No universo de “The Boys”, super-heróis são mais um pilar no império capitalista dos Estados Unidos. Criados, comandados e comercializados pela empresa Vought, os supers não são exatamente “heróis”. A maioria, na verdade, beira a vilania. Enquanto outros são verdadeiros vilões, mascarados de “amigos da vizinhança” e queridinhos pelo público.
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A quinta e última temporada dessa produção que é um sucesso do Prime Vídeo estreou na última quarta-feira (8/4) e segue com episódios lançados semanalmente, até o dia 20 de maio. Nela, o temido Capitão Pátria (Antony Starr) exacerba ainda mais o comportamento de homem infantil e maluco que mata a sangue frio quem sequer imaginar contrariá-lo. Com a radicalização, conquista um número ainda maior de seguidores fiéis.
Logo no primeiro episódio, um personagem querido e que vivia um arco de redenção foi morto. Essa situação respalda o anúncio feito pelo ator Jack Quaid, o Hughie, que, em entrevista ao “The tonight show com Jimmy Fallon” descartou um final feliz para a série, afirmando que alguns personagens terão destinos fatais.
Na América do Norte tomada pela Vought e por super-heróis, dois lados separam os Estados Unidos: os “luz-estrelitas”, que seguem a heroína Luz Estrela (Erin Moriarty), também conhecida como Annie January, e os fanáticos pelo Capitão Pátria.
“The boys” é uma sátira política que lança mão de elementos do mundo real em sua trama. O personagem de Antony Starr é claramente inspirado em Donald Trump, o que leva o espectador a relacionar o embate Luz Estrela versus Capitão Pátria como Democratas versus Republicanos, mas em uma realidade muito mais sangrenta e absurda.
Na última temporada, os “bad boys” – Bruto (Karl Urban), Hughie (Jack Quaid), Francês (Tomer Capone), Kimiko (Karen Fukuhara) e Leitinho de Mãe (Laz Alonso) – estão ainda com mais sede de sangue para matar os supers. Desde o inicio da história, Bruto nutre ódio pelo Capitão Pátria – ou por todas as criações da Vought – e sempre tentou de tudo para acabar com o falso herói, mas nunca chegou perto de conseguir.
Na quarta temporada, alimentado pela vingança, tomou o composto V e se tornou o que mais despreza: um super. Um dos maiores segredos que cercam os novos episódios é se Bruto irá conseguir, finalmente, deter o Capitão Pátria.
Mas os problemas são um pouco maiores do que "apenas" matar o personagem mais odioso de “The Boys”. A quarta temporada da série e a segunda temporada do spin-off “Gen V” explicaram a criação do vírus que mata em segundos um super. Essa informação chegou até Bruto. Com todo o ódio e quase nenhum motivo para continuar vivendo, já que também se tornou um super e pode ser aniquilado pela criação, ele quer liberar a doença e matar todos os super-hérois.
Isso quer dizer não apenas ele, mas todas as criações da Vought, incluindo Kimiko e Luz Estrela, aliadas na luta contra o Capitão Pátria.
América dividida
Em “The Boys”, Capitão Pátria é o modelo conservador condizente com um país polarizado, em que a crescente onda conservadora se manifesta em distintos contextos sociais, mas especialmente no que se diz respeito ao preconceito contra negros, LGBTQIA+ e mulheres.
Considerado o super mais poderoso, o personagem chegou a um ponto em que suas falas e ações negativas estão imunes a reações contrárias – seus seguidores jamais deixarão de apoiá-lo. Descontrolado e sem medo de nada, o personagem se infla ainda mais ao perceber que é alvo de idolatria.
No contexto da polarização, a Vought segue lucrando. A empresa que “fabrica” supers utiliza de toda publicidade, negativa ou positiva, para vender a imagem dos super-heróis. Tudo é comercializado. Filmes, entrevistas, fotos, produtos com a imagem dos supers e aparições especiais dos heróis vão para o banco da empresa.
Desde a primeira temporada em 2019, a série se consolidou como um dos maiores sucessos do Prime Video, com uma trama em que realidade e ficção se encontram.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes
