Série sobre a tragédia do césio-137 em Goiânia é Top 1 da Netflix
'Emergência radioativa' usa ficção e realidade para contar a história do desastre ocorrido em 1987, catástrofe nuclear que chocou o mundo
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Em 1987, catástrofe radioativa assombrou o Brasil e o mundo. Catadores de lixo desmontaram equipamento de uma clínica abandonada de Goiânia, encontrando cápsula que continha 19g de césio-137, vendida a um ferro velho.
Aquele pó azul brilhante causou um dos piores desastres fora de usinas nucleares, matando quatro pessoas de imediato, contaminando gravemente outras 249 e deixando cerca de seis mil toneladas de lixo tóxico.
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Com cinco episódios e direção de Fernando Coimbra, a série “Emergência radioativa” (Netflix) relembra a tragédia, mesclando realidade e elementos fictícios. Os nomes das vítimas foram preservados.
A produção, que estreou no último dia 18, alcançou o top 4 global da Netflix. No fim de semana, “Emergência radioativa” ocupou o primeiro lugar no ranking brasileiro da plataforma.
O personagem principal é Márcio (Johnny Massaro), físico nuclear inspirado em pesquisadores que atuaram no caso, sobretudo Walter Mendes Ferreira. Em Goiânia para visitar o pai, Márcio é acionado pelo amigo médico que suspeita da contaminação de pacientes por radiação.
A partir desse momento, a trama vai e volta na linha do tempo. A tragédia do césio-137 muda radicalmente a vida da família de Evanildo (Bukassa Kabengele), o dono do ferro-velho, e Antônia (Ana Costa). O mesmo ocorre com Catarina (Marina Merlino), João (Alan Rocha) e os filhos, o adolescente Claudinei (Enzo Ignácio) e a menina Celeste (Mari Lauredo).
Contaminados, eles ficam de quarentena, assim como os catadores e as pessoas que tiveram contato com o césio.
Além do físico Márcio, tem papel crucial na trama o Doutor Orenstein (Paulo Gorgulho), integrante da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
“É uma história com muitas camadas, muitas delicadezas. Para construir a Catarina, foram fundamentais os processos de troca no set com os parceiros de cena. O vínculo familiar se estendeu para fora da tela”, conta Marina Merlino, que interpreta Catarina.
A atriz destaca a importância e a responsabilidade de retratar aquele acontecimento. O desespero tomou conta de Goiânia. Não havia redes sociais nem internet, mas informações falsas se espalharam, gerando histeria generalizada.
Caixão apedrejado
Celeste, filha de Catarina, é inspirada em Leide das Neves, que passou o pó brilhante no corpo e perdeu a vida com 6 anos. O enterro da criança é um dos momentos mais impactantes da série. Manifestantes jogam pedras e cruzes em direção ao caixão, como ocorreu em 1987.
“Fizemos vários takes. Em um deles chorei muito, no outro estava com muita raiva. É uma dor impossível de imaginar”, diz Marina Merlino.
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Para a atriz, o sucesso da série pode trazer impacto positivo para as vítimas, além de conscientizar a sociedade sobre a catástrofe ocorrida há 38 anos, fato que muita gente desconhece.
“De repente, vão pesquisar, falar a respeito, querer saber sobre o processo de responsabilização, sobre como estão as vítimas, se elas estão recebendo assistência. É uma potência muito grande”, afirma Marina.
De acordo com a Associação das Vítimas do Césio-137, passou de 60 o número de mortos na catástrofe, vítimas de problemas pulmonares e câncer. Houve também muitas amputações.
O governo goiano paga pensão a 603 pessoas afetadas pela tragédia.
Congelados por sete anos, os valores do benefício foram reajustados após aprovação de projeto na Assembleia Legislativa na quinta-feira (26/3) – oito dias após a estreia do seriado da Netflix. Os novos valores variam de R$ 1.621 a R$ 3.242.
“EMERGÊNCIA RADIOATIVA”
• Série com cinco episódios, dirigida por Fernando Coimbra. Disponível na Netflix.
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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria