O norueguês Jo Nesbo é uma estrela do romance noir. Já vendeu mais de 50 milhões de livros ao redor do mundo. Seu mais célebre personagem é Harry Hole, detetive rabugento, alcoólatra, roqueiro das antigas. O típico anti-herói. Já protagonizou 13 livros (no Brasil, é publicado pela Record), e o 14º está previsto para novembro.
Michael Fassbender foi o primeiro a interpretá-lo, no decepcionante filme “Boneco de neve” (2017). Agora, com o próprio Nesbo como criador, o anti-herói chega à Netflix. A série “Os casos de Harry Hole” tem nove episódios e um final que pode levar a nova temporada.
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Mistura de Fassbender com Jason Statham, o norueguês Tobias Santelmann interpreta Hole na trama adaptada do romance “A estrela do diabo” (2003). Décimo país em renda per capita do mundo, a Noruega tem verões amenos e invernos gélidos. Pois nesta história Oslo está em meio a onda de calor, com temperaturas acima dos 30 graus.
A capital norueguesa da série é um lugar sujo, com lixo nas ruas dominadas por prostitutas, viciados e sem teto.
Uma sequência de ação nos apresenta Hole. Em um carro desgovernado, ele está atrás de bandidos que seriam responsáveis pelo assalto a banco que resultou na morte de uma funcionária. Descuidado ao volante depois de alguns tragos, causa grave acidente. No banco do carona, seu parceiro morre instantaneamente.
A trama pula cinco anos. Hole continua obcecado pelo assalto a banco e se culpa pela morte do colega. Por outro lado, a vida pessoal está uma maravilha. Há mais de dois anos ele não coloca uma gota de álcool na boca. Em relacionamento sólido com Rakel (Pia Tjelta), está começando a vencer as barreiras com o filho dela, Oleg (Maxime Baune Bochud). Por fim, trabalha com a parceira e grande amiga Ellen (Ingrid Bolso Berdal).
Como todo carnaval tem seu fim, o mundo de Hole começa a cair quando a parceira é morta no que parece um acerto de contas de gangues. Ao mesmo tempo, outro colega, o sueco Tom Waaler (Joel Kinnaman), começa a colocar as mangas de fora. Está claro que é corrupto – a Lotus último modelo que dirige não deixa sombra de dúvida.
Waaler é limpo e gélido, enquanto Hole, fã dos Ramones e avesso a qualquer tipo de autoridade, é pura paixão.
Paralelamente, mulheres começam a ser assassinadas. Cada vítima tem um dedo decepado e recebe, “de presente”, um diamante avermelhado no formato de estrela. O serial killer está à solta.
Quando a investigação começa, Hole já foi para o buraco. Dominado pelo álcool, seu trabalho e sua vida pessoal entram em colapso. Para tentar se reerguer, ele se vê obrigado a trabalhar com Waaler.
O problema maior é o excesso de subtramas, que tira o foco do xis da questão, o assassinato das mulheres. A série também é excessiva no número de episódios – com três a menos, a história se resolveria bem. Mas há bons motivos para acompanhá-la, a começar pelo elenco.
Cheia de ironias, a produção tem visual fora do padrão. As imagens são sempre muito saturadas, com amarelos e verdes fortes. É uma estética bem diferente de outros policiais nórdicos, escuros e sem cor.
A cereja do bolo é a trilha sonora, assinada por Nick Cave e seu parceiro, Warren Ellis. Além da música incidental, somos presenteados com petardos de Ramones e Violent Femmes. Isso já vale a viagem.
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“OS CASOS DE HARRY HOLE”
A série, com nove episódios, está disponível na Netflix
