Dupla une fado, jazz e MPB em show no Café com Letras
Bianca Gismonti e o violonista português Manuel de Oliveira apresentam repertório autoral e releituras neste sábado (21/3), em Belo Horizonte
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O violonista português Manuel de Oliveira costuma dizer que, ao ouvir suas músicas interpretadas pela brasileira Bianca Gismonti, sente que as canções não estão terminadas, que poderiam ter seguido outro caminho. A recíproca é verdadeira. Bianca também afirma descobrir inúmeras possibilidades para suas composições ao ouvi-las no violão do português.
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Os caminhos dos dois se cruzaram em 2018, quando Manuel enviou uma mensagem à brasileira revelando sua admiração pelo trabalho dela e propondo parceria. Ele mostrou canções autorais, ela gostou, mas a ideia não avançou. “Veio a pandemia, depois eu engravidei e tive meu filho”, lembra Bianca.
O encontro só se efetivou no fim do ano passado, quando os dois se reuniram para tocar no Festival Amajazz On, em Belém (PA). Desde então, seguem em turnê pelo Brasil com repertório que transita entre o fado, jazz e música popular brasileira. Neste sábado (21/3), eles se apresentam no Clube de Jazz do Café com Letras, a partir das 21h. Os últimos ingressos estão à venda no site do Sympla.
Embora seja português, Manuel recebeu forte influência da música espanhola e de ritmos africanos, principalmente daqueles originários de países de língua portuguesa. “O que mais me chama a atenção é essa mistura rítmica de origem africana com a sonoridade ibérica, flamenca”, destaca Bianca.
Ela, por sua vez, foi influenciada por ritmos nordestinos. Baião, xote, forró, frevo e samba de roda. Também entram no rol de referências o samba carioca e, claro, a sonoridade singular desenvolvida pelo pai, Egberto Gismonti.
Aos 15 anos, Bianca começou a acompanhá-lo nos shows, ao lado do irmão, Alexandre. Ela no piano, ele no violão. Tocaram juntos por quase nove anos. “Isso nos aproximou da música do meu pai e, inevitavelmente, fomos influenciados por ela”, diz Bianca, que complementa: “Costumo brincar que meu jeito de tocar piano é ‘egbertiano’”.
Para o show deste sábado, portanto, não poderiam faltar canções de Egberto no repertório. Há ainda composições de Baden Powell, Vinicius de Moraes e do pianista carioca contemporâneo Leandro Braga, além de músicas que Bianca fez em parceria com Manuel ao longo desses meses de turnê.
“Não fico sem compor. Só com o Manuel já fizemos umas 15 canções”, revela a pianista. “Inclusive, vamos tocar no show uma delas, chamada ‘Encantador’. Até o ano que vem, queremos gravar todas essas canções e lançar um disco”.
Lançamentos, aliás, não faltam. No segundo semestre deste ano, ela pretende disponibilizar nas plataformas a gravação feita em São Paulo do show com Manuel de Oliveira. Em paralelo, prevê o lançamento de “Tapeçaria”, álbum gravado com o trio que mantém ao lado do baterista Julio Falavigna e do baixista Antonio Porto; um disco em comemoração aos 20 anos do duo GisBranco, formado por ela e Cláudia Castelo Branco; e um álbum solo dedicado à MPB.
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“É bastante coisa”, reconhece. “É bem provável que esse disco de inéditas com o Manuel saia só no ano que vem mesmo”, conclui, bem-humorada.