebrações do Dia Internacional da Dança, comemorado em 29 de abril, a companhia leva ao palco, nesta sexta (1º/5) e sábado, no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, um programa que reúne três coreografias de dança contemporânea.
Além de “Mi corazón”, assinada por Fred Veiga, o repertório inclui “Itinerário”, de Filipe Bruschi, que investiga a relação entre o indivíduo e a cidade. Ao final, será apresentada “Notório”, de Alessandro Pereira, que aborda o processo de afirmação da identidade e a necessidade de assumir quem se é.
Fred, coreógrafo há mais de uma década, retorna ao Ballet Jovem Minas Gerais com seu segundo trabalho para a companhia – o primeiro foi “E.L.A”, criado em 2023. Ambos nasceram de convites de Andrea Maia, diretora geral e artística do grupo.
“Mi corazón” começou a ser desenvolvida em novembro do ano passado e tem como tema central uma relação amorosa longeva. Em cena, um casal de bailarinos conduz a narrativa, atravessada por memórias, sensações e episódios marcantes que emergem da história de um longo relacionamento. “Há momentos de silêncio, de paixão, de ausência e de presença. É um diálogo em movimento. O casal dialoga, mas com o corpo”, explica Fred Veiga.
Para o coreógrafo, que também tem formação em cinema e audiovisual, a obra de Pedro Almodóvar serviu como ponto de partida conceitual. “Estudei a filmografia, assisti a muitas coisas e trouxe essa estética que as pessoas classificam como kitsch, associada ao exagero e ao melodrama”, conta.
Cores fortes
A referência se manifesta, em primeiro lugar, na construção visual do espetáculo, especialmente no uso expressivo da cor. Assim como nos filmes do diretor espanhol, nos quais a escolha das cores carrega intenção dramática, a coreografia incorpora esse recurso no figurino, na luz e nos elementos cenográficos, todos marcados, em especial, pelo vermelho.
Mas a influência não se restringe ao plano estético e se estende à própria estrutura dramatúrgica. Em cena, além do casal protagonista, sete bailarinas compõem um coletivo. “Os filmes do Almodóvar têm muitas mulheres como figuras centrais, especialmente mulheres fortes”, observa o coreógrafo.
Dentro dessa lógica, as figuras femininas operam como uma rede de apoio à personagem do casal e, ao mesmo tempo, como espelhos de suas experiências. “É quase um compartilhar de histórias. Um desabafo da protagonista com as outras mulheres e um desabafo dessas mulheres sobre o que elas percebem da relação, sempre a partir de experiências próprias”, afirma.
Fred ressalta, contudo, que a proposta coreográfica não segue uma narrativa linear, seja na dinâmica entre o casal, seja na relação com esse coletivo feminino. “A dança tem essa subjetividade. Não é igual a uma peça teatral que tem compromisso com a linearidade para que a história se faça entendida. O objetivo é criar um enredo que gere identificação na plateia. Para as pessoas assistirem e terem uma maneira de encarar a relação longeva, cada uma da sua forma”, diz.
BALLET JOVEM MINAS GERAIS
Programa composto pelas coreografias “Itinerário”, a inédita “Mi corazón” e “Notório”. Nesta sexta (1º/5) e sábado, às 20h30, no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.
Outros espetáculos em BH neste fim de semana
>>> “O PATINHO FEIO”
“O patinho feio”, nova montagem do Grupo Confesso, tem apresentações neste sábado (2/5) e domingo (3/5), às 16h, no Teatro da Cidade (Rua da Bahia, 1.341, Centro).
Na releitura, a pata Rosa vive em um lago onde todos se orgulham de seus talentos para a dança, mas ela não se encaixa no grupo. A coreografia é baseada no balé clássico e na obra de Tchaikovsky. Ingressos: R$ 50 e R$ 25 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.
>>> “MOANA”
“Moana, o musical” tem sessões neste sábado (2/5) e domingo (3/5), às 16h, no Teatro Francisco Nunes, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Av. Afonso Pena, 1.321, Centro).
Inspirada no filme da Disney, a peça acompanha uma jovem na jornada pelo oceano para salvar seu povo. Ingressos: R$ 70 e R$ 35 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteira do teatro, a partir das 14h.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes