Violette Toussaint impressiona pela força. A protagonista do romance “Água fresca para as flores”, da francesa Valérie Perrin, enfrenta, com a cabeça erguida, luto, abandono e relacionamento abusivo. “Esta mulher experimenta todas as dores que um ser humano pode passar na vida, mas transforma isso em poesia”, destaca a atriz Marcella Muniz, que interpreta Violette na peça em cartaz neste sábado e domingo (7 e 8/3), no Teatro Feluma.
Zeladora do cemitério de Borgonha, na França, a personagem mora naquele ambiente insólito. Cuida das flores, recebe visitantes enlutados e mantém um refúgio informal onde memórias, histórias e confidências circulam em conversas com coveiros e o padre.
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Violette cresceu em orfanatos e lares temporários. Aprendeu desde cedo a conviver com a solidão. Adulta, ela se casou com Philippe Toussaint, homem ausente, egoísta e emocionalmente distante. Experimentou a alegria de ser mãe, mas perdeu a filha ainda criança. A tragédia determinou o antes e o depois na trajetória da zeladora.
Veneno e remédio
No palco, não há rancor em sua voz. Valendo-se dos ensinamentos da corrente japonesa Nichiren Daishonin do budismo, ela procura se transformar interiormente, em busca da felicidade absoluta.
“Sou budista. Falo, com propriedade, que no budismo japonês tem muito da ideia de transformar o veneno em remédio. Ele é a força, mente, palavra, onda magnética e energia do indivíduo, justamente o que é Violette”, diz Marcella.
A atriz combinou rigor técnico, reflexão espiritual e investigação profunda da resiliência humana para construir Violette. Um dos desafios que encontrou foi o trabalho vocal. Com acompanhamento fonoaudiológico, Marcella buscou encontrar uma voz que soasse segura e intimista, capaz de estabelecer proximidade com o público. Também procurou imprimir em Violette uma espécie de calma constante.
“Como a peça é estruturada a partir de lembranças, o olhar da personagem frequentemente assume um tom vago e sereno, refletindo o gesto de recordar enquanto ela conta suas histórias e segue com a rotina de zeladora de cemitério”, conta Marcella.
Adaptado por Bruno Costa, que dirige a peça, o texto problematiza outros temas. Além dos dilemas humanos, aborda a falta de visibilidade das ditas profissões esquecidas, o ativismo animal e a arte como ferramenta de transformação social.
“Arte ensina, cura e dialoga. Muitas pessoas chegaram até mim dizendo que conseguiram perceber o relacionamento tóxico em que viviam ou lidar melhor com o luto, graças a Violette”, diz Marcella. “É o mais gratificante”, conclui.
“ÁGUA FRESCA PARA AS FLORES”
Adaptação e direção: Bruno Costa. Com Marcella Muniz. Sábado (7/3), às 19h; domingo (8/3), às 17h, no Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275, 7º andar, Centro). Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia), à venda na bilheteria e na plataforma Sympla.
OUTRAS ATRAÇÕES
>>> "Dona Doida"
Com direção de Pedro Paulo Cava e atuação de Lívia Gaudencio, “Dona Doida” cumpre temporada no Teatro da Cidade (Rua da Bahia, 1.341, Centro) neste sábado (7/2), às 20h, e domingo, às 19h. Diferente da versão com Fernanda Montenegro, o monólogo de Cava transforma cerca de 60 poemas de Adélia Prado em narrativa ficcional que percorre temas como fé, amor, erotismo e velhice. Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia), à venda na bilheteria e na plataforma Sympla.
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>>>Feirinha Aproxima
Neste sábado (7/3), das 10h às 17h, a Feirinha Aproxima realiza a edição especial “Aproxima delas”, em homenagem às mulheres, no entorno do Museu Abílio Barreto (Av. Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim). Além da programação gastronômica, o evento conta com participação dos projetos sociais Lar Teresa de Jesus, que apoia pacientes com câncer, e Sítio Juranda, que arrecada recursos após perdas causadas por um incêndio. Entrada franca.
