Literatura

Ciclo internacional discute as veredas infinitas da obra de Guimarães Rosa

Evento on-line e presencial, que começa hoje (19/3), aborda o multifacetado universo dos livros 'Grande Sertão: Veredas', 'Sagarana' e 'Corpo de baile'

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Ciclo internacional de palestras vai abordar a contemporaneidade e amplitude de três livros de Guimarães Rosa que aniversariam em 2026 – “Grande sertão: veredas” e “Corpo de baile” completam 70 anos; “Sagarana” chega aos 80. Desta quinta-feira (19/3) até agosto, a iniciativa presta tributo à obra do escritor mineiro, reafirmando sua pulsação na literatura brasileira e seu papel como ponte sensível da diplomacia cultural.

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O ciclo “Sertões, veredas e travessias em Guimarães Rosa” ocorre no contexto das ações do Instituto Guimarães Rosa em parceria com a Academia Mineira de Letras, envolvendo o Programa Leitorados Guimarães Rosa – Lengüitas (Buenos Aires), a Cátedra Livre de Cultura Brasileira da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), o Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG e o Setor de Humanidades da Universidade Federal do Paraná (UFP).

A programação prevê 19 encontros com diferentes palestras nos formatos on-line, via Zoom, e presencial, em Buenos Aires e Córdoba. A abertura, às 17h de hoje, será com a conferência “Diadorim, o aberto e o trans”, ministrada pelo professor Raúl Antelo, com mediação de Florencia Donadi, da UNC. A mesa conta com a presença de autoridades da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, do Consulado do Brasil em Córdoba e do Instituto Guimarães Rosa.

Escritor e professor de literatura Raúl Antelo sorri, olhando para o lado
O escritor e professor de literatura Raúl Antelo faz a conferência de abertura do ciclo, nesta quinta (19/3), abordando o tema 'Diadorim, o aberto e o trans' Sesc SP/reprodução

Os 19 encontros, chamados sessões, com duas palestras cada, estão divididos em três eixos temáticos. O primeiro, “Estudos literários e tradução”, que segue até o início de maio, engloba literatura comparada, crítica, recepção internacional e os desafios de traduzir o sertão para outras línguas.

O segundo, “Literatura em diálogo com as ciências humanas e sociais”, será realizado entre maio e junho. O terceiro eixo ocorrerá em agosto. “Literatura em diálogo com outras artes” amplia a travessia do “Grande sertão” para a música, teatro, cinema, artes visuais e outras caminhadas literárias.

A comissão organizadora é formada por Camila Souza, do Leitorado Guimarães Rosa – Lengüitas; Bruno Viveiros, do Centro Universitário Estácio; Cláudia Campos Soares, da UFMG; Karla Cipreste, da UFP; e Florencia Donadi, da UNC.

Múltiplos diálogos 

Camila Souza explica que a divisão em três eixos se pauta pela amplitude dos livros focalizados. “Percebemos, pelos currículos dos convidados, que os trabalhos dialogavam com diferentes áreas, então é uma forma de mostrar para o público a dimensão que essas obras têm, com seus aspectos retóricos, sociais e artísticos”, afirma.

No processo de curadoria, primeiramente foram agrupados os convidados. Sabrina Sedlmayer, Wander Miranda, Silviano Santiago e José Miguel Wisnik, que fará a conferência de fechamento do ciclo, são alguns dos vários participantes. A pluralidade de vozes, diz Camila, expressa as diversas veredas e travessias que se podem fazer a partir das obras aniversariantes.

“Trata-se de pensar a amplitude em Guimarães Rosa. São vários sertões com que os participantes vão se deparar, bem como as reflexões e problematizações que esses livros suscitam”, diz a organizadora.

Detalhe de retrato de Guimarães Rosa, com o rosto do escritor, feito pelo artista plástico Arlindo Daibert
Detalhe de retrato de Guimarães Rosa feito pelo artista plástico Arlindo Daibert Arlindo Daibert/reprodução

As palestras iniciais sintetizam o espírito do ciclo: o percurso entre saberes, línguas e fronteiras, tendo Diadorim como figura-chave para se pensar aberturas estéticas, políticas ou identitárias que atestam a contemporaneidade de “Grande sertão: veredas”.

“Tem a questão de gênero, muito forte em algumas mesas; tem a retórica da obra de Rosa; tem convidados falando das aproximações dele com o filósofo Vilém Flusser e com o escritor Mia Couto. São vários aspectos”, pontua.

Outros temas em debate são o espaço da ficção no sertão como projeto literário, a educação linguística a partir de “Grande sertão: veredas” e os meandros da tradução da obra.

“A diversidade de vozes e perspectivas de análise da obra de Rosa, que culminou na organização de mesas com participantes de áreas distintas, colocando a literatura em interlocução com outras áreas, é consequência do conhecimento vasto que ele tinha sobre diferentes áreas”, destaca Camila.

Minas Gerais

Em 2025, as instituições envolvidas no evento promoveram o ciclo “Minas Gerais: outras veredas nas terras da Guimarães Rosa”.

O propósito daquela outra homenagem era divulgar diferentes aspectos da cultura mineira, abarcando história, artes, educação, oralidade, canção popular e literatura, ao passo que o novo evento foca diretamente nos livros, diz Camila Souza.

“Queríamos que as pessoas conhecessem o sertão mineiro e as esquinas de Belo Horizonte. O público ficou ansioso, pedindo que adentrássemos mais nos livros, mas não era o propósito. Agora, sim. O que pretendemos é o aprofundamento nessa obra para extrair tudo o que ela oferece”, explica.


PROGRAMAÇÃO

ABERTURA

• Nesta quinta (19/3), às 17h

Conferência “Diadorim, o aberto e o trans”, com professor Raúl Antelo. Mediação: Florencia Donadi

SESSÃO 1

• Nesta quinta (19/3), das 18h15 às 20h15

“O julgamento de Zé Bebelo e a dimensão retórica da linguagem no 'Grande sertão: veredas'”. Com Eduardo Cesar Maia Ferreira Filho

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça: o entusiasmo poético e a jornada mística em 'O recado do Morro', de Guimarães Rosa”. Com Thiago César Viana Lopes Saltarelli

SESSÃO 2

• 26/3, das 14h às 16h

“Os Joaquins: Críticas e imagem”. Com João Arthur Pugsley Grahl

“Diálogos entre João Guimarães Rosa e Vilém Flusser”. Com Gabriela Frota Reinaldo

SESSÃO 3

• 7/4, das 18h às 20h

“Observações sobre o conto 'Conversa de bois'”. Com José Pérez Reyes

“O tradutor como ciclope, a tradução como jogo”. Com Rômulo Monte Alto

SESSÃO 4

• 15/4, das 18h às 20h

“Diadorim: imagem fantasmática em 'Grande sertão: veredas'”. Com Leandro Bessa

“Performances femininas em 'Buriti'”. Com Telma Borges

SESSÃO 5

• 27/4, das 17h às 20h

“As traduções de mundos em Guimarães Rosa e em Mia Couto”. Com Maryllu Caixeta

“O espaço na ficção de Guimarães Rosa: o sertão como projeto literário”. Com André Pelinser

“Educação linguístico-literária ampliada a partir de 'Grande Sertão: Veredas'”. Com Henrique Leroy

SESSÃO 6

• 4/5, das 9h às 11h

Mesa especial sobre tradução de 'Grande sertão: veredas'. Com Florencia Garramuño e Alison Entrekin

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“VEREDAS, SERTÕES E TRAVESSIAS EM GUIMARÃES ROSA”

Ciclo de palestras sobre os 70 anos dos livros “Grande sertão: veredas” e “Corpo de baile”, e os 80 de “Sagarana”. A partir desta quinta-feira (19/3), às 17h, em formato on-line, via Zoom. Informações no site da Faculdade de Letras da UFMG. Inscrições por meio do link https://forms.gle/XM8cLhMuQXF71qvb8, com vagas limitadas. Salas on-line sujeitas a lotação.

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