Carolina Saraiva recebeu Leo Paixão no estúdio do "EM Minas"; na entrevista, ele contou que abrirá um restaurante japonês crédito: jair amaral/em/d.a.press
Entrevistado do programa “EM Minas”, da TV Alterosa e Portal Uai, exibido no último sábado (18/4), Leo Paixão conta como abraçou a carreira de chef de cozinha e se tornou um dos nomes mais conhecidos do cenário gastronômico brasileiro. Com quatro prestigiados restaurantes em Belo Horizonte, ele projeta inaugurar um novo, dedicado à culinária japonesa.
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O chef comentou os diferentes perfis de cada uma das suas casas, de sua assinatura, que começou a ser reconhecida pela forma como abordava a culinária mineira com técnicas francesas, e do trabalho diário em busca de, como de uma "perfeição inatingível".
É verdade que você fez curso de medicina, mas largou o ofício para se dedicar à gastronomia? Sou da época do Vestibular, anterior ao Enem. Não existia a possibilidade de você fazer um curso para se tornar um cozinheiro profissional. Você podia ser advogado, engenheiro ou até artista. Quando fiz meu teste vocacional, deu artes, em geral. Minha família falou: "A gente te dá a liberdade de escolher o que você quiser, desde que seja medicina".
Então você chegou a entrar na faculdade de medicina? Fiz o Vestibular, entrei no curso e me formei pela UFMG.
E quando você viu que não era medicina, que sua paixão era realmente a gastronomia? No final da faculdade, já comecei a ter acesso a muitos livros, um pouco mais técnicos, de gastronomia. Os cursos de gastronomia no exterior começaram a aparecer, programas de culinária e tal. Eu sempre cozinhei com meu avô, desde criança, e amava. Eu não estava muito feliz com a medicina, não era a minha cara, não era do que eu gostava.
Comecei a fazer estágio. Fui bater na porta do Taste Vin, pedi um estágio. Lembro do primeiro dia em que entrei numa cozinha e saí eufórico, muito feliz. Pensei que eu queria fazer aquilo, pelo menos tentar. Assim que me formei, comecei a trabalhar em plantão no Programa de Saúde da Família, em Unidade de Pronto Atendimento, essas coisas.
Juntei um dinheiro para poder pagar meu curso de cozinha na França e fomos para Paris, eu e minha esposa. A gente namorava desde o primeiro período de faculdade e nos casamos assim que nos formamos.
Ela te apoiou então nessa trajetória com a gastronomia? Se não fosse ela, eu não teria a coragem para ter ido.
Ela esteve com você esse tempo todo, e aí veio o Glouton, que é um grande restaurante, que alia a cozinha contemporânea à mineiridade, não é isso mesmo? Fui para a França e deu muito certo, as coisas aconteceram muito bem para mim. Me dediquei muito e me destaquei. Quando voltei, foi para o primeiro restaurante em que tinha estagiado, o Taste Vin. Acabei contratado para dar uma consultoria lá, onde fiquei por dois anos.
Foi muito bom, aprendi bastante sobre o público mineiro e sobre a administração de um restaurante. Tenho um carinho muito grande pelo Taste Vin. Apareceu a oportunidade de eu abrir o Glouton, onde era o Café Santa Sofia. Era um café lindo em Lourdes, eu era apaixonado, sempre ia lá à tarde tomar um café e conhecia a dona. Ela e o marido resolveram se mudar para São Paulo e entregar o ponto.
No Glouton você aplicou sua técnica à culinária mineira? De início, não foi uma coisa muito proposital, não. A ideia era fazer um restaurante de cozinha francesa descomplicada, acessível para as pessoas, com produtos bons, técnicas boas, mas sem muita frescura de toalha, ambiente e serviço rebuscado; nada que encarecesse muito. Fomos reconhecidos logo de saída, foi muito bom, porque, apesar de todas as dificuldades, foi pouco investimento, eu não tinha dinheiro para abrir o restaurante na época. Fui reinvestindo com o tempo.
Foram aparecendo uns prêmios, como o Novo Restaurante Francês. Depois de um ano, eu já estava um pouco mais estabelecido. Veio uma repórter conversar comigo sobre uma premiação, falando que eu não podia concorrer como melhor restaurante francês da cidade.
No ano anterior, já tínhamos ganhado como revelação, estávamos indo bem, e eu perguntei por quê. Ela falou: "Olha o seu cardápio: papada de porco com mandioca, rabada com nhoque de agrião, arroz de galinha caipira... Não é um restaurante de cozinha francesa, é um restaurante de cozinha mineira contemporânea". Aí entendi o que eu fazia e comecei, propositalmente, a pegar ingredientes típicos de Minas e trabalhar com a técnica francesa.
Você tem atualmente quatro casas, certo? Tem o Glouton; ao lado do Glouton, o Ninita; o Macaréu; e o Nicolau.
O Brasil alcançou um marco inédito no cenário da alta gastronomia internacional com a divulgação do Guia Michelin Rio de Janeiro e São Paulo 2026, no dia 13 de abril. Pela primeira vez, o país passa a contar com dois restaurantes agraciados com três estrelas, a mais alta distinção concedida pela publicação, consolidando-se como o primeiro da América Latina a atingir esse patamar de excelência simultaneamente com mais de um estabelecimento. O reconhecimento reforça o avanço da culinária brasileir Divulgação
Os restaurantes que conquistaram essa posição de destaque são o Evvai e o Tuju, ambos sediados na capital paulista, que já figurava como um dos principais polos gastronômicos do hemisfério sul. Até a edição anterior, as duas casas possuíam duas estrelas e, agora, foram promovidas ao nível máximo após nova avaliação dos inspetores. A ascensão simultânea dos dois estabelecimentos não apenas valoriza o trabalho de seus chefs e equipes, como também projeta ainda mais São Paulo no mapa mundial da gas Divulgação
O anúncio foi feito em uma cerimônia de prestígio no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, um dos endereços mais emblemáticos da hotelaria brasileira, reunindo chefs, especialistas, críticos e profissionais do setor. O evento marcou não apenas a divulgação dos premiados, mas também celebrou o crescimento e a diversidade da gastronomia no país, que vem ganhando reconhecimento internacional consistente nos últimos anos.
Wikimedia Commons Carlos Alkmin
A escolha do Rio de Janeiro como palco da cerimônia também reforça o papel da cidade como vitrine cultural e gastronômica do Brasil. Nesta edição, outro destaque foi a entrada de um novo integrante no grupo de restaurantes estrelados: o Madame Olympe, do chef Claude Troisgros, que conquistou sua primeira estrela Michelin.
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Reconhecido mundialmente, o Guia Michelin é uma das mais prestigiadas referências da gastronomia global, responsável por selecionar restaurantes de excelência e conceder as cobiçadas estrelas como selo de qualidade. A avaliação é feita por inspetores anônimos e altamente especializados, que consideram critérios como a qualidade dos ingredientes, o equilíbrio dos sabores, a técnica empregada e a identidade culinária de cada estabelecimento.
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Situado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, o Evvai se destaca por unir a tradição da culinária italiana a ingredientes brasileiros. Sob o comando do chef Luiz Filipe Souza, o restaurante oferece um menu degustação com valor de R$ 1.150, além de complementos como seleção de queijos e caviar.
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"Um detalhe que reforça a identidade da casa: cada etapa do menu é acompanhada por ilustrações originais, da autoria do próprio chef, que revelam a história por trás da sua elaboração", destacou o Guia Michelin, a respeito do Evvai.
Reprodução do Instagram @evvai_sp
O Evvai também se diferencia pela proposta autoral do chef Luiz Filipe Souza, que desenvolveu o conceito de “oriundi”, no qual resgata suas raízes italianas reinterpretadas com ingredientes e técnicas brasileiras contemporâneas. A casa valoriza uma experiência sensorial completa, com forte apelo visual e narrativo em cada prato, além de uma curadoria cuidadosa de vinhos e harmonizações pensadas para dialogar com o menu.
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Já o Tuju, localizado no Jardim Paulistano, aposta em uma proposta gastronômica conectada aos ciclos naturais. Liderado pelo chef Ivan Ralston, o restaurante estrutura seus menus conforme as mudanças ao longo do ano, valorizando ingredientes em seu auge.
Reprodução do instagram @tuju_sp
A experiência é organizada em quatro fases: umidade, chuva, seca e ventania. Elas influenciam sabores, aromas e texturas dos pratos. O principal menu degustação conta com 10 etapas e custa R$ 1.500 por pessoa, sem incluir bebidas e serviço, além de uma taxa de reserva previamente cobrada e posteriormente abatida do total.
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O chef Ivan Ralston também aposta em técnicas contemporâneas e em um forte trabalho de pesquisa para extrair o máximo de cada insumo. O espaço moderno e integrado à proposta culinária contribui para uma experiência imersiva, na qual cada detalhe acompanha a lógica dos ciclos da natureza.
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Criado em 1900 pela empresa francesa de pneus Michelin, sob a liderança dos irmãos André e Édouard Michelin, o guia surgiu inicialmente com o objetivo de estimular viagens de carro, oferecendo aos motoristas informações úteis como locais para abastecimento, manutenção, hospedagem e alimentação. As estrelas Michelin passaram a ser atribuídas em 1926, inicialmente em uma única categoria. A partir de 1931, foi estabelecida a atual escala que varia de zero a três estrelas, consolidando o sistema que Divulgação Michelin
O Ninita tem um perfil diferente do Glouton, não é mesmo? E, para começar, Ninita é o nome de sua bisavó, certo? Isso mesmo. Vovó Ninita era a única cozinheira profissional da família, que fez um curso de confeitaria. Ela era do Sul de Minas, de Caxambu, e veio para Belo Horizonte, se casou e teve três filhos. Ela fazia bolos, tortas, essas coisas. Vovó Ninita teve uma criação muito italiana, a mãe dela veio da Itália, mas ela também fazia muita cozinha mineira também. Ninita não é um restaurante que tem as receitas dela, mas é uma homenagem.
Tem muita gente que conta umas histórias que não são verdade. É uma homenagem, ela me inspirou para poder fazer restaurante. Tem uma ou outra coisa dela, como o bombocado que ela fazia. Quando abri o Glouton, era um restaurante um pouco mais arrojado para Belo Horizonte, na época era muito chique servir comida internacional, e eu comecei a cada vez mais fazer a cozinha mineira de uma forma um pouco mais sofisticada.
Muita gente entrava no Glouton, talvez pela fama, pedia o cardápio para o meu gerente, lia e falava: "Não tem nada que eu como aqui. Você não tem uma massinha com carne?". Meu gerente respondia, meio com vergonha, que não. O cliente perguntava: "Um risoto?". Ele: "Não, também não tem". O cliente entregava o cardápio e ia embora. Isso acontecia o tempo todo no Glouton, até o momento em que tive a oportunidade de abrir uma casa ao lado, onde funcionava uma loja de móveis.
Pensei: "Vou fazer o que o povo quer, vou fazer a massinha com carne". Botei uma churrasqueira a carvão lá, a gente fazia massa fresca e servia com a carne. Essa é a história do Ninita, o restaurante italiano menos autêntico do mundo. Ele é muito mais brasileiro e mineiro do que italiano.
Como é ser um chef reconhecido aqui em Minas, fora do eixo Rio-São Paulo, e também nacionalmente? É um desafio? Como é que você vê isso? No Rio de Janeiro e em São Paulo, você tem muito mais palco para aparecer, mas existe uma curiosidade grande também pelos outros estados, por outras cidades, principalmente Belo Horizonte, que é a capital do estado de gastronomia mais famosa do Brasil, a gastronomia mais conhecida e amada do país, então tem palco também. Você tem que saber aproveitar.
É difícil, tem um pouco menos de clientela, mas quando a gente vai para fora desse nosso país que é Minas Gerais, a turma nos recebe muito bem, quer conhecer nosso queijo, nossa cultura.
Você tem diversas premiações, mas não a do Guia Michelin, que recentemente nomeou restaurantes do Rio e de São Paulo. Acha que não ter uma estrela Michelin diminui a relevância do restaurante no cenário da gastronomia? Acho que não. O Michelin é um guia europeu. Acho que não precisamos de uma validação europeia. O que precisamos é do nosso cliente, do brasileiro, do mineiro que frequenta nosso restaurante.
O prêmio é a casa cheia e o cliente feliz, a equipe trabalhando feliz. Obviamente que ter uma estrela Michelin é um reconhecimento internacional muito bom e, por acaso, o Brasil é o primeiro país da América Latina a ter restaurantes com três estrelas, o Tuju e o Evvai. Os meninos estão muito de parabéns, são motivo de orgulho, mas não precisamos disso especialmente.
A culinária global vira e mexe reserva iguarias peculiares que são bastante apreciadas por quem entende de gastronomia. Uma delas é a trufa negra. Big Dodzy unplash
Também conhecida como trufa Périgord ou trufa negra francesa, a trufa negra é um fungo comestível nativo do sul da Europa, apreciado por seu sabor e aroma terrosos e intensos. domínio público
Envolta em mistério e exclusividade, a trufa negra intriga e fascina gourmets e chefs de cozinha ao redor do mundo. wikimedia commons Marianne Casamance
Além de serem uma fonte completa de proteína, as trufas negras também contêm fibras, fósforo, cálcio, manganês e ferro. Andrea Cairone Unsplash
As trufas negras existem há milhares de anos, com registros de consumo que datam da época dos antigos romanos e gregos. domínio público
Na época, além de serem apreciadas por seu sabor e aroma únicos, as trufas negras eram conhecidas por suas propriedades medicinais. domínio público
No entanto, foi na França, durante o século XIX, que a trufa negra Périgord ganhou fama e reconhecimento internacional, se tornando um símbolo de requinte e sofisticação na culinária. freepik
Sua produção é extremamente limitada e depende de condições climáticas específicas, tornando-a um ingrediente raro e valioso. freepik
A colheita é feita manualmente, com a ajuda de cães farejadores treinados para identificar o aroma inconfundível da iguaria. Andrea Cairone Unsplash
O sabor e o aroma terrosos da trufa negra têm notas de chocolate, nozes e especiarias. Ela pode ser utilizada em diversos pratos, como massas, risotos, carnes, ovos e saladas, geralmente em pequenas quantidades para realçar o sabor dos outros ingredientes. Grafvision freepik
Devido à sua raridade e dificuldade de cultivo, a trufa negra é um dos ingredientes mais caros do mundo. freepik
Seu preço pode variar de acordo com o tamanho, qualidade e época do ano, mas geralmente oscila entre R$ 2.000 e R$ 5.000 por quilo, em alguns casos podendo chegar a R$ 10.000! mamewmy/Freepik
O maior produtor de trufas negras do mundo é a França, com a região de Périgord sendo considerada a "capital mundial da trufa negra". flickr Dale Cruse
A trufa negra é um ingrediente perecível e deve ser consumida fresca dentro de poucos dias após a colheita. Daieuxetdailleurs wikimedia commons
Embora não seja nativa do Brasil, a trufa negra vem ganhando popularidade no país nos últimos anos. domínio público
Alguns restaurantes brasileiros já oferecem pratos com trufas negras em seus menus, geralmente como itens sazonais ou especiais. freepik
Na natureza, as trufas ajudam a espalhar os seus esporos, o que é importante para manter o equilíbrio e garantir que a espécie continue existindo. Isso acontece porque esses esporos vão gerar novas trufas com o passar do tempo. freepik
Assim como a maioria dos fungos, as trufas crescem perto de árvores e suas raízes, em solo úmido. Mas só uma parte do mundo tem o solo e o clima ideais para o seu crescimento: o sul da Europa. flickr Richard Giles
O processo de plantio dura de seis a nove meses, e a colheita é feita geralmente durante o inverno europeu, entre dezembro e março. freepik Grafvision
São quatro casas e tem mais uma vindo por aí, um restaurante japonês, certo? Não posso dizer quando nem onde, porque não tem nada certo ainda, estamos dependendo da aprovação do projeto. Tenho uma paixão grande pelo Japão, desde criança. Tenho ido bastante lá, fico postando minhas viagens pelo Japão e as pessoas perguntam: "Que dia vai abrir um japonês?". Sim, eventualmente vai acontecer, vai chegar, este ano ou no ano que vem.
Vamos falar do Macaréu. É um desafio abrir uma casa de peixes em um estado que não tem frutos do mar? Com esse tempo todo de Glouton, 14 anos, consegui fornecedores muito bons. O congelamento é a melhor coisa para o fruto do mar, principalmente o congelamento a bordo. Nossos frutos do mar são pescados e congelados no barco. Vem tudo de Florianópolis, e os restaurantes de Florianópolis trabalham com esses mesmos frutos do mar congelados.
De qualquer forma, ter um restaurante só de frutos do mar e de peixes da Amazônia – vem daí o nome, aliás; Macaréu é uma onda que se forma no estuário dos rios amazônicos – é um desafio grande. Senti a necessidade de colocar um pouco mais de variedade, colocar carne e essas coisas no restaurante, então misturei um pouco a cozinha portuguesa, porque eu já tinha uma vontade grande de abrir um restaurante português. Minha família é principalmente portuguesa. O Macaréu virou essa mistura.
Com a administração de tantos restaurantes com perfis diferentes, como fica o chef? Hoje você é mais administrador ou mais chef? Acho que sou meio CEO, essa pessoa que é meio gerente de tudo. Mas eu sou chef. Até hoje, 99% das criações dos meus restaurantes são minhas. Sou eu quem pensa no conceito do cardápio, sou eu quem desenvolve os processos, quem treina a equipe para aplicar esses processos. Quando mudo de cardápio, vou para cozinha com eles e fico até todo mundo pegar.
A paixão pelo trabalho é o que você acha que faz a diferença no que diz respeito ao sucesso dos seus restaurantes e à qualidade dos pratos? Acho que sim. Ninguém é eternamente apaixonado pelo seu próprio trabalho. Eventualmente, fica uma coisa repetitiva, mas tem uma necessidade que sinto de sempre fazer um pouquinho melhor, de fazer algo bem feito, buscando uma perfeição inatingível, mas a busca em si já é um caminho muito bom. O respeito pelo ingrediente, pelos nossos colaboradores e, principalment,e pelo cliente que está ali vendo tudo com grande expectativa.
Há chefs em BH que adquiriram experiência na sua cozinha ou com a sua curadoria? Tem, não só em Belo Horizonte, mas no Brasil. Na minha opinião, o melhor confeiteiro do Brasil hoje é o Pedro Frade, que começou como estagiário nosso. Ele cresceu muito, viajou comigo pelo Brasil, cozinhando em eventos dos quais eu participava, depois foi para a França, estudou na mesma escola que eu.
Hoje, ele é um confeiteiro absurdo. Aqui em Belo Horizonte tem muita gente também, o Jorge, o João Paulo, a Sofia, da Cozinha de Sofia, muita gente que passou por mim. Morro de orgulho dessa turma toda. Tem o Ronaldo, que abriu recentemente um restaurante. Eles têm um carinho grande por mim até hoje; se vão tomar uma decisão, me ligam. A Andreza, que foi nossa chef também, abriu um restaurante em São Paulo.
O chef Alex Atala vídeo publicou vídeo nas redes sociais escolhendo dez pratos de dez países diferentes. Segundo ele, as escolhas refletem a identidade culinária de cada nação:“A gastronomia é a forma mais profunda de conhecer uma cultura, e cada uma dessas escolhas carrega uma história, uma técnica e um ingrediente que me marcou”.
Reprodução / Instagram
Na Espanha, ele elegeu a paella, um dos pratos mais famosos da culinária espanhola, originário da região de Valência. Trata-se de arroz cozido com açafrão, vegetais e carnes ou frutos do mar, preparado em uma panela rasa e larga chamada paella. Em Portugal, selecionou os borregos, tradicionais cordeiros assados, como o melhor prato do país, apesar de a culinária portuguesa ser associada aos frutos do mar.
Montagem / Pixabay / Joanjo Puertos Muñoz / ReinhardThrainer
Da Coreia do Sul, escolheu o Kimchi, prato tradicional de acelga fermentada por até quatro anos, temperado com pimenta, alho, gengibre e molho de peixe, servido com raia fermentada. Segundo ele, a combinação resulta em uma explosão de sabores “que não dá para explicar”, e afirmou que nunca esquecerá a experiência de provar esse prato.
Pixabay Dongwon Lee / Wikimedia Commons egg (Hong, Yun Seon)
Pela Tailândia, indicou o Pad Thai. O prato é um clássico da cozinha tailandesa e símbolo da comida de rua do país, por ser rápido de preparar e acessível. É uma salada feita com macarrão de arroz frito, ovo, broto de feijão, cebolinha e uma proteína, como camarão, que é conhecida pelo equilíbrio entre doce, ácido e levemente picante.
Markus Winkler/Unsplash
Na Itália, cuja culinária é reconhecida mundialmente por clássicos como massas, pizzas e gelatos, e que foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO em dezembro de 2025, Atala escolheu o tradicional macarrão alho e óleo como sua preferida.
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No Japão, apontou o sukiyaki como prato favorito. A receita leva fatias finas de carne cozidas em caldo adocicado de shoyu e açúcar, acompanhadas de tofu, legumes e macarrão. Ele o descreve como “uma comida afetiva e familiar”. Da França, selecionou o escargot, preparado com caracóis terrestres comestíveis, tradicionalmente servidos com manteiga, alho e ervas, embora também possam aparecer em saladas, folhados, com molhos ou flambados.
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No México, escolheu o Chiles en Nogada, prato originário da cidade de Puebla. A receita consiste em pimentão verde recheado com carne e frutas, coberto com molho cremoso de nozes e finalizado com romã e salsa. Para Atala, é “uma das coisas mais incríveis que conheço da cozinha mexicana”.
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Na Turquia, apesar dos clássicos quibes e kaftas, ele destacou o homus, prato de origem árabe: uma pasta cremosa feita com grão-de-bico, tahine, azeite, suco de limão e alho. Já no Brasil, ele escolheu o clássico arroz com feijão como o prato preferido.
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Alex Atala, cujo nome de batismo é Milad Alexandre Mack Atala, nasceu em 3 de junho de 1968, em São Paulo. Chef de cozinha e restaurateur, ele coleciona mais de um milhão de seguidores no Instagram e é reconhecido por ter introduzido ingredientes amazônicos na alta gastronomia, como jambu, tucupi, priprioca e bacuri.
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Aos 18 anos, viajou como mochileiro para a Europa, onde ingressou na Escola de Hotelaria de Namur. Posteriormente, trabalhou em restaurantes na Bélgica, França e Itália, período em que consolidou sua formação técnica e aprendeu inglês, francês e italiano.
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De volta ao Brasil, trabalhou no restaurante ‘Sushi Pasta’ e ganhou projeção ao reformular o cardápio do restaurante Filomena, trabalho que lhe rendeu o título de Melhor Jovem Chef pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Diferenciados. Também trabalhou no restaurante ‘72’ antes de inaugurar, em 1999, o ‘Namesa’, nos Jardins, em São Paulo.
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No mesmo ano, fundou o D.O.M., nome derivado da expressão latina Deo Optimo Maximo, com projeto arquitetônico de Ruy Ohtake. Em 1999, foi eleito Chef Revelação pela revista Gula, que também reconheceu o D.O.M. como Melhor Restaurante. Nos anos seguintes, recebeu distinções de publicações como Gula e Veja São Paulo.
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A partir de 2006, o D.O.M. passou a integrar o ranking internacional “The World’s 50 Best Restaurants”, alcançando a 4ª posição em 2012 e a 6ª posição em 2013. Em 2015, quando o Guia Michelin passou a avaliar restaurantes no Brasil, o D.O.M. recebeu duas estrelas Michelin, distinção mantida desde então.
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Outros empreendimentos dele são o Dalva e Dito, que inaugurou em 2009, restaurante dedicado à releitura de receitas tradicionais brasileiras, com destaque para preparações como pato no tucupi, baião de dois e variações de arroz com feijão. Desde 2015, atua no segmento de catering por meio da empresa 7 Gastronomia, em parceria com a Sapore. O serviço atende grandes eventos como Fórmula 1, Rock in Rio, Lollapalooza e The Town.
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Em 2024, expandiu sua atuação para a hotelaria ao criar o Resid Club, empreendimento voltado a um conceito integrado de hospitalidade que inclui hotéis próprios e parceiros, clube de membros e experiências relacionadas à gastronomia, viagens e estilo de vida.
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Atala foi o único brasileiro a participar da série “Chef’s Table”, da Netflix, produção que retrata, em cada episódio, a trajetória de chefs renomados ao redor do mundo. Também participou de outros programas de televisão, tanto como jurado quanto como convidado. Em 2025, integrou o reality gastronômico “Chef de Alto Nível”, exibido pela TV Globo, atuando como mentor e avaliador. Participou ainda do programa “Mesa para Dois”, exibido pelo GNT, ao lado Reprodução / Instagram
Como pesquisador da culinária brasileira e defensor da difusão do conhecimento, publicou os livros “Mandioca”, “Escoffianas Brasileiras”, “D.O.M. – Redescobrindo Ingredientes Brasileiros”, “Alex Atala – Por uma Gastronomia Brasileira” e “Com Unhas, Dentes e Cuca – Prática Culinária e Papo Cabeça ao Alcance de Todos”.
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Ao longo da carreira, acumulou diversos reconhecimentos. Integrou a lista das 100 pessoas mais influentes da revista Times e foi premiado no “The Best Chef Awards”. Também ocupou por anos uma cadeira no conselho do Basque Culinary Center, instituição de ensino e pesquisa em gastronomia localizada em San Sebastián, no País Basco, Espanha, reconhecida como uma das mais inovadoras da Europa.
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Quando não está na cozinha, você sai para jantar em Belo Horizonte? Vai a outros restaurantes que não sejam os seus? Claro, de muitos amigos que adoro.
E quando está em casa, você cozinha ou gosta que cozinhem pra você? As duas coisas. A gente cozinha o dia inteiro trabalhando e, quando chega o fim de semana, a gente cozinha para se divertir. Agora mesmo, véspera de feriado, muitos restaurantes não vão abrir, então vai ter um monte de chefs de cozinha aqui em Belo Horizonte, na minha casa, para cozinhar comigo e fazer churrasco. Costumamos viajar juntos, muitos chefs, amigos também. Ficamos o dia inteiro cozinhando, é uma delícia.
O que você, particularmente, gosta de comer? O que eu mais gosto é de comida japonesa e, obviamente, da cozinha mineira do dia a dia. Amo esses ensopados, frango com quiabo, lombo de panela, sou alucinado, angu é uma coisa que adoro. Como o chef cozinha muito, ele gosta que cozinhem para ele também. Costumo dizer que minhas comidas preferidas são aquelas que eu não fiz.