Daniel Gnatali vem de família de artistas: sobrinho-neto do maestro Radamés Gnatali, é filho do compositor e professor Roberto Gnattali e irmão das cantoras Nina e Laura Becker crédito: Elisa Maciel/divulgação
Nascido em família de artistas, o cantor, compositor e instrumentista carioca Daniel Gnatali não nega o DNA. Acaba de lançar nas plataformas digitais o álbum independente “Antes do Sol”, com cinco canções. Todas autorais, para fazer jus ao clã. Sobrinho-neto do grande maestro e compositor Radamés Gnattali (1906-1988), ele é filho do instrumentista, arranjador e compositor Roberto Gnattali e irmão de Nina e Laura Becker.
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Nina é cantora, artista visual, cenógrafa e diretora de arte. Também cantora, Laura é percussionista, atriz, palhaça e capoeirista. Por sua vez, Daniel, que decidiu assinar o sobrenome da família com apenas um “t”, tem carreira de 20 anos nas artes visuais. Formado em design gráfico, é ilustrador, já expôs e toca violão desde muito jovem.
As canções de “Antes do Sol” falam de saudade, esperança, nascimento e resignação. “É um trabalho otimista, tem leveza e suavidade na abordagem melódica e harmônica, assim como nas letras e significados. Esse disco tem a coisa de sonho, a gente trouxe a estética dos anos 1960/1970 para representar. Ele também representa o meu lado folk. É o meu lado Beatles, como gosto de resumir, porque adoro os Fab Four”, diz Daniel.
Lidia Becker, mãe dele, fã dos Beatles, passou o gosto para o filho. “Uma de minhas primeiras memórias musicais é a fita cassete com a trilha sonora do filme ‘Help’”, conta Daniel.
Feliz com seu novo projeto musical, ele diz que trabalhou com as pessoas que ama: as irmãs e o amigo Antônio Guerra, pianista, arranjador, compositor e produtor de “Antes do Sol”.
Aliás, o carioca anuncia o segundo álbum ainda para este ano. “Será um disco mais MPB, mais solar, mais pé no chão, com sambas, grooves e forrós. Tenho esse dois lados, folk e MPB, muito presentes.”
A cantora Nina Becker influenciou fortemente o irmão. “Ela me deu dois discos dos Beatles na adolescência. Então, tem a ver com ela o movimento desse primeiro disco, mais introspectivo, mais onírico e misterioso de certa maneira. Nina canta a primeira faixa”, diz, referindo-se a “Ventre a luz do mundo”.
“Já a Laura, que é da capoeira e morou na Bahia, é da praia e canta no segundo disco. Então, Nina abre o primeiro e Laura fecha segundo”, detalha.
Pandemia
O repertório de Daniel é antigo, vem desde 2009. “Fui compondo ao longo dos anos”, afirma, explicando que não deixou de tocar enquanto trabalhava como artista visual.
“Comecei a gravar minhas músicas em 2010, mas sem muita visão do que queria. Passou um tempo e meu amigo Antônio Guerra deu a ideia de fazermos um disco”, relembra. Só em 2019 a ideia do álbum foi retomada. Mas veio a pandemia e ele morou por quatro anos em Visconde de Mauá, no interior do Rio de Janeiro.
“Lá, compus outras músicas. Uma delas está no disco:‘Quando me mudei’, que fala da minha ida para o mato. No final de 2023, resolvemos retomar. Guerra me encorajou e gravamos até final de 2025”, diz.
Além de cantar e compor, Daniel Gnatali assina a identidade visual das capas de discos e dos clipes lançados por ele Daniel Gnatali/divulgação
O próprio Daniel faz as capas de seus singles e discos, além de criar clipes e conteúdo para a internet. Em breve, vai lançar o clipe de “Quando me mudei”.
“Esta faixa representa bastante o meu trabalho, em termos identitários e criativos. Tem brasilidade e rock, mistura que ficou legal, homogênea”, comenta. “Apesar de, para mim, a referência ser ‘Back in Bahia’, do Gilberto Gil, há pessoas que dizem que ela lembra Raul Seixas e Mutantes.”