Kathy Bathes é vovó fora da curva em 'Matlock: Uma advogada improvável'
Atriz dá um show como a idosa que se infiltra em escritório de advocacia para vingar a filha. Produção da CBS é atração do Globoplay
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Séries procedurais, aquelas de um caso por semana, são como o bom almoço de domingo. A gente conhece o cardápio de cor, mas a comida, ainda que não ofereça surpresas, traz conforto. É mais ou menos assim com esse tipo de produção, que dominou a TV na era pré-streaming. Ainda que desgastado, o formato sobrevive bem em “Matlock: Uma advogada improvável”.
Realização da rede americana CBS, chegou recentemente ao Brasil. O Globoplay lançou a primeira temporada (como é cria da TV aberta, a vida é longa). Lá fora, o segundo ano está no final e o terceiro confirmado. “Matlock” é uma grata surpresa graças a Kathy Bates, que vive a personagem-título.
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A série é reinvenção do título homônimo, exibido entre 1986 e 1995, sobre um advogado simpático que conseguia confissões de criminosos no tribunal. Agora, com uma mulher à frente, a história é outra.
Em Nova York, Madeline “Matty” Matlock se apresenta como viúva de 75 anos que não atua como advogada desde 1991. A falta de dinheiro para a criação do único neto, adolescente, a obriga a retornar ao trabalho. É esta a história que ela conta quando, sorrateiramente, consegue penetrar na reunião de um grande escritório de advocacia.
Howard “Senior” Markston (Beau Bridges) é o chefão, que se recusa a vestir terno e só trabalha de camisa xadrez. Seu filho é o simpático Julian (Jason Ritter), que está concluindo o divórcio com a tensa e dedicada Olympia (Skye P. Marshall). Essa última será a chefe de Matty, que vai trabalhar com dois jovens talentos, Billy (David Del Rio) e Sarah (Leah Lewis).
Dica milionária
Matty dá uma dica essencial para que o escritório feche acordo de milhões e, com isso, garante o emprego. Seu trunfo é, como ela mesma diz, ser uma pessoa invisível. Idosos, quanto mais mulheres, passam despercebidos. Dessa forma, Matty consegue descobrir lances improváveis, pois ninguém vai supor que a vovozinha que distribui balas por aí seja advogada feroz. Rapidamente, ela demostra ser um trunfo, e não um fardo. Percebe detalhes que os colegas mais jovens deixam passar.
Só que Matty não é a pobre mulher que tenta criar sozinha o neto. Ela tem planos muito maiores, como o episódio piloto mostra. Não precisa trabalhar, tem dinheiro de sobra. O marido amoroso a espera, todas as noites, na mansão onde vive. E o neto é um geniozinho que saca tudo de computadores. O plano dela, na verdade, é se vingar do escritório. Acredita que estão ali os responsáveis por levar sua filha à morte.
Ou seja, o público acompanha as duas tramas em paralelo. Cada episódio mostra um caso diferente, com Matty vendo seu respeito crescer entre o grupo de advogados. Paralelamente, realiza, com ajuda do marido e do neto, sua própria investigação.
A razão de ser da série é Kathy Bates, que apresenta uma personagem complexa e cheia de nuances. Ainda que tenha a própria agenda, Matty deve mostrar serviço para os colegas. Acerta muito mais do que erra, e cada jogada dessa advogada é um show de interpretação.
A disparidade entre a estrela de Bates (foi indicada ao Emmy pelo papel, levou o Critics Choice) e seus colegas de elenco é enorme. Ela nada de braçada nessa história simpática, por vezes divertida, mas com lances previsíveis. “Matlock” vale justamente pela atriz. Basta um abrir de olhos para ela mostrar do que é capaz.
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“MATLOCK: UMA ADVOGADA IMPROVÁVEL”
• A primeira temporada, com 19 episódios, está disponível no Globoplay