Ambrósio: filme sobre líder quilombola em MG será lançado no domingo (26/4)
Dirigido por Bruno Maia, documentário narra a história e a importância de rei quilombola que levou ‘medo’ aos colonizadores no século XVIII
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No século XVIII, o líder negro Ambrósio comandava milhares de quilombolas em uma região conhecida naquela época como Campo Grande, designação dada ao chamado "Sertão da Comarca do Rio das Mortes". A sede ficava em São João del-Rei e se estendia o Oeste e Sudoeste de Minas, chegando ao Triângulo Mineiro e à Serra da Mantiqueira, na divisa com São Paulo. A vida desse personagem, "apagada" por décadas da história do estado, é descrita no documentário "Ambrósio, rei do Campo Grande: o rei esquecido de uma história roubada que ainda ecoa", com lançamento neste domingo (26/4).
Escrito e dirigido pelo mineiro Bruno Maia - que também é músico e conhecido por seu trabalho com a banda Tuatha de Danann e o projeto Braia -, o filme estará disponível no site oficial da obra e no YouTube, com legendas e tradução de Libras. O documentário foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo.
"O Ambrósio foi uma liderança quilombola que perdurou por décadas em Minas Gerais. E ele foi chamado de rei, ainda no século XVIII, em algumas correspondências oficiais”, conta Maia. “Mas ele sofreu um apagamento na nossa história. Meio que sumiram com a figura dele. Só que se falava que o quilombo dele era, talvez, maior que o de Palmares."
A luta de resistência arquitetada e comandada por Ambrósio envolvia, relata Bruno, negros escravizados e indígenas. "O poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga se refere ao rei Ambrósio, em 'Cartas chilenas', como pai Ambrósio. Naquela ,época isso significava que ele já tinha o nome circulando e que botava medo na administração colonial. Oferecia perigo de revolta, de enfrentamento, e com certeza inspirava novas lideranças e novos levantes", destaca.
O diretor e roteirista acredita que o documentário se traduz como forma de proliferar uma história "que foi soterrada e roubada do povo de Minas". "Uma liderança que merece ser lembrada e que inspira. O filósofo alemão Walter Benjamin diz que 'os mortos não terão sossego se os dominadores continuarem vencendo'. Ele se refere a algo que vai além da batalha e da perda material. É a luta pela memória."
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Documentário
A ideia para um filme sobre Ambrósio e as lutas naquela região no século XVIII surgiu enquanto Bruno Maia trabalhava em outro documentário, sobre a história do justiceiro do Sul de Minas, no século XIX, Sete Orelhas, intitulado “Sete Orelhas, herói bandido” (2012). “Foi quando comecei a estudar e pesquisar (sobre o assunto)”, diz.
Envolvido em várias frentes musicais, Maia encontrou um “espacinho” em suas agendas para focar no filme a respeito do quilombola e contou com nomes como o diretor de fotografia e editor Leonardo Dias, a diretora de arte Adelaine Scalco e o ilustrador Tiago Brito, além da narração de Juliete Gonçalves, para tirar o projeto do papel e levá-lo às telas. E ressalta ainda o zelo para a trilha sonora. "'No breu do serão, no escondido', tema principal, está disponível no perfil do Braia nas plataformas digitais",
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A exibição não ficará restrita à internet. Após pré-estreias em cidades como Varginha, Lavras, São João del-Rei, Prados e Cristais, o filme será levado também para o público de Carmo da Cachoeira e Muzambinho.