Documentário sobre Zico investe em retrato da intimidade do craque
História de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro é contada com foco em suas atitudes e valores em ‘Zico, o samurai de Quintino’
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Maior ídolo do Flamengo, Zico está nu – não no sentido de despido, mas de revelado. Imagens que expõem bastidores inéditos da vida do jogador, com registros que vão da intimidade em casa a momentos pouco conhecidos da carreira, dão o tom no documentário “Zico, o samurai de Quintino”, de João Wainer, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros.
A produção do longa faz um mergulho em uma espécie de “museu pessoal” construído e catalogado ao longo dos anos.
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Esse acervo reúne imagens raras em Super-8, registros de bastidores e objetos históricos revisitados pela família, com participação direta de Sandra, esposa do ídolo rubro-negro há 50 anos. Ela participa ativamente da história ao acompanhar de perto toda a carreira de Zico.
O longa traz, também, depoimentos de personagens fundamentais da trajetória do camisa 10, como Júnior “Maestro”, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira e Ronaldo Fenômeno, equilibrando memória e análise.
João Wainer conta que o projeto já estava em curso havia três anos quando foi convidado para a direção. O pontapé inicial, ele explica, foi dos produtores da Vudoo Filmes e da Guará Entretenimento, que entraram em contato com Thiago Coimbra, filho de Zico, para propor o filme.
“Fui contratado mais para o meio do processo para dirigir, para achar o arco narrativo. Fiquei honrado, porque é uma história muito interessante”, diz. Ele chegou com a incumbência de fazer com que o longa fosse além de um simples documentário de futebol.
Traço da intimidade
“A ideia era buscar uma narrativa mais cinematográfica, um dispositivo que conseguisse levar para outro lugar, e acho que consegui, porque não fala só de futebol, mas também de amor, de família, de laços e de outros valores. Você só entende o atleta quando entende o cara que está ali por trás”, afirma.
Esse traço da intimidade e da personalidade de Zico foi o que mais o cativou ao longo dos pouco mais de dois anos de produção. Wainer sublinha uma frase de Zico que aparece logo no início do documentário como definidora de quem ele é.
“Ele diz que está há 60 anos no futebol e nunca perdeu um voo. Isso mostra o tamanho do comprometimento dele, o respeito pelos companheiros, o compromisso e a ética, o jeito que ele encara o esporte, a dedicação ao trabalho. Acho que o filme vai para esse lugar, de trazer um Zico humano e com valores que acho que fazem falta nos dias de hoje, quando o futebol está tão individualista”, ressalta. Além do acervo da família do jogador, o diretor também recorreu aos da TV Globo, do Flamengo e do Canal 100, que cedeu as películas.
Com relação aos depoimentos de pessoas que conviveram com Zico, ele explica que os convites para que participassem foi orientado em função de alguns núcleos que criou.
“Era como se tivéssemos três resenhas, três mesas, com um tema sustentando cada uma. Tem a mesa do Flamengo, tem a da Seleção Brasileira e tem a do Japão; aí tem uma mesa com família e uma com jornalistas”, diz. Do período que o camisa 10 passou no Japão, o longa traz imagens de gols inéditos e de bastidores.
Primeiro plano
João Wainer diz que essa é uma história que já foi contada, mas não como em “Zico, o samurai de Quintino”. Ele observa que, em termos de futebol, não há muito mais o que ser mostrado, por isso a opção de investir na intimidade.
"As histórias do futebol são todas conhecidas, é difícil achar algo novo. O que trazemos é um personagem que está em primeiro plano. Quem assistir vai entender como ele pensa e como opera no dia a dia”, afirma, acrescentando que o arco narrativo que chegou com a missão de construir inclui a tensão necessária.
“É difícil ser Zico, ficar na concentração, viajar, passar boa parte do ano fora, morar em outros lugares, perdendo aniversários, situações familiares importantes. O filme traz um pouco isso. Thiago fala da ausência do pai. Zico, em 1987, disse que precisava ser campeão, porque o Thiago ainda não tinha visto. Ele precisava ser campeão para cada um dos filhos; era o jeito de dizer que amava, que não podia estar na reunião de pais ou no aniversário por essa razão. Tem conflitos, não foi fácil, e o filme mostra isso da porta para dentro”, conta.
As filmagens tiveram início em 2023, ano em que Zico completou 70 anos, e passaram por locais emblemáticos de sua trajetória, como a casa em Quintino, as ruas do Rio de Janeiro e um set montado para receber convidados.
O projeto também percorreu o Japão, país onde ele se tornou um pioneiro e desenvolvedor do futebol, do time operário do Sumitomo à seleção japonesa. Wainer diz que foram os japoneses que melhor entenderam os valores e a disciplina de Zico, ao ponto de darem um nome para isso: “Spirit of Zico”.
MEIA-ENTRADA RUBRO NEGRA
A Downtown Filmes, distribuidora de “Zico, o samurai de Quintino”, preparou uma ação promocional voltada aos torcedores. O espectador que comparecer à bilheteria dos cinemas vestindo a camisa do Clube de Regatas do Flamengo terá direito ao benefício da meia-entrada.
A promoção é válida exclusivamente para esta primeira semana em que o filme está em cartaz. Trata-se, de acordo com a distribuidora, de um incentivo para que cada um preste sua própria homenagem ao maior ídolo rubro negro.
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“ZICO, O SAMURAI DE QUINTINO”
(Brasil, 2026, 103 min.) Direção: João Wainer. Documentário. Em cartaz em salas das redes Cineart, Cinemark e no UNA Cine Belas Artes