ARTES CÊNICAS

'Tom na fazenda' volta a BH para discutir homofobia com as famílias

Em cartaz há nove anos, com cerca de 600 sessões, peça sobre a violência do preconceito é atração deste fim de semana, no Centro Cultural Sesiminas

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“Tom na fazenda” está em cartaz há nove anos. Fenômeno de bilheteria, a peça teve ingressos disputados todas as vezes em que passou por Belo Horizonte. Já foram quase 600 apresentações pelo mundo. Quando estreou, em março de 2017, a trupe não imaginava tamanha repercussão.

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“A gente não sabia que tinha uma peça de sucesso nas mãos”, conta o diretor Rodrigo Portella. Mesmo falado em português, o espetáculo encontrou plateias na França, Bélgica, Suíça, Reino Unido e Coreia do Sul. As sessões têm legendas na língua local. Em Quebec, no Canadá, houve tradução simultânea em francês e inglês.

“De início, achamos que, por tratar de homofobia, seria espetáculo 'nichado', mas ele se comunica com pessoas de vários lugares, de todas as idades”, afirma Portella.

Um sinal desse impacto ocorreu na noite de estreia. Entre os espectadores estava a atriz Marieta Severo. “Você tem noção do que vocês fizeram, do que você construiu aqui?”, disse ela ao diretor.

Adaptação do texto do dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, com tradução de Armando Babaioff, a peça acompanha o publicitário Tom, que viaja até a propriedade da família do companheiro morto. Lá, descobre que a sogra, Agatha (Denise Del Vecchio), não sabia de sua existência e desconhecia o fato de o filho ser gay. Completam o elenco Iano Salomão e Camila Nhary.

Responsável por trazer o texto para o Brasil e intérprete do protagonista, Babaioff diz que a peça funciona como ponto de partida para discutir violência e identidade com as famílias.

“É um estudo sobre a violência, é um estudo sobre a homofobia dentro da estrutura familiar, dentro de uma casa que pode ser a casa de qualquer um”, resume.

Texto clássico

O espetáculo se adaptou às transformações do mundo. “Nesses quase 10 anos, não sou mais a mesma pessoa. A peça vai acompanhando minhas mudanças como ser humano. Ela também acompanha o mundo, continua absorvendo as discussões da humanidade. Então, percebo que ‘Tom na fazenda’, o texto por si só, é um clássico”, diz Babaioff.

Esse processo obrigou a equipe a buscar novas perspectivas para os personagens. Portella explica que passou a explorar ambiguidades não tão presentes no início. Hoje, o trabalho está em complexificar conflitos e reforçar os contrapontos da história. “O barato é tentar fortalecer o que tem de contrapontos, de oposição àquilo que está dado”, afirma.

No início, as relações eram mais definidas, com o oprimido de um lado e o opressor de outro. Com o tempo, passou-se a enxergar essas figuras de forma menos rígida, ampliando contradições e zonas de tensão entre elas.

Rodrigo Portella também assina a direção de “Ficções”, com Vera Holtz, e de “Um ensaio sobre a cegueira”, do Grupo Galpão. “Gosto de criar espetáculos com os quais as pessoas se identifiquem, em que vejam os personagens como sujeitos, como elas próprias são, como nós somos”, comenta.

Sem ensaio

Nesses nove anos, diz Babaioff, as apresentações passaram a funcionar como um processo contínuo de elaboração, sem muitos ensaios. Ao chegar a cada teatro, os atores conhecem o espaço, testam a acústica, ajustam microfones e luz, reorganizam a marcação de cena.

“Fazer a peça é o ensaio de todo dia. Todo dia a gente está mudando alguma coisa, todo dia recebo o texto de um jeito e entrego de outro. É muito gratificante para o ator ter um trabalho com essa continuidade e longevidade”, afirma.

E não há sinal de despedida. Depois da temporada em Belo Horizonte neste fim de semana, o grupo segue para Uberlândia em abril. “Tem mais coisa para acontecer com essa peça. A gente ainda tem um Brasil inteiro para se apresentar”, diz Babaioff.

“TOM NA FAZENDA”

Peça de Michel Marc Bouchard, tradução de Armando Babaioff. Direção: Rodrigo Portella. Com Armando Babaioff, Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary. Nesta sexta e sábado (13 e 14/3), às 20h; domingo (15/3), às 18h, no Centro Cultural Sesiminas (Rua Álvares Maciel, 59, Santa Efigênia). Ingressos: R$ 130 (inteira) e R$ 65 (meia), à venda na Sympla e na bilheteria (duas horas antes da sessão).


OUTRAS ATRAÇÕES

>>> Quatroloscinco

“Velocidade”, a elogiada peça do Grupo Quatroloscinco escrita por Assis Benevenuto e Marcos Coletta, terá sessão única nesta sexta (13/3), às 20h, no Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), com vendas on-line na plataforma Sympla.

>>> Augusto Cury

“Nunca desista de seus sonhos”, peça baseada no livro de Augusto Cury, acompanha a psicóloga Carol, que ajuda pacientes, mas enfrenta dificuldades para administrar a própria vida. Nizo Neto e Maximiliana Reis estrelam o espetáculo em cartaz sábado (14/3), às 20h, no Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Inteira: R$ 140 e R$ 120, com meia na forma da lei. Vendas on-line na plataforma Sympla.

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>>> “A menina onça”

A peça “A menina onça” será apresentada domingo (15/3), às 16h e 19h, no Teatro Marília (Av. Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Garota perde a família, passa por imensas dificuldades e encontra na figura do felino um guia espiritual. Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), à venda na bilheteria e na plataforma Sympla.

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