Sábados Feministas discute a relação das mulheres com a democracia
Pesquisadores Stella Ferreira e Leonardo Avritzer debatem, na sede da AML, se revoluções e regimes democráticos garantem, na prática, os direitos da mulher
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“Democracia, revoluções, gênero: lutas históricas e desafios contemporâneos” é o tema da primeira edição do projeto Sábados Feministas deste ano. Neste sábado (21/3), às 10h, na Academia Mineira de Letras, a historiadora Stella Ferreira e o cientista político Leonardo Avritzer discutem a relação entre regimes democráticos, revoluções e a conquista de direitos pelas mulheres.
Os pesquisadores questionam se há relação intrínseca entre democracia e ampliação de políticas públicas voltadas para a mulher.
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Doutora em história e pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG, Stella Ferreira estuda movimentos na América Latina, tensões femininas e lideranças políticas em experiências revolucionárias em Cuba e na Nicarágua.
“No doutorado, estudei um pouco o debate do movimento feminista e das revoluções a partir das narrativas das mulheres. Para isso, utilizei testemunhos de cubanas e nicaraguenses que participaram de processos revolucionários”, conta Stella. Os relatos foram coletados e organizados em livros pela pesquisadora Margaret Randall.
“A partir dos testemunhos, pude perceber de que forma as mulheres participaram das revoluções, qual debate revolucionário elas estavam propondo, o ideal de novo mundo que surgiria a partir disso. Foi um pouco no sentido de não ‘apenas’ incluir as mulheres na narrativa da história, mas de provocar a revisão tanto das revoluções latino-americanas quanto da própria história do movimento feminista”, explica a pesquisadora.
Constituição de 1988
Leonardo Avritzer, coordenador do Instituto da Democracia e pós-doutor em ciências sociais pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), acredita que não há relação automática entre democracia e conquista de direitos. Ele defende que, no Brasil, essa relação ocorreu de forma decisiva com a Constituição de 1988.
“Quando discutimos projetos revolucionários, estamos discutindo projetos de mundo, de sociedade, de país. Em muitos momentos, discussões vão convergir com o debate sobre democracia. As demandas que temos hoje, em nosso tempo presente, também são convergências de lutas históricas e acumulação de pautas e debates que orientam as demandas feministas”, afirma a historiadora.
Stella Ferreira destaca o papel secundário imposto à mulher. “A democracia por si só não é suficiente para garantir a inclusão de mulheres em igualdade. É preciso que elas lutem para conquistar espaços para serem ouvidas e para conseguirem se sustentar em dinâmicas de poder”, afirma.
SÁBADOS FEMINISTAS
Debate com Stella Ferreira e Leonardo Avritzer. Neste sábado (21/3), às 10h, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1.466, Lourdes). Entrada franca.
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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria