‘Os testamentos: as filhas de Gilead’ segue a saga de ‘The handmaid’s tale’
Estrelada por Chase Infiniti, que despontou em ‘Uma batalha após a outra’, série é ambientada 15 anos depois do desfecho da história de June (Elisabeth Moss)
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Saem as aias de vermelho e entram as garotas de roxo. Ou melhor, ameixas. O Disney+ lançou os três primeiros (de 10) episódios de “Os testamentos: as filhas de Gilead”.
Continuação de “The handmaid’s tale – O conto da aia” (2017-2025), a série traz parte da equipe da produção original, a começar pelo criador, Mike Barker. A protagonista é Chase Infiniti, revelada em “Uma batalha após a outra”, o grande vencedor do Oscar deste ano.
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Ameixas são as adolescentes que estão no topo da escala social da ditadura de Gilead, os antigos Estados Unidos. Filhas dos comandantes, elas vivem para se preparar para o casamento – que será, invariavelmente, com outros comandantes. Agnes (Chase Infiniti) é obediente e devota, que frequenta a Escola para Futuras Esposas.
Comandada a mão de ferro pela temida tia Lydia (Ann Dowd), ela passa seus dias tendo aulas. Etiqueta, pintura, bordado, culinária, tudo o que é necessário para um casamento da elite. Não sabe ler – nem sequer tem conhecimento de em que ano está. Por ora, seu mundo vai continuar assim. Quando menstruar, um marido será devidamente arranjado para ela.
Reação
Já deu para perceber que, mesmo depois de toda a batalha capitaneada por June (Elisabeth Moss) em “The handmaid’s tale”, o terror continua dominando a maior parte dos antigos Estados Unidos. Sim e não. “Os testamentos” vai acompanhar a reação à ditadura pela segunda geração de mulheres.
Agnes – quem assistiu à série original bem sabe – é a filha de June e Luke (O-T Fagbenle). Chamada Hannah, foi roubada da mãe logo que esta foi transformada em uma aia. Foi criada como Agnes por um comandante de Gilead. Seu destino muda completamente quando outra garota entra em cena.
Recém-chegada à escola de tia Lydia, Daisy (Lucy Halliday) é uma pérola. Veste-se impecavelmente de branco, assim como todas as meninas que foram capturadas pelo regime. Daisy vivia em Toronto, o mundo livre para onde June também foi. Quando chega à instituição, é colocada sob os cuidados de Agnes.
Assim como água e óleo, ameixas e pérolas não se misturam. As primeiras sabem o que acontece se você comete o mínimo deslize. As segundas conhecem o mundo fora do regime, não podem ser confiáveis. Ou pior: podem ser espiãs das tias, então o melhor é não mexer com elas.
Já no primeiro episódio, Daisy passa por uma provação. Agnes a ajuda, então surge uma aliança entre as duas. Mas tudo tem que ser por baixo dos panos, pois há ameixas que querem ver as pérolas se darem mal. Falar mais é entregar o que vem por aí. Mas dá para adiantar que tia Lydia não é a única personagem de “The handmaid’s tale” que está em “Os testamentos”.
Ninguém poderia imaginar o impacto que “The handmaid’s tale” causaria. O livro da escritora canadense Margaret Atwood é de 1985. A adaptação foi lançada em 2017, ano em que Donald Trump assumiu pela primeira vez a Presidência dos EUA. Diante das perdas democráticas, em especial os direitos das mulheres, foi logo vista como uma metáfora para aqueles tempos – algo que perdura até hoje, diante do mundo divisivo dos dias atuais.
Atwood lançou em 2019 “Os testamentos” (publicado no Brasil pela Rocco). Para quem leu este livro, um aviso: a adaptação televisiva traz várias diferenças, a começar pelo período. Na série, os acontecimentos são apenas cinco anos após o que aconteceu com June. No livro, a narrativa é ambientada 15 anos mais tarde. A despeito de várias outras mudanças, o espírito é o mesmo.
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“OS TESTAMENTOS: DAS FILHAS DE GILEAD”
• Os três primeiros (de 10) episódios estão disponíveis no Disney+. Novos episódios às quartas.