Juca de Oliveira teve atuação política e se exilou na Bolívia nos anos 1970
Ator morreu neste sábado (21/3), aos 91 anos, em São Paulo; ele estava internado desde o último dia 13, com quadro de pneumonia e problemas cardíacos
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ator e dramaturgo Juca de Oliveira, morto na madrugada deste sábado (21/3), teve uma trajetória artística marcada por forte atuação política. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, ele atuou em sindicatos e teve que se exilar na Bolívia durante a ditadura militar.
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O episódio que levou ao autoexílio começou antes, quando o ator decidiu comprar o Teatro de Arena, no Centro de São Paulo, com Augusto Boal, Flávio Império e Paulo José. O grupo teatral e o espaço cênico foram fundamentais para a revolução do teatro brasileiro, atuando principalmente como celeiro de produção intelectual e centro contra a ditadura. Entre os marcos nacionais estão as peças "Eles Não Usam Black-Tie" e "O Filho do Cão".
A trajetória do Arena, entretanto, foi interrompida pela ditadura militar em 1972 com o fechamento do teatro. Em entrevista ao Memória Globo, o ator revelou que, diante disso, optou por se autoexilar na Bolívia, ao lado de Guarnieri. "Não foi por acaso que o Teatro de Arena foi brutalmente atingido pela ditadura militar. O teatro foi fechado, nós fomos perseguidos. Uma tragédia", disse.
Nos últimos anos de vida, o ator passou a criticar a forma como os incentivos da Lei Rouanet eram distribuídos. Ele argumentava que o modelo reduzia a pressão por bilheteria e, com isso, o compromisso de atrair público, o que, para ele, eliminava a busca por qualidade e a paixão na produção artística.
"É que não há bilheteria com a lei Rouanet. Não havendo bilheteria, você faz o espetáculo rapidamente enquanto você tem aquele dinheirinho ali. Dá um pouquinho para o ator, um pouquinho para os técnicos, para o empresário, até que você gasta todo o dinheiro e tira de cartaz", afirmou em 2019 à "Folha".
"E o principal é que o teatro é feito com paixão. Há um grupo que se apaixona por um texto junto. E esse grupo persegue o sucesso, a perfeição. A paixão pelo teatro se extinguiu. Ninguém mais tem. As peças são medíocres. Fazem um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Tem atores que vão lá, se disponibilizam por 20 dias e depois saem. É uma loucura", disse.
O ator, entretanto, fazia questão de ponderar que a opinião era em relação teatro profissional. "Não estou me referindo a teatros amadores, que necessariamente precisam do apoio."
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Juca de Oliveira faleceu na madrugada deste sábado (21/3), em São Paulo. Ele estava internado numa UTI do Hospital Sírio-Libanês desde a sexta (13/3), tratando uma pneumonia e um problema cardíaco. Ele deixa a mulher, a musicista Maria Luiza de Faro Santos, e a filha do casal, Isabella Faro de Oliveira.