O Festival de Verão da UFMG, que dá início à sua 20ª edição nesta terça-feira (10/3), com uma programação que segue até o próximo dia 20, quer fortalecer seus vínculos com a cidade.

Para tanto, adotou o tema “Pluriversidade – Artes, culturas e ciência em trânsito”, tomando como ponto de partida a ideia de “pluriversalidade”, cunhada pelo filósofo sul-africano Mogobe Bernard Ramose, que trata da urgência de se praticar e reconhecer a multiplicidade de modos de ser e de produção de conhecimento.


Pró-reitora adjunta de Cultura e uma das coordenadoras do 20° Festival de Verão UFMG, Mônica Medeiros Ribeiro destaca que faz muito sentido para a universidade se abrir para essa pluriversalidade, porque são muitas as formas de conhecimento que extrapolam o ambiente acadêmico, como os notórios saberes dos mestres da tradição e dos artistas populares. “É uma maneira de nos afirmarmos como espaço de confluência e de formação plural”, diz.

Ela fala em um entendimento ampliado da cultura, que não se restringe apenas às artes e ao patrimônio. Tais premissas guiaram a montagem da programação, que prima pela diversidade, incluindo desde a abertura do festival, com bate-papo musical entre Chico Amaral e Wilson Lopes sobre a obra de Milton Nascimento – que recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela universidade no ano passado –, até oficina de bordado e projeções em 360º no Planetário do Espaço do Conhecimento UFMG. 

Na música, outros destaques são as apresentações do Coral Ars Nova e do grupo Samba & Choro de Quintal. No campo das artes visuais, o público confere exposições como “Cartografia do acaso”, de Gui Orzil, e “Meu segredo bem guardado”, de Isabel Moreira, ambas em cartaz no Centro Cultural UFMG, ou a projeção “Mares lunares”, que reúne trabalhos de 26 artistas e acontece em parceria com o Festival de Fotografia de Tiradentes, quinta-feira (12/3), no Museu Casa Padre Toledo, na cidade histórica.

DEBATES

Muitos debates também estão na pauta desta 20ª edição do Festival de Verão. “Vamos ter uma mesa redonda falando das artes na universidade em diálogo com a cidade, com artistas que são doutores por notório saber pela UFMG: Dudude Herrmann, Rui Moreira, Gil Amâncio e Maurício Tizumba. A ideia é pensar um pouco como a universidade conversa com a cidade e como a cidade conversa com a universidade no que diz respeito à produção artística e cultural”, ressalta Mônica. 

Ela diz que o desejo de adensar essa relação orientou o convite ao DJ Paulo BH e à Turma do Passinho Raul Latrel para fechar a programação no Centro Cultural UFMG, no dia 20. “A ideia é transbordar e invadir um pouco a rua, envolvendo o Centro de Referência da Juventude e os passantes daquela região da Avenida Santos Dumont e da Praça Rui Barbosa. Estamos buscando a convivência entre as diferenças nesse espaço comum que é a cultura”, ressalta.

Com relação à atração de abertura do festival, intitulada “Conversas musicais: a música de Milton Nascimento”, Chico Amaral diz que a ideia é aproveitar sua vivência com o cantor e compositor para esmiuçar suas criações. “Escrevi um livro [lançado em 2013, pela Editora da UFMG] analisando a música do Milton em profundidade, para afirmar seu lugar no cânone da canção brasileira e mundial como uma obra inovadora em todos os parâmetros”, diz.

Ele explica que foram selecionadas, para esse misto de show e palestra, meia dúzia de músicas de Milton. Metade delas remonta ao início de sua carreira como compositor. “Foi preciso que, além de cantor e instrumentista, Milton se tornasse compositor para alcançar a projeção que alcançou”, pontua. Ele chama a atenção para o fato de que as escolhas recaíram sobre alguns lados B do artista, como “Tema dos deuses” e “Maria três filhos”. 

A intenção é mostrar como Milton se insere em diferentes ambientes musicais sem, no entanto, se deixar prender pelas estruturas de nenhum deles. “O que ele faz não é determinado por um conceito, mas por um sentimento. 'Maria três filhos' é um samba, mas ninguém nunca fez nem nunca vai fazer um samba igual a esse. 'Canção do sal', que também vamos tocar, é um samba pós-Bossa Nova, mas totalmente singular. Tem uma originalidade muito notória e muito própria do Milton”, comenta. 

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20º FESTIVAL DE VERÃO DA UFMG
Abertura nesta terça-feira (10/3), às 19h, com o evento “Conversas musicais: a música de Milton Nascimento”, conduzido por Chico Amaral e Wilson Lopes, no Conservatório UFMG (Av. Afonso Pena, 1.534, Centro), com entrada franca, limitada à capacidade do espaço. A programação, toda gratuita, segue até 20/3, no Campus Pampulha, Centro Cultural UFMG, Conservatório UFMG, Espaço do Conhecimento UFMG e Campus Cultural UFMG em Tiradentes, e está disponível no site.  

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